sábado, 31 de dezembro de 2016

niente lontano

E quem sabe nesse novo ano
Que amanhã começará,
Exista alguém, niente lontano
Que me amará.

E assim talvez aconteça
A tal reciprocidade.
Então, antes que anoiteça,
Vou recordar da claridade.

Alguém para amar;
Eu estou à procura!
Mas não sei como dosar
Para poder tomar a cura

Dessa falta, e desse desassossego
Que tanto este ano me mataram,
Quase meu coração dizimaram
E quase o furaram com um prego.

São tantos caminhos passados,
E o amor a gente nunca sabe ao certo.
São esses sentimentos pesados
Que se abrigam em corações desertos.

E ao passo que o sereno evapora,
E a aurora diz adeus às estrelas,
Tento as dores, talvez, escondê-las.
Mas qual dor ao amanhecer vai embora? 

Fabiano Favretto



sexta-feira, 30 de dezembro de 2016

No meio ou no fim

Quero tanto um beijo,
E a expectativa mata esse desejo.
Não, não morre esse desejo,
Nem sequer contrariado me vejo.

Das retóricas mais simples da vida,
A que mais gosto é a da dívida:
Paga-se cada conta atribuída,
E sana-se toda parte a ser dividida.

Entre eu querer pagar
Ou mesmo ter que te esperar,
Prefiro mesmo parar
Para tentar te ganhar.

Então eu vim,
E espero que assim
No meio ou no fim
Eu tenha você para mim.

Fabiano Favretto

Canção para a amiga distante

Eu vejo em seus olhos a tristeza,
E em suas mãos as incertezas.
Seus gestos querem ser tangíveis 
Mas agora somos tão invisíveis.

Eu me pergunto se estou magoando,
Pois assim, estou me entregando.
Mas não sei se é simples entrega,
Ou dor que um dia chega.

Não sou um bom samaritano,
Nem serei nesse próximo ano.
Não te darei esperanças nessa estrada,
Pois a oferecer-te não tenho nada.

Eu vejo em meus olhos a tristeza.
Em minhas mãos falta delicadeza.
Meus gestos querem ser plausíveis,
Mas agora somos tão invisíveis.

Se um dia para ti eu faltar,
Poderás sem medo me amaldiçoar.
Estou fugindo sempre a mesmo
Nessa procura fútil de mim mesmo.

Se um dia para ti eu faltar,
E a saudade no meu peito pesar (e vai),
Não hesite em praticar abandono:
Coração poeta não deve ter dono.

Se um dia para ti eu faltar,
Peço somente para lembrar 
De quem fui no começo;
Estou longe, mas não esqueço.

Fabiano Favretto

domingo, 25 de dezembro de 2016

Piangere

Fabiano Favretto:
Piange un poveretto.

Fabiano Favretto

Eu iria

A solidão me visitaria
E disse que me seguiria.
Não importasse onde iria,
Comigo ela partiria.
Não sei se era ironia,
Mas a melancolia
Decidiu fazer companhia.
Por onde eu andaria
Sem perder minha alegria?
Eu só não sabia
Que a tristeza me seguiria.

Fabiano Favretto

Nuvens cinzas

O céu agora se torna amarelo,
E de amarelo, nuvens viraram cinzas.
Eis que cairão hoje à noite,
Ou mesmo amanhã,
Todas estas lágrimas
De chuva.

Fabiano Favretto

Nuvens amarelas

Mais uma tarde de domingo,
E a parede de nuvens amarelas
Passa vagarosamente
Para não dar lugar às estrelas.

É dia de natal, dia quase findado.
A noite se aproximou rápida
Enquanto achei que havia acabado
A minha saudade tão ácida.

Ao ver-me assim fico pensando
O porque aqui estou.
Eu, verme do meu frio passado,
Eis que aqui estou.

Fabiano Favretto

sábado, 24 de dezembro de 2016

De sal

Nesta parte da cidade
Olho e olho pela janela;
Vejo a tranquilidade,
E me pego a pensar nela.

Olho o reflexo do sol
Em minha taça de cristal;
Às luzes, reflexos,
Imagens de sal.

Fabiano Favretto

Whisky - 12 anos

O barulho dos gelos
Em meu copo
Lembram-me
Os guizos do trenó
do Papai Noel.

Fabiano Favretto

Com bucolismo

Quero um jazz
Ou dois,
Com bucolismo
Por favor.

Fabiano Favretto

Brinde

Eu,
Comigo mesmo brindei
À minha solidão.

Fabiano Favretto

Dezembro não me lembro

Os dias de dezembro
Estão mais longos,
Mais do que me lembro.
Estou mais tolo
Mais do que me lembro.

Fabiano Favretto

Me judia

Nosso blues de cada dia,
O feeling da guitarra é saudade.
E esse solo me judia
Por eu ser solo de verdade.

É véspera de Natal,
Mas o ano nem existiu
Porque a sorte afinal
Para mim não mais sorriu.

Fabiano Favretto

terça-feira, 20 de dezembro de 2016

Rosadas

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Rosas
Com filtros
Não tão rosas,
Mas nostálgicas
Rosas
Filtradas.
Rosamente
Fotografadas.
Rosas rosadas,
Em fotos
Cor-de-rosas.

Fabiano Favretto

Modernismo

Todo modernismo
No presente é futuro.
Todo modernismo
No passado é presente.

Fabiano Favretto

Quero comer seu coração

Quero comer seu coração
Com farinha de mandioca,
Nesse nosso ritual
Tão antropofágico
E sem muita cerimônia.


Que suas forças sejam
As minhas forças
Sejam
As nossas forças
O combustível da magia.

Quero beber seu sangue,
Misturado ao vinho seco
Para que nosso laço
Não desenlace
Pelo mais puro esquecimento.

Quero provar da tua carne
Tão apócrifa quanto 
Os equinócios de inverno
No emisfério sul,
Tão quente e pálido.

Quero te consumir por inteira:
Fazer-te igual vela exposta à chama.
E ainda nesse nosso banquete carnal
Lamber os dedos sujos
De todo pecado oferecido.

Quero o doce lamento do fim.
Quero essa dupla preguiça,
Que Macunaíma tanto prezou.
Quanto mais me jogo em tua voz,
Mais esse jogo se torna não mais meu.

E quero também o seu fim
Entre meio meus dedos e minha língua,
Pois do teu gosto já não me lembro,
E de tua voz já me afastei.
Quero comer seu coração.

Fabiano Favretto



E qual o som do seu coração?

Qual o gosto do seu abraço,
Qual o tato da sua língua,
Qual o cheiro dos seus olhos,
Qual a aparência da tua alma?

Fabiano Favretto

Domenico Modugno - Vecchio frac



E' giunta mezzanotte
Si spengono I rumori
Si spegne anche l'insegna
Di quell'ultimo caffè
Le strade son deserte
Deserte e silenziose,
Un'ultima carrozza
Cigolando se ne va.

Il fiume scorre lento
Frusciando sotto I ponti
La luna splende in cielo
Dorme tutta la città
Solo va un uomo in frac.

Ha il cilindro per cappello
Due diamanti per gemelli
Un bastone di cristallo
La gardenia nell'occhiello
E sul candido gilet
Un papillon,
Un papillon di seta blu
S'avvicina lentamente
Con incedere elegante
Ha l'aspetto trasognato
Malinconico ed assente
Non si sa da dove vien
Ne dove va
Chi mai sarà
Quell'uomo in frac.

Bonne nuit bonne nuit
Bonne nuit bonne nuit

Buona notte
Va dicendo ad ogni cosa
Ai fanali illuminati
Ad un gatto innamorato
Che randagio se ne va.

(musica)

E' giunta ormai l'aurora
Si spengono I fanali
Si sveglia a poco a poco
Tutta quanta la città
La luna s'è incantata
Sorpresa ed impallidita
Pian piano
Scolorandosi nel cielo sparirà
Sbadiglia una finestra
Sul fiume silenzioso
E nella luce bianca
Galleggiando se ne van
Un cilindro
Un fiore e un frac.

Galleggiando dolcemente
E lasciandosi cullare
Se ne scende lentamente
Sotto I ponti verso il mare
Verso il mare se ne va
Chi mai sarà, chi mai sarà
Quell'uomo in frac.

Adieu adieu adieu adieu
Addio al mondo
Ai ricordi del passato
Ad un sogno mai sognato
Ad un attimo d'amore
Che mai più ritornerà

Do Não

Para aqueles que ficaram,
Deixo o meu adeus.
Para os que partiram,

Vão para onde vou eu?


Um bússola quebrada

E um pedaço de pão.
A estrada, minha brigada,

É a fortaleza do não.

Fabiano Favretto

quarta-feira, 14 de dezembro de 2016

Chumbo grosso

Desferi tiros no peito
De uma arma chamada amor.

Não morri por inteiro;
Tenho hoje cicatrizes de rancor.


Fabiano Favretto

Fauvismo

Óleo na tela;
Você nua,
Meu pincel trabalhando.

Fabiano Favretto

Devassa

Devassa
Desgraça
Esta vontade
De consumir-te

Fabiano Favretto

Porque não

Porque não vemos
Porque não cremos
Porque não vamos
Porque não somos
Porque não temos
Porque não ficamos
Porque não
Porque
Porque não

Fabiano Favretto

Mais que eu

Um corte rápido,
Rápido e limpo.
Nem sangue jorrará,
E minha cabeça rolará
Na maior desenvoltura,
Como cena de pintura,
Nesse vermelho
Tão mais alheio
Que coração meu;
Mais alheio que eu.

Fabiano Favretto

terça-feira, 13 de dezembro de 2016

Sem reflexos

Ora, e agora neste lamento
Qual lúgubre corvo velho,
Remoerei mais um descontento:
Por que não me vejo no espelho?

Fabiano Favretto

Escombros

Sinto os ombros pesados,
E não é simples canseira.
Sinto os ombros fatigados
Não é uma brincadeira.

Mas hoje meus ombros,
Já não são os mesmo de outrora:
Agora carrego os escombros
Que do coração caem de hora em hora.

Fabiano Favretto



Promoção

Meu coração está usado,
Mas bem conservado.
Pode ser que ainda ele possa
Bater bem forte por alguém.

Meu coração semi-novo,
Na embalagem de meu peito
Ainda tem nota fiscal
E manual de instruções.

Meu coração está barato:
Leve-o pela metade do preço,
Ou até mesmo de graça.
Mas por favor cuide bem dele.

Pode não ser de primeira linha,
Mas vem com poesia de fábrica,
Bem regulado e silencioso
(Exceto quando há amor).

Fabiano Favretto

segunda-feira, 12 de dezembro de 2016

Com direito a 13º

"O salário do pecado é a morte",
E de mim ainda não sei o resultado.
Esse vazio aqui dentro, falta de sorte:
Nenhum vão em mim ocupado.

"O salário do pecado é a morte"
E meu caminho vou traçando.
É cedo agora, ou já é tarde?
E o fato é que estou só começando.

Fabiano Favretto

sábado, 10 de dezembro de 2016

Tarô

Pegou em minha mão.
A cartomante, incrédula,
Ficou atônita com a falta
Do que ler.

Fabiano Favretto

segunda-feira, 5 de dezembro de 2016

nha eu

Arranha o céu
Aranha o véu
Assanha o mel
Apanha o fel

Fabiano Favretto

Titanic

Um coração Titanic
Afundado,
Rachado ao meio,
Congelado.
Vários botes
Salva-vidas,
Mas só eu morri.

Fabiano Favretto

Por medo

Por que me vens à cabeça,
Se tudo o que eu quero
É simplesmente esquecer-te?
Por mais que eu peça
À Deus, e assim espero
Que se Ele atender-me,
Assim eu te esqueça,
Ainda me desespero,
Por medo de querer-te.

Fabiano Favretto

domingo, 4 de dezembro de 2016

Segunda está perto

Domingo só serve para deixar-nos
Felizes com a maionese na hora do almoço,
E tristes quando ouvimos a vinheta do Fantástico.

Fabiano Favretto

Fossa Nova

Sofre tanto
O meu coração
Ouvindo João, Vinícius e Jobim,
Que já estou cantando
Fossa Nova.

Fabiano Favretto

Quem é o bicho?

Espírito de porco,
Corno como um touro.
Pés de galinha,
Já o chamaram de cachorro.
Homem, 
Quem é o bicho?

Fabiano Favretto

Degustação

Comeu poesia com farinha
No almoço e janta;
Morreu engasgado
Entre uma garfada de Drummond
E uma mastigada de Pessoa.

Fabiano Favretto

sábado, 3 de dezembro de 2016

Mágoa

Toda essa mágoa,
Estive aprendendo a usar
Para ser igual uma máquina
Feita para magoar.

Fabiano Favretto

quinta-feira, 1 de dezembro de 2016

Para dentro das árvores


Pelo fim

Vivendo as horas
Pelo fim do dia,
Vivendo os dias
Pelo fim da Semana.
Vivendo as semanas
Pelo começo do mês,
E vivendo os meses
Pelo fim do ano.
Apenas vivendo,
Vivendo pelo fim da vida.

Fabiano Favretto


domingo, 27 de novembro de 2016

Cheque-mate

Se for me matar,
Me mate de uma vez;
Me mate de facada,
Me mate de tezão.
Me mate com um tiro!
Só não me mate
Pelo coração.

Fabiano Favretto

Beijo no rosto

Quantas moedas de prata
Valeria o meu amor?

Fabiano Favretto

Mantra do rapaz triste

Bucólico,
Bucolismo.
Bucósmico,
Bucolicismo.

Fabiano Favretto

Mais morto

Mais morto do que estou,
Impossível morrer mais.
Se pensa que é capaz,
Me diz para onde vou.

Mais morto que estive,
Impossível viver mais.
Se pensa que é capaz,
Venha e me cative.

Mais morto que estarei,
Impossível estar mais.
Se pensa que é capaz
Me encontre onde fiquei.

Fabiano Favretto

pqp


Da permuta,
Puta merda.

Fabiano Favretto

Pela dor

Poeta, profissão ingrata:
Escrever para esquecer,
Mas lembrarão de ti
Pela tua dor.

Fabiano Favretto

Depois das 18

É essa previsão que me assusta,
Sentir o domingo perdido.
Apesar de ter o dia corrido
Com alegria e tristeza em permuta.

Mas assim que chego às 18,
O coração, apertado cofre,
E sem proteção ainda sofre.
Parece tão vazio e louco...

E se sonhasse com seus olhos
E se vivesse em tua boca,
Não me importaria com os outros...

Minha alegria agora é pouca,
E as lembranças se tornaram vultos.
O mundo talvez dê mais uma volta.

Fabiano Favretto

Tão antes do fim do mundo

27/11/16 e me sinto
tão 18/05/12

Fabiano Favretto

Crânio de Cristal

Saberás que é para você
Pois tens meu crânio de cristal,
E alguns sonetos que escrevi.
Saberás, porque ouvia os sinos soarem.
E de teu mistério, tive medo fatal.
Há quatro anos sequer vivi.

Fabiano Favretto

quarta-feira, 16 de novembro de 2016

Light my fire

Se um dia encontrar-te,
Consumirei-a
Até somente
Cinzas sobrarem
De nossos 
Corpos cansados.

Fabiano Favretto

Não cometa

Mais que o rastro da estrela,
Não cometa
O erro de me amar.

Fabiano Favretto

Imediatismo

Imediatismo necessário:
Melhor saber agora.
Vai que o futuro prova
Justamente o contrário?

Fabiano Favretto

Perverso

Nesta noite chuvosa,
Destas que nenhum'alma sai,
Tive uma sensação trevosa

Que agora lentamente se esvai.
Após arrepiar os meus cabelos,
O andar de minhas pernas me trai

Pois meus fantasmas (temo vê-los),
Andam me sussurrando:
Falaram para não mais temê-los.

Mas continuo andando
Em passos a cada vez mais ágeis
Minha velocidade vou aumentando.

São medos intermináveis
Do místico, oculto e sobrenatural,
Onde soluços intermináveis

Causam-me quase espasmo fatal.
O perverso anda a espreitar-me,
Estou a fugir de todo o mal.

Fabiano Favretto

terça-feira, 15 de novembro de 2016

Nota de esquecimento

No presente momento,
Esqueço o que já fiz.
Não pelo nosso tempo,
Mas porque assim o quis.

Fabiano Favretto

Voo do passarinho

Voa um passarinho,
No céu batendo asas.
Traça o seu caminho
Na tarde cor de brasa.

Fabiano Favretto

Trova do adeus

Quando tu vais embora,
Meu Coração fica mal.
Minha vida piora;
Caem lagrimas de sal.

 Fabiano Favretto


sexta-feira, 11 de novembro de 2016

Narciso espancado pela vida

Nem que meu sangue
Suje os paralelepípedos,
E minha massa encefálica
Caia pela escadaria,
Ou meus dedos enrosquem
Na fresta do elevador,
Deixarei de acreditar

Na minha importante existência.

Fabiano Favretto

terça-feira, 8 de novembro de 2016

De rosas vermelhas, não que isso faça diferença

Ser romântico às vezes...
É uma merda!
(Uma merda com aroma de rosas)

Fabiano Favretto

Este tempo todo

Encarecido de boa companhia,
Gostaria de tê-la por perto,
Pois sei que a minha alegria
Não está neste peito aberto.

Tão só, tão mísero moribundo,
Ao bater de asas neste mormaço,
Sei que meu coração é um vagabundo
Que loucamente anseia por seu abraço.

Nada está mais distante de mim
Do que as estatísticas vem mostrando:
É dado o começo do meu fim,

E eu aqui somente reclamando.
Nem pensei o porque vim
Este tempo todo te amando.

Fabiano Favretto


De verdadeiro

Hoje, de verdadeiro,
Somente a chuva no rosto,
E o derradeiro
Sentimento de desgosto.

Fabiano Favretto

Blues note

No braço
Da minha guitarra,
Você virou
Nota azul

Fabiano Favretto

Arrependimento de Dante

Quando fui ao inferno
Te buscar,
Jamais saberia
Que tu se tornaria
Hedonista,
E egoísta.
Quando fui ao inferno
Te deixar...

Fabiano Favretto

segunda-feira, 7 de novembro de 2016

Este processo demorou começar

Olha só
O que está acontecendo,
Veja só
Eu te esquecendo.

Devagar,
Vou andando
Devagar,
Vou mudando.

Olha só
O que está acontecendo,
Veja só
Eu te esquecendo.

Fabiano Favretto

domingo, 6 de novembro de 2016

email

Anseio a cada momento mais
Pela sua resposta digital.

Fabiano Favretto

Cachimbo



Em meu cachimbo
Há muito mais sabedoria
Do que me lembro,
E do que jamais diria.

Fabiano Favretto

quarta-feira, 2 de novembro de 2016

terça-feira, 1 de novembro de 2016

Vizinhança

Abraços anônimos,
Beijos esquecidos.
Mudei meu endereço
Para a casa ao lado.

Fabiano Favretto

segunda-feira, 31 de outubro de 2016

Laudo

Outubro
Como qualquer mês
Soturno,
Me fez sofrer
Outra vez.

Fabiano Favretto

Embaçada visão

Só de ver a foto,
Meu coração se parte.
Antes que meu coração infarte
Quais os verdadeiros fatos?

Não compre a melhor camisa,
Não beba, não fume.
Pare no semáforo.

Obedecemos à uma luz vermelha.
Me falaram que amarelo significa

Atenção.
Sempre ignorei.
Não vire à direita,
Não fale alto,
Não dance,
Não pise na grama.
Não olhe os anúncios nos jornais.
Mas afinal o que é real?

Não beije,
Não transe.
Pecado.
Não sinta prazer.

Penitência de mim mesmo,
O inferno corre em minhas veias.
Como poderei salvar-me
Perante à minha própria ausência?

Meu coração se parte,
Somente ao ver a foto.
Se parte. Se arrebentam
Os membros
Deste corpo que padece
Ao simples motivo
De minha
Embaçada visão.

Fabiano Favretto

sábado, 29 de outubro de 2016

Pensamento no elevador


Deveria dar vazão
Às coisas do coração,

Ou conter a emoção
E viver com razão?

Fabiano Favretto

Eu e minha gula

Ela se derretia como manteiga,
Mordia os lábios como torrões de açúcar.
Dobrava a esquina de forma doce
Com um gingado muito bem temperado.

Fabiano Favretto

De estar alheio à culpa

Eu colocaria a culpa no vinho,
Ou no demônio a responsabilidade
Para não encarar sozinho
Essa dura tristeza - a realidade.

Me afastaria de qualquer coisa
Que pusesse em xeque minha posição:
De correto, ético, qualquer coisa
Que me fizesse optar pelo sim ou não.

Eu colocaria a culpa
No meu colega ou vizinho,
E depois pediria desculpa.

Me sinto muito sozinho,
Esta pele quem usurpa
É um covarde mesquinho.

Fabiano Favretto



terça-feira, 25 de outubro de 2016

Silêncio e escuridão

Silêncio, noite escura;
O tempo lá fora é úmido.
Acabara de cair a chuva,
E eu não deveria ter saído.

Na trilha entre altas árvores,
Angustiado e sozinho,
Entremeio à galhos cadáveres
Comecei a falar baixinho.

Uma prece que me fugia,
Por entre os dentes escapava,
E ao ar frio fumaça fazia
Ao passo que à luz da lua iluminava.

Era eu mesmo, e somente
Os meus passos eu ouvia
Naquela trilha novamente
A escuridão surgia.

E assim apressei meu passo
E a escuridão me perseguia,
Em ritmo de mórbido compasso
Forjando uma parede esguia.

Mas eis que a primeira curva
Surge em meu estreito caminho,
E minha pele, agora turva
Sente que posso não estar sozinho

Andando desconfortado e receoso,
Olhava em todas as direções.
Era sombriamente jocoso
Meu estado de preocupações

Mas aos poucos eu fui andando
E a curva eu fui vencendo;
A curva foi acabando
E acabei prevalecendo.

A curva em seu fim deixou-me
Acessar a estrada principal,
Mas o poste da rua apagou-se
Fazendo-me quase passar mal

Na deserta estrada eu me encontrava,
E isso me deixou desesperado,
Temendo o mal que me faltava
Chegar agora neste estado.

A escuridão e o silêncio deixaram
O ritmo de minha respiração.
Fatigantes, meus olhos enxergaram
O que não existia até então:

Vi deitado na estrada, silhueta familiar
Vi a mim mesmo ao chão caído
E então de vez faltou-me o ar:
Da estrada eu havia saído,

Uma luz começa a brilhar.
Não havia frio, nem mais escuro,
Algo impossível de ditar
Devo voltar por caminho seguro.

E ao não seguir esta luz,
Andando em direção oposta,
Há algo que novamente me conduz,
À escuridão, ainda sem resposta.

Fabiano Favretto




Soneto encharcado

Se a chuva molhar,
Deixa que molhe!
Pois quando chove,
Algo haverá de mudar.

Mesmo que possa esfriar,
As roupas se molhem
E as lágrimas escapem,
A chuva haverá de passar.

Como a chuva seria
Sem o tato da pele?
Não mais haveria

Uma dor que expele,
Nem em nós caberia
Um amor que impele.

Fabiano Favretto


segunda-feira, 24 de outubro de 2016

Mil livros

Tanto de você não sei,
Que poderia escrever
Mil livros
Cheios de incertezas.


Fabiano Favretto

Humor vítreo

Humor vítreo
Tão translúcido
Em seus olhos
Quanto o gelo
Sólido
De teu coração.

Fabiano Favretto

sábado, 22 de outubro de 2016

Para ouvir hoje



Minto as horas

9 minutos para 16:30.
Minto.
São 6 para
Daqui a pouco.

Fabiano Favretto

Deixado de lado

Eram tantos sorrisos,
E nenhum para mim.

Fabiano Favretto

Criação suprema

Uma rosa
Linda
Com cheiro
De café.

Fabiano Favretto

Caso de vaidade

Tenho saudades
De um dia te conhecer.
Caso de vaidade;
Um dia, você irei ter.

Fabiano Favretto

Até agora

Estou pensando no tempo,
E me perguntando
Se vivi
Todos esses dias.


Fabiano Favretto

Mas ajudaria um pouco

Não se precipite!
O lenço esquecido
Não curaria seu problema
De rinite!

Fabiano Favretto

Respondendo: claro que serve!

Poesia
Seria,
E serviria
Para algo
Senão somente
Desabafar?

Fabiano Favretto

Passos para tentar conquistar a garçonete bonita *

1 - Verificar se ela usa aliança;
2 - Quando ela olhar em sua direção, olhar no fundo dos olhos dela e sorrir;
3 - Caso o passo 2 seja efetivo (retribuído), escreva uma poesia;
4 - Não esqueça de deixar seu número de celular abaixo da poesia;
5 - Cuide para que na hora de sair ela quem vá até sua mesa. Deixe a poesia debaixo do pires do café;
6 - Espere mensagem no whatsapp.


* Resultados variáveis (e por sua conta e risco!).
E ah, no título está escrito TENTAR!

Fabiano Favretto

A partir disto, deduz-se que...

A poesia tem sido para mim
Sinônimo de solidão:
Vivo algo chamado
Poesia existencial.

Fabiano Favretto

Sobe, ou desce?

Não sei se procuro
Uma escadaria
Ao teu céu, imensidão,
Ou se procuro
Uma rodovia
À tua plena devassidão.

Fabiano Favretto

Da palavra admiração

Mesmo sendo dia,
E eu estando
Incrivelmente sóbrio,
Você continua bela.

Fabiano Favretto

Coisa de pirado

A inspiração
Não vem,
Mas as piração
Já tem.

Fabiano Favretto

Café esperto

Café esperto,
E eu até gostaria
De ter você
Por perto.

Fabiano Favretto

quinta-feira, 20 de outubro de 2016

A poda

Pode os galhos,
A seiva escorrerá dos olhos
E cairá junto às folhas.
Brotarão somente lamentos.

Fabiano Favretto

sábado, 15 de outubro de 2016

Amor desencarnado

Princesa das águas,
Ofélia,
Leva com sua vida
Todo o meu amor
Desencarnado.

Fabiano Favretto

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/4/4f/Ophelia_1894.jpg

Não poderia estar melhor

Quando me perguntam
Se estou bem,
Eu minto e sorrio:
- Não poderia estar melhor.

Mas em cada sorriso dado,
Meu coração se contrai de dor.
É uma ironia tão grande
Sorrir na falta de um amor.

Minhas vísceras se contorcem
Como correntes enroladas,
Protegendo esse fatídico músculo
De toda a dura realidade.

Continuarei sorrindo,
Mas meu vazio interior
Continuará crescendo
Dividindo espaço com a dor.

Estarei bem na medida do possível,
E estarei sorrindo.
Só não repare em meus olhos,
Ao fundo deles estarei chorando.

Mas quando me perguntam
Se estou bem,
Eu minto e sorrio:
- Não poderia estar melhor.

Fabiano Favretto

Nostalgia d'amore

Faço-me de forte
E finjo que não ligo.
Em cada dia um novo corte
Aqui dentro comigo.

Tento afastar estes pensamentos,
As lembranças de tempos bons;
Mas tu me vêm a cada momento
Junto com os mais belos sons.

Mesmo que eu fuja de mim,
Mesmo que não tente te encontrar,
Quem sabe este amor é sem fim.
Antes, mais fácil minha vida acabar.

Fabiano Favretto

quarta-feira, 12 de outubro de 2016

Eu Palhaço Fracasso

Ei todos vocês!
Venham admirar o meu fracasso!
Venham ver este ser ignóbil,
Patético e esperançoso.
Pobre coitado,
Mal aguenta o peso
Sobre as suas pernas...
Seu peso constituído de responsabilidades!
Mal pode ele, coitado, sustentar
Uma afirmação sem cair
Em redundante contradição.
O espetáculo é gratuito,
Venham apreciar
E deleitar-se com a desgraça alheia,
E gozar-se com a infelicidade minha.
Ei todos vocês!
Venham admirar o meu fracasso!

Fabiano Favretto

Quarta feira, 19:53

Mundo
Imundo.
Vasto mundo imundo.
Imundo, inundo
Vasto mundo
De sujeira
E desolação.

Fabiano Favretto

Vendo meus sonhos!

Vendo meus sonhos!
Alguns em bom estado,
Outros bem gastos,
Mas possíveis de serem sonhados.

Vendo à preço de custo.
Carregam ainda a essência,
E ainda repletos de toda a ciência.
Alguns foram sonhados no susto.

O motivo de desfazer-me
De todos os sonhos meus,
É que estou a desacreditar-me

De todo sonho que nasceu.
Partido não mais tomarei
De todo sonho que é meu.

Fabiano Favretto

Na solidão, companhia

Porque a solidão
Não vem sozinha;
Traz consigo os fantasmas
Que assombram-me
Noite e dia:
Dor, angustia e desespero,
Minhas esternas 
Companheiras de copo.

Fabiano Favretto

Voar

Voar
É quando ignoramos a gravidade
E caímos para cima.

Fabiano Favretto


terça-feira, 11 de outubro de 2016

16 e uns trocados

Desencanta,
Fabiano
Vê se desencana.

Fabiano Favretto

Perfeição (perversão)

Perfeição,
Tudo o que é escatológico
E me causa repugnância.
Perfeição,
Todos os dados metodológicos
Repletos de arrogância.
Perfeição
Tudo o que é ilógico,
Locus da petulância.
Perfeição,
Tudo o que me provoca
A deliciosa perversão.

Fabiano Favretto

segunda-feira, 10 de outubro de 2016

Bom para treinar caligrafia

Quanto mais escrevo,
Mais linhas em branco
O meu eu adquire.

Fabiano Favretto

Transcrição de PH

Escreverei
Poesia bilíngue
Transcrevendo
A minha língua
Na sua.

Fabiano Favretto

Penetração

Penetrei no céu
Gozando do esplendor
De todas as estrelas.

Fabiano Favretto

Vincent

Trigal com corvos,
Alma com engôdos
E o céu sombrio.
O dourado do trigo
É mínimo fronte
Ao fim logo adiante.

Fabiano Favretto

Índio, quando terá?

O índio que hoje figura,
Não é o mesmo do descobrimento;
Vivem agora sem alento,
E sem qualquer estrutura.

Antes não tivessem chegado,
E nem aos índios dado presentes.
Trouxeram pragas, ficaram doentes
E seu povo foi dizimado.

Que saudades daqueles tempos,
Onde se figurava a liberdade!
A natureza dava contentos

E entre si havia igualdade.
Hoje há somente lamentos
Índio, quando terá dignidade?

Fabiano Favretto

domingo, 9 de outubro de 2016

O tema sou eu

Conto piadas;
Todas com finais tristes.

Fabiano Favretto

Fim

Plantei unhas
Na terra,
Carne,
Ao cavar
O meu próprio
Fim.

Fabiano Favretto

Só para!

Uma cadeira com paraquedas,
Uma tigela com parapentes.
Uma serpente com para-choques
Uma TV com parapeito.
Uma curva com paralelos,
Um tijolo com para-brisa.
Uma vida com para-raios
Uma dor com parafusos.

Fabiano Favretto

Isto não quer dizer absolutamente nada

Garboso desabafo,
E impetuoso embaraço.
Cá estou eu a escrever,
E a transcrever
Sentido em rimas,
Solvido em linhas.

Fabiano Favretto

Pequenas grandes coisas

Chá matutino,
E cheiro de cravo;
Sol pequenino
À puxar a manhã.

Fabiano Favretto

Termômetro

Poesia quente,
Coração gelado.

Fabiano Favretto

Estímulo

O seu cheiro
Ainda perfuma
A ponta
Dos meus dedos.

Fabiano Favretto

Sem tempo

A correria
Mata a poesia.

Fabiano Favretto

sexta-feira, 7 de outubro de 2016

Qual a trilha

Nesses cachinhos
Queria me perder,
Para apenas 
Um caminho
Eu empreender.
E pensei comigo,
Agora, coisa louca:
Qual a trilha
Que me leva
Até a tua boca?

Fabiano Favretto

E a esperança ficou por lá

Levei o bloco de notas,
Mas o que voltou
Foram apenas as páginas
Vazias.

Fabiano Favretto

Brio

Não existe primavera:
Tudo é triste e frio.
As flores, quem me dera,
Não perdessem o seu brio.

Fabiano Favretto

Depois de setembro

Na primavera
Não há amor:
Há quimera
Em flores de dor.


Fabiano Favretto

Buracos no tempo e espaço

Esquecendo esse amor
Encherei minha história
De anacronismos.

Fabiano Favretto

Será que sabe?

Ela deve saber que dela gosto,
Mas não é mais setembro
E nem é mais agosto;
Pelo menos não me lembro

Ter olhado naqueles olhos,
Ter tocado n'aquela pele.
Foram dois grandes abraços
E aquela vontade que impele.

Conversamos mais de meia hora,
Falamos de tudo um pouco.
Mas falamos menos de uma hora.
Saudade me deixará louco.

E agora em casa,
Chateado, triste e comovido,
Não há nada que me faça
Sair deste estado iludido.

Fabiano Favretto

quinta-feira, 6 de outubro de 2016

Reversão

Troque o sim pelo não,
E meta os pés pelas mãos.

Fabiano Favretto

Soneto da incerteza

Tu não sabes que te quero,
E tanto, como aquela vez
Que em meus braços tu se fez
Por um instante eterno.

Te desejo tanto tanto,
Que o seu perfume sinto.
Mesmo longe, não minto,
Lembro-me do teu encanto

Queria te beijar,
Em um ato de surpresa;
Mas estou a suspirar

E repleto de incertezas:
Quando tu me olhar,
Devo resistir  à sua beleza?

Fabiano Favretto

quarta-feira, 5 de outubro de 2016

segunda-feira, 3 de outubro de 2016

Guerra contra mim

Guerra contra mim
Que eu mesmo irei travar:
Não sei se irei ganhar
Ou quando terá fim.

Será difícil suportar
As explosões em meu peito,
Mas caso aguente, ajeito
Uma forma de me curar.

Não haverá mais defeito
Nem precisarei de munição,
Pois darei um jeito

De acalmar meu coração.
Paz aqui terá efeito:
Vai aliviar toda a tensão.

Fabiano Favretto

Opinião

Concorda ou discórdia?

Fabiano Favretto

Ou se fazer de otário

Vamos escrever ausência
E esquecer da essência
Ou fazer o contrário;
Escrever a essência
E esquecer da ausência
Ou se fazer de otário.

Fabiano Favretto

E se fosse

Solidão,
Palavra no aumentativo.
E se fosse saudade normal,
Ou saudadinha
No diminutivo?
Não e não.


Fabiano Favretto

Nesta ponte que cai

A solidão, quem imaginaria,
Antes esta me desolava,
Agora até acho que agrada.
Vem se tornando uma amiga.

A solidão, eu não imaginava
Que é amar ou ser amado,
Ser doce, ser amargo
Não amarei como eu amava.

A solidão que não vai,
E eu que não ficarei
Nesta ponte que cai

Sozinho terminarei.
Meu grito não sai,
Sozinho eu morrerei?

Fabiano Favretto

sexta-feira, 30 de setembro de 2016

Já o fiz em pensamento

Solte os cabelos,
Que eu solto as feras;
Tire os óculos
E te despirei inteira.

Fabiano Favretto

Fim de show

E a sala aos poucos
Vai ficando vazia,
Até somente
O Jazz, todavia,
Preencher o ambiente.

Fabiano Favretto

Jazz

Um baixo sem trastes,
E um violão;
Não me maltrate.

Fabiano Favretto

Nem bituca

Sem dinheiro para ter,
Sem direito para ser.
Sem dinheiro para ser,
Sem direito para ter.

Fabiano Favretto

Sem ele o Jazz jaz

O baixo
É a alma
Do Jazz

Fabiano Favretto

Vezes

Tem vezes
Que nada sai,
E vezes
Que nada sei.

Fabiano Favretto

De abóbora

Meu coração
É
Doce de abóbora.

Fabiano Favretto



Apenas uma curiosidade

Qual a cor da calcinha?
Será vermelha,
Ou será de oncinha?

Fabiano Favretto

A dádiva

Sob a penumbra
Desta noite,
Não vi a cor dos seus olhos;
Qual sombra,
Quero que não evite
A dádiva de apreciá-los.

Fabiano Favretto

Falta de vocação

Queria tanto quebrar
Uns coraçõezinhos...

Fabiano Favretto

Pega-pra-capar

Eu com você estamos
Num pega-pra-capar
E do jeito que levamos
Não sei no que vai dar.

Fabiano Favretto

quinta-feira, 29 de setembro de 2016

Trago e tonto

Três tragos trazes

E três trovas tortas
Traço tonto e trago.


Fabiano Favretto

Trova triste

Cicatrizes surreais,
E uma caixa de dor.
Marcas não naturais
D'um peito em rancor.

Fabiano Favretto


tudo morre

Todo sentimento morre,
E todo sentimento seca.
Agora o que me ocorre,
É que perdi a cabeça.

Mas tudo morre,
E tudo acaba.
O que me ocorre,
Não tenho nada.

Fabiano Favretto

terça-feira, 27 de setembro de 2016

Era da casa da Nona

Há paredes que são pintadas,
Reconstruídas, redesenhadas.
Mas existem aquelas que são eternas
Em sua textura, desenho, cor, 
Suas características etéreas.

Fabiano Favretto

Situação crítica

Até o crime está organizado
E minha vida não.

Fabiano Favretto

segunda-feira, 26 de setembro de 2016

Fuso

É tarde para se dizer boa noite,
Ou noite para se dizer boa tarde?

Fabiano Favretto

sábado, 24 de setembro de 2016

Digitais

Tem mais poesia 
Em minha mão suja de tinta,
Do que nas linhas
Que escrevi.

Fabiano Favretto

Fatura

Toca o foda-se no cartão,
Depois fica com medo do talão.

Fabiano Favretto

DNS

Enquanto o wi-fi não pega,
Por que a gente não se pega?

Fabiano Favretto

Levando

O casal conversa,
O casal discute.
O casal desconversa
Esperando que algo mude.

Fabiano Favretto

Notas aromáticas

Qual o nome do perfume?
Sinto suas notas daqui...

Fabiano Favretto

Tinta vermelha

Tenho mais sangue na caneta,
Do que tinta nas veias.

Fabiano Favretto

Depois, se der

Penso,
Logo escrevo.
Depois, se der,
Existo.

Fabiano Favretto

Da esperança perdida

A esperança voou.
Pulei para pegá-la,
Mas peguei somente
Algumas penas.
E as cumpro até hoje!

Fabiano Favretto

Samba de primavera

Nesta tarde ensolarada,
Eu, o samba, e a primavera.
Antes fosse você!
Quem me dera, quem me dera...

Fabiano Favretto

Aos desavisados:

Se deu match,
Por favor,
Não se mete.

Fabiano Favretto

quinta-feira, 22 de setembro de 2016

São 23:47

Olho o relógio
São 21:00
Olho novamente
São 21:01
Tento escrever
Um verso
E paro
Para olhar
O relógio
Uma terceira vez.
São 23:46
Finalizo agora
Porque o amanhã
Está quase sendo,
E a manhã
Quase
Amanhecendo.
São 23:47

Fabiano Favretto

Talvez com cerveja resolva

Essa sede insaciável
Não há nada que faça passar.
Somente me restaria esperar
Se esta fosse controlável!
Ai de mim, um senhor desidratado
Ai de mim, sedento, pobre coitado.
As águas passaram
Mas a sede não passou.
Os lábios ressecaram,
E a garganta já falhou.
Essa sede que nem água cura,
Com o que será matada?
Essa sede é tanta, ainda perdura
Nessa vida desidratada.

Fabiano Favretto

Memória olfativa

Um abraço perfumado
É um pequeno instante
Para sempre guardado.

Fabiano Favretto

Vontade de saber não é pouca

Não esquecerei aqueles cabelos
Ruivos, num brasido ardente
Espalhando-se à brisa contente
Em um movimento franco e belo.

Não vi rosto, não vi boca,
Não vi sequer os olhos!
Seriam estes castanhos?
Vontade de saber não é pouca.

O corpo era belo,
Em curvas se traduzia.
Entre nós não havia elo

Mas eu tanto a queria!
Seu corpo tão belo,
Por ele eu morreria.

Fabiano Favretto

terça-feira, 20 de setembro de 2016

Buscando você, encontrei Saturno

Em minha busca, soturno
Encontro Saturno.
E o tempo achado
De bom grado,
Fez-se comparsa
Para que eu faça
Tudo para esquecer-te,
E para não mais querer-te.

Fabiano Favretto


Saturno - por Fabiano Favretto
Telescópio com 90x de aproximação.
20/09/2016




segunda-feira, 19 de setembro de 2016

Vício vinho

Lá da prateleira,
Ele olha, ele clama.
Lá está ele, ele chama
Sempre da mesma maneira.

Vício, maldito vinho,
Entre taças me perco.
Mas assim me acerco
De estar sempre sozinho.

Fabiano Favretto


E teve

Entre escombros fumegantes,
Levanta-se a mais singela flor
Rodeada de uivos, de dor
Em minima dignidade restante.

Tanto quanto é assim,
Bem como tudo foi-se afinal.
Senão, quem sabe não por mal
Tudo teve o seu fim.

Fabiano Favretto


Rumo ao horizonte

Mais uma do meu pai:

Caminhei rumo ao horizonte,
E não achei o fim,
Não encontrei a saída do labirinto
E não vi a luz no fim do túnel.
Qual será a saída?
O que fazer?
Creio que somente resta
Buscar novos caminhos.

Sergio Luiz Favretto