sexta-feira, 30 de dezembro de 2016

Canção para a amiga distante

Eu vejo em seus olhos a tristeza,
E em suas mãos as incertezas.
Seus gestos querem ser tangíveis 
Mas agora somos tão invisíveis.

Eu me pergunto se estou magoando,
Pois assim, estou me entregando.
Mas não sei se é simples entrega,
Ou dor que um dia chega.

Não sou um bom samaritano,
Nem serei nesse próximo ano.
Não te darei esperanças nessa estrada,
Pois a oferecer-te não tenho nada.

Eu vejo em meus olhos a tristeza.
Em minhas mãos falta delicadeza.
Meus gestos querem ser plausíveis,
Mas agora somos tão invisíveis.

Se um dia para ti eu faltar,
Poderás sem medo me amaldiçoar.
Estou fugindo sempre a mesmo
Nessa procura fútil de mim mesmo.

Se um dia para ti eu faltar,
E a saudade no meu peito pesar (e vai),
Não hesite em praticar abandono:
Coração poeta não deve ter dono.

Se um dia para ti eu faltar,
Peço somente para lembrar 
De quem fui no começo;
Estou longe, mas não esqueço.

Fabiano Favretto

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