domingo, 28 de maio de 2017

Faz sentido

Por que sofrer
Até faz sentido,
Porque estar vivo
Não é só viver.

Fabiano Favretto

quinta-feira, 25 de maio de 2017

Flor de pedra

És flor rochosa,
Pétrea roseira no campo.
De cristal é seu encanto,
E és também flor cheirosa.

Flor esculpida
E não germinada,
Foi no formão talhada
E não corrompida.

Porém és gelada
E na lisa superfície
Amalgamada,

Livre de toda imundície,
E assim tão amada
Não há quem não aprecie.

Fabiano Favretto

terça-feira, 23 de maio de 2017

Petrichor

Petrichor,
Era começo da chuva
E alucinação:
Tocava Belchior

Fabiano Favretto

domingo, 21 de maio de 2017

Todo grito é válido!

Faria muito mais sentido
Ouvir o que o povo pede!
Repensar os próprios atos,
A pressão a barreira cede.

Tentativas após tentativas
Eles buscam o poder.
Mas deles, as ações são destrutivas,
Estamos prestes a nos perder...
Resta a nós gritar, não podem nos vencer!


Fabiano Favretto

sábado, 20 de maio de 2017

É via

O fato é
Que o amor
É via de mão dupla.
Por que andas na contramão?

Fabiano Favretto

Devasto

O problema é este coração vasto:
Potencial morada para a dor.

Fabiano Favretto

Sempre não

Tens sido a causadora e o motivo
De minhas vãs esperanças,
Mas tenho somente lembranças
De ter um dia estado contigo.

Estou deveras cansado
De a você ter dado chances,
Pois até hoje nada me garantes
E eu estive tão preocupado.

Mesmo que eu sinta sua falta,
Não mereces a minha atenção!
Minha vontade de você era alta,

Mas você nem sequer fez menção
De um afeto (o meu se sobressalta):
O que tens me dito é sempre um "não".

Fabiano Favretto

terça-feira, 9 de maio de 2017

O escultor ou a escultura

Aquele que da pedra
Subtrai a massa
Em batidas e talhadas,
Nela forma engendra;

Qual mistério desta arte
Que antes pedra esquecida,
Torna-se agora apetecida
Por ter sentimento como parte?

Ante à milhares de milênios
Na rochosa formação lúdica,
Valoriza-se na pedra os veios

Que agora como túnica
Cobre a estética em anseios,
De forma pura e melódica.

Fabiano Favretto





domingo, 7 de maio de 2017

A chuva

Pouco mais que 8 da noite,
E o dia ressoa em meus ouvidos
Como pesadas trovoadas.
Há dor,
Ardor.
Amor? Isso não.
Apenas espero a fria chuva
A lavar
E levar
A elevar
As minhas penas.


Fabiano Favretto

Até quando?

Eu não estou bem.
Posso até parecer bem,
Mas não estou.
A pele em que habito
É apenas uma fachada
De um negócio
Que já faliu.
Antes o coração batia,
E os pulmões inflavam;
Hoje tudo funciona
Em modo automático.
Tenho automatizado
Meus meios de produção.
Não, não há
Mais criação.
Tudo é gerado automaticamente,
Pois todo o tesão se foi...
E a vida?
A vida deixou de ser.
A vida não é mais,
A vida se foi,
O corpo se move por baterias.
Exasperei demais
Pelos cantos,
Desesperei demais
Pelos meios.
A poesia se foi,
E não me disse se voltaria.
Sou apenas um recipiente
Cheio de engrenagens.
Verei até quando
Durarão as baterias.

Fabiano Favretto

Penso, logo deprimo

O ser humano
Deixou de ser feliz
No momento
Em que começou a pensar.

Fabiano Favretto

Eu sei

Qual o peso de minha importância?
Domingos são difíceis, já falei.
Qual o resultado de minha ausência?
Domingos são trágicos, eu sei.

Fabiano Favretto


Uma vida

Somando suas ausências
Tenho quase uma vida
Sem você.

Fabiano Favretto

É inexistente

As nuvens no horizonte
São roxas,
Mas no alto não há nuvem alguma;
Assim como em algum lugar
Há amor,
Em seu coração não há.
Nuvens voam,
E caem como chuva.
Meu amor voa
E cai como lágrimas.
E assim, as nuvens
São roxas no horizonte,
E o amor é inexistente
Em seu coração.

Fabiano Favretto

sábado, 6 de maio de 2017

Térreo


Pelo andar das coisas,
Eu diria estar no térreo.


Fabiano Favretto

Placebo

Sábado é dia
De ir ao sebo,
Tudo bem.
É bom, eu diria.
Efeito placebo,
Meu bem.

Fabiano Favretto

À dois

Um espresso sozinho,
Não supera
Um copo de água
À dois.

Fabiano Favretto

Segundo andar

No segundo andar 
Tem um sofá;
Poderíamos ir lá
E nos amar!

Fabiano Favretto

Surrealvida

Daqui
Ou Dalí,
Vejo a vida
Surreal.

Fabiano Favretto

Adrenalina

Senti  mais adrenalina
No final da xícara de café,
Do que na aterrissagem
Do avião.

Fabiano Favretto

Pontuais

Pontuais
São os intervalos
Das batidas
Do meu coração:
Hora bate por ti,
Hora não.

Fabiano Favretto

Cabelos ao vento

Três gerações
Atravessaram a rua;
Pelo histórico,
Mal sabe o jovem
Que ficará calvo.

Fabiano Favretto

Nova antiga narrativa

Dante se encontra
Com Virgílio
Na cafeteria.
Ele queria conhecer
Aquela garçonete bonita:
Beatrice.

Fabiano Favretto

Sobre preservar a arte (ou como não estragá-la)

Adoçar um 
Espresso
É o mesmo que
Sujar um quadro
De Davinci.


Fabiano Favretto

Pensaria na certa

Em cafeterias opostas,
Olhávamos a nós pela janela;
Eu até faria apostas
Que só pensaria nela.

Fabiano Favretto

Boca ausente

Só queria estar ausente
À esta ausência que me choca:
Ausência de tua boca
Que preciso completamente.

Fabiano Favretto

sexta-feira, 5 de maio de 2017

Ensina

Dizem que escrever
É sina,
Porém, digo eu,
Que escrever
Ensina.

Fabiano Favretto

Escombros e catacumbas

Escombros e catacumbas
São os resquícios que sobraram
Deste corpo que já foi cheio de alegria.
Da estrutura, poeira e penumbras
E sinais das pessoas que passaram
Ao comporem esta elegia.

Os ossos apenas sustentam
Algumas teias de aranha
Neste peito, verdadeiro túmulo.
Lápides, inscrições ostentam
E a garganta sempre arranha
Em tom baixo e trêmulo.

Vazio, imensidão e dor,
Se é que existe algo mais.
Sou um reduto sem paz,
Buscando amor.

Fabiano Favretto

quarta-feira, 3 de maio de 2017

Nenhum sequer

Ontem nenhum verso eu fiz
Só por ficar pensando
Quando você se dará a chance
De eu te fazer feliz.

Fabiano Favretto

segunda-feira, 1 de maio de 2017

Não há o porquê


Ora, por que ter medo do escuro?
Qualquer faísca é capaz de mudar
Tal paisagem.

Fabiano Favretto

quarta-feira, 19 de abril de 2017

Pela janela

Vou defenestrar nosso amor,
Afinal sou diferente de Rimbaud!
Desejo minha liberdade, e por favor,
Vê se o pássaro da gaiola escapou.

Fabiano Favretto

terça-feira, 18 de abril de 2017

Degrais

De graus centígrados
Degrais centrífugos
Degrau centímetro
De grau centípede
Dez graus centenários
Degrais sentidos.


Fabiano Favretto

Polenta

Tico tico no fubá
Quem é que aguenta?
Esquentou tanto
Que fubá virou polenta.

Fabiano Favretto

Degraus

Rolei escada
Abaixo
Parei no quinto
Degrau
E tive a sacada,
Um facho:
Parece que sinto
O final.

Fabiano Favretto


sexta-feira, 14 de abril de 2017

Obrigado obrigado

Obrigado obrigado
por quebrar meu coração
Mais uma vez
Se já estava remendado
Agora fica triturado
Só por não poder te esquecer.

As pedras que rolam lá do morro,
Meu amor,
Só servem pra aterrar
Minha paz e alegria, 
Assim eu morro,
Meu amor
Por não poder te esperar.

As chuvas de março já passaram,
Meu amor,
E levaram 
o meu querer...
Fez riacho no terreiro,
Pensa só que desespero,
Meu amor,
Por não saber como lidar!

Obrigado obrigado 
por quebrar meu coração
Mais uma vez
Se já estava remendado
Agora fica triturado
Só por não poder te esquecer.

O rádio lá de casa, é desafinado,
Meu amor,
E só toca música de tristeza;
Eu tento não pensar
Mas não mudo de estação,
Meu amor,
É inverno todo dia.

Não que eu não leve a vida,
Meu amor,
Mas sozinho é mais difícil
De seguir;
O coração reclama,
Meu amor,
Por sozinho ele bater.

Obrigado obrigado 
por quebrar meu coração
Mais uma vez
Se já estava remendado
Agora fica triturado
Só por não poder te esquecer.

Fabiano Favretto

Mimosa

Bergamota,
Tangerina
A casca escondendo
A doçura dos gomos.
Paladar cítrico,
A textura tropical
Ao passar a língua.
Mimosa.

Fabiano Favretto

Paixão

Sexta feira da paixão,
Jesus morreu.
E este coração
Doeu, doeu doeu.

Não é o mesmo motivo,
Nem a mesma paixão.
Agora tenho comigo:
Quebrei meu coração.

Fabiano Favretto

domingo, 9 de abril de 2017

quarta-feira, 29 de março de 2017

Melancolia Crônica

Vivo um dia em que
Até respirar fundo
Dói.

Fabiano Favretto

Teima

Hoje nenhum poema
Foi capaz de decifrar-me;
Tanto que precisei escrever-me
Para que eu mesmo me entenda.

Não que sejam poucas as palavras
Ou que os versos não rimem,
Mas como antes já não vivem
E minha língua nada mais lavra.

Fogo vivo, fogo fátuo
Mas meu peito não queima;
É feito de puro vácuo.

Mas ainda teima,
E escreve, de fato.
Então, onde amor reina?

Fabiano Favretto

Amor existes?

Hoje sou só o pó,
A nulidade da existência.
Sou o rastejo no tapete
Em busca de amor.

Amor, sob essas estrelas?
Amor nem a 1000 anos-luz,
Nem a 10 minutos,
Nem a 100 existências.

Amor, na xícara da existência
Tenho sido o chá, e tu os lábios.
Fui bebido por ti, mas de ti,
Minha sede nunca matei.

Sou o desiludido figurado
Transfigurado lamentavelmente
Nas letras destes versos.
Amor, existes?

Fabiano Favretto

terça-feira, 28 de março de 2017

Me desculpa

Puro desamor,
Por isso não avistamos
Nem sequer
Um disco voador.

Quem nos visitaria
Se matamos o mundo?
E bem lá no fundo
Quem sabe alguém pensaria

Que a vida é pouca
E as bocas muitas!
A ganância louca

Os visitantes espanta!
Senhor ET, me desculpa,
Aqui a vida se suplanta. 

Fabiano Favretto

sexta-feira, 17 de março de 2017

Imbecil

Elejo-me agora
O senhor dos patéticos!
Venerem-me!
Curvem-se sobre
A magnífica mediocridade.

Fabiano Favretto

Semente errada

Plantei a semente.
Ledo engano...
Agora colherei joio
Por toda a vida.

Fabiano Favretto

Mais um capítulo do livro de negativas

A metafísica estava na aranha microscópica
Que cruzou a minha mesa
Em busca de algo
Alheio ao mal de minha pérfida existência.

Fabiano Favretto

Nãos

Estou me transfigurando
No mais solitário dos seres,
E isso já vem de tempos
Por viver em universos
Contrários à estes onde ando;
Sou repleto de nãos marcados
Em minha própria pele
("Nãos", e não sou o autor destes).
Um não aqui, outro acolá,
"Nãos" eu tenho há tanto tempo,
Que já sou o senhor rejeitado
Da auto-rejeição.
Sim, Não! E negando-me,
E rejeitando-me, só hão de continuar
A descontruirem-me em mim,
E a transfigurarem-me em nada...
Nada além da auto-negativa
De existir.

Fabiano Favretto



Não mais me existo

Pareço ser feliz, estar bem assim... Mas o fato é que a onda bate sempre mais forte do lado de dentro, e a muralha está prestes a ceder...
Não, não derramem lágrimas pela minha ausência, afinal todo defunto vira bonzinho, mas assim talvez eu não o seja na vida.
Lamento, mas não sou bom, nem sou preciso, nem sou o mínimo do que é necessário para ser notado.
Medíocre em minha essência, medíocre em minha ausência. Eu vou, mas deixo meus livros, pincéis, uma viola e um violão.
Façam o que quiserem, mas quando a onda bater, saberão o que aconteceu. Eu não mais me existo.

Fabiano Favretto

quinta-feira, 16 de março de 2017

Te querer

E agora como posso proceder?
Falar contigo é uma tortura,
Porque o que eu sei agora
É que eu quero te querer...

Fabiano Favretto

Se importam

E o mundo é de ponta cabeça
E eu sou do avesso,
Pois meus sentimentos transbordam
E não há nada que eu esqueça
De dizer-te, sentir-me, querer-te;
E eu não é mais um outro,
Pelo fato de ter me entregado
Em suas mãos algumas vezes,
E tu derrubou somente meu coração.
Alguns trincados e amassados.
Talvez com tempo e zelo eu 
O conserte e possa
Vendê-lo em algum antiquário.
Ele tem marcas irreparáveis,
Mas há talvez quem goste...
Cada coração é de um jeito,
E o mundo gira,
E o avesso permanece
A aparecer sempre que se importam.
Não se importem.

Fabiano Favretto

Agora é fato

E agora como proceder?
Coração não tem manual,
Nem explicação natural
De como se possa entender...

Logo, escrevo para as cinzas
Que sobraram neste peito.
Letras, palavras de todo jeito,
Pobres e talvez ranzinzas.

Meu coração só bate porque ama,
E ama porque viciou nos olhos,
Nas mãos e nos seus cabelos.
É todo o tempo vivendo em drama

E na carência do tato,
Na falta do amor teu,
Na dor que apareceu
E no vazio que agora é fato.

Fabiano Favretto

domingo, 12 de março de 2017

Variant 1970

O que eu preciso, é dela.

Sim, dela!
Variant 1970!

Carro dahora, meu.

http://1.bp.blogspot.com/-jPvr6R7nbKE/UZj9GLHj24I/AAAAAAAABO4/-GUaZ3d6SfE/s1600/Wallpaper+Variant+1970.jpg

Bualcoolismo

Estou cansado de todo domingo
Acabar em vinho
E bucolismo.

Fabiano Favretto

Amor Elettronico

"time after time after time
never you use it to control by my side,
never you made and you tell me goodbye
you are my side, you are my soul
you never told"

Gigi D'agostino



Download

Meu amor virtual por ti
Tem sido recíproco?
Temos brincado tanto,
Que sempre me lembro de ti.

Mas nesse últimos tempos,
Nossas fotos não mais trocamos.
Por onde estamos andando,
Para viver nesse desalento?

Megabytes de saudades,
Desse corpo que tanto gosto.
Não tenho mais novidades,

Os downloads não mais faço.
Quais as probabilidades
De te enviar um abraço?

Fabiano Favretto

Terminar esse texto

Nenhuma
Vontade
De

Fabiano Favretto

Mechas

Me mostra suas mechas,
E mexa com meu coração.


Fabiano Favretto

sábado, 11 de março de 2017

Clemência

E você tem brincado,
Se divertido?
Tem feito amor?
Se nada tem feito,
Vê se faz comigo...
Por favor?!

Fabiano Favretto


Reflexo de mim

Sou um retrato falado
Em frente a um espelho.

Fabiano Favretto

300000 km/s

A saudade deve ser medida em
Que tipo de escala?
Graus Celcius, Quilômetros,
Litros, Milhas...
Ou talvez,
Anos-luz.


Fabiano Favretto

Batuque

Sei tocar violão,
Mas não sei cantar.
Meu peito é um cajon,
Meu coração à batucar.

Fabiano Favretto

sexta-feira, 10 de março de 2017

Insaciável

Tenho sede de arte,
De sexo, de música,
De poesia,
De liberdade, e
De viver.

Fabiano Favretto

Não que eu

Não que eu rime,
Jamais o faria.
Até seria sublime;
Eu conseguiria?

Não que eu escreva,
Nunca o consegui.
Umas palavras aqui,
Nenhuma que me descreva.

Não que eu pense,
Nunca tentei;
O que eu falei
Não me convence.

Fabiano Favretto

E quando

E quando triste estiver,
Não hesite em me chamar;
Pois eu posso te ajudar,
Farei tudo o que puder.

E quando as tardes não passarem,
Não hesite em me chamar;
Pois eu posso te abraçar,
Fazer seu peito e olhos se acalmarem.

E quando a incerteza estiver presente,
Não hesite em me chamar;
Pois eu posso te apoiar,
E farei de tudo para que o medo se ausente.

E quando sozinha se sentir,
Não hesite em me chamar;
Pois eu posso te amar,
E assim quero seguir.

Fabiano Favretto

sábado, 4 de março de 2017

Desabafo

Sou apenas poeira cósmica
Em meio à escuridão do vácuo;
E ninguém hoje aqui fica:
Some-se tudo em fogo fátuo.

Sou sozinho neste mundo:
Pois quem eu quero nunca me quis;
E como poderei então andar feliz
Se o coração se parte lá no fundo?

Hoje é apenas um desabafo,
Pois amanhã será igual...
Se o dia chegar ao final
Não começarei outro parágrafo.

Estou sozinho hoje e amanhã,
E o fio da navalha é tentador.
Como posso dissipar minha dor
Se a vontade de viver é vã?

Fabiano Favretto

sexta-feira, 3 de março de 2017

Obra-prima

Quantas artes terei que dominar
Para que eu possa te ganhar?
Literatura não é suficiente;
Música já se faz coisa comum;
A pintura perdeu sentido de repente:
Não há amor em tom algum.
Na métrica e na rima,
No cinema, no teatro;
Não há fé no que eu faço.
Não há aquele clima
Que te deixe neste enlaço:
Fazer amor, uma obra-prima
E assinar com nosso cansaço.

Fabiano Favretto

E era um tango no dia 3 de março

Quando a companhia
É só uma taça de vinho,
Não me admiro que sozinho
Eu certamente definha.


Entorpecendo brevemente,
Preciso de um trago há cada minuto.
Eu me sinto deveras diminuto
Se não, nada, somente.

Motivos para ficar,
Mais motivos para partir;
Motivos para amar

Mais motivos para sentir:
Motivos para acabar
Em mais motivos para se ferir.

Fabiano Favretto


Sentidos repetidos

E mais uma noite chega,
E mais um vazio surge.
Creio que sou quase inexistente
Creio que sou quase ausente
Em minha experiência de sentidos
Em minha dor nesses dias repetidos.

Fabiano Favretto

quarta-feira, 1 de março de 2017

Constante estado

Foram pouco mais de 24 horas
E já vivo um constante estado de saudosismo.

Fabiano Favretto



terça-feira, 28 de fevereiro de 2017

Se não, senão

Não posso fechar os olhos,
Senão vejo você.
Não posso respirar fundo
Senão vejo você.
Não posso parar,
Senão vejo você.
Não posso ouvir Caetano
Senão vejo você.
Não posso existir
Se não vejo você.

Fabiano Favretto

O amor e o caos

Quando estar sozinho
Desencadeia todo
O CAOS
Dentro de si,
É preciso estar junto
Com alguém
Que meça sua entropia,
E com isso,
Poder idealizar modos
De conter todo esse caos.

Fabiano Favretto

Monólogo do pato cego

- Não, eu não herdei a casa e nem qualquer bem;
Apenas, as penas que eram de meus pais
(E que até hoje as carrego).
Seria inoportuno dizer que tais coisas não me afligem,
Mas no entanto, estou a nadar de um lado a outro.
De um lago a outro, somente pelo olfato
É que me norteio para não quebrar a cara.
Me chamam de pato, trouxa,
Me chamam de cego, que não enxergo um palmo.
Um palmo em frente ao nariz (?)
Já expliquei para mim mesmo o motivo,
Milhares de vezes o motivo de tudo isso ter acontecido.
Há quem rume para o sul ao inverno,
Mas quem está no sul vai para onde?
Uma vida de bebedeira,
Farras, festas, drogas, bebidas.
Coleções de vícios, dos mais pesados
Aos mais insignificantes.
Tenho inveja de quem viveu assim
E não sente remorso.
Nunca vivi, e mesmo assim o sinto.
A casa foi doada à igreja.
O carro, leiloado e o dinheiro encaminhado
À um hospital famoso da região.
Todos pareciam cisnes em sua sórdida elegância
(Arrogância).
Eu,
Patinho feio, coitado sempre, vítima nunca,
Ousei errar, e errei com sucesso.
Não tenho um amor, não tenho uma vida.
Tenho entre meus dedos esta pele,
Que me faz continuar nadando.
Ao chegar a noite, eu paro e durmo.
No dia seguinte, continuo nadando.
O lago me conhece, e eu o conheço,
Logo, a relação entre tal conjuntura
Não é nada esclarecedora;
Só aprendi a levar as penas
E lavar as penas nesta água sem corrente.
Me falaram que eu sou cego
Por não querer bater as asas.
O que fazer se tenho medo de voar?

Fabiano Favretto

Lorem ipsum dolor sit amet

Você é o lorem ipsum
Das minhas lacunas
Ainda não escritas.

Fabiano Favretto

Pensamentos de outrem

Minha semana
Teve três domingos:
No primeiro domingo
Cortei os pulsos;
No segundo,
Cortei a garganta.
No terceiro,
Era terça-feira

E resolvi nada fazer...
Mas a noite chegou

E isso me preocupa.

Fabiano Favretto

Eterno aprendizado

A gente nunca aprende a amar completamente
Pois cada amor é deveras diferente.

Fabiano Favretto

A causa

Ou é o amor,
Ou é o álcool,
Ou é o chocolate,
Ou é a saudade,
Ou é a morte.

A morte um dia virá;
A saudade sempre aperta;
O chocolate acalma;
O álcool amortece;
O amor é sempre a causa.

Fabiano Favretto

Mão dupla

"Se fiquei esperando meu amor passar
Já me basta que estava então longe de sereno
E fiquei tanto tempo duvidando de mim
Por fazer amor fazer sentido
Começo a ficar livre
Espero, acho que sim
De olhos fechados não me vejo
E você sorriu pra mim"

- Se Fiquei Esperando Meu Amor Passar
-- Legião Urbana

https://goo.gl/YX4zvq

Pinturas eternas

Queria ser a luz do sol
A delinear seu rosto,
A brisa de outono
A tocar a sua pele.

Mas hoje o que sou:
Somente distância
E a vontade completa
De te abraçar.

Dias mágicos aparecem
E também vão embora.
Mas vi seus olhos olharem os meus,
E vi sorrisos surgirem.

Não esqueço de sua mão
Nem de seu abraço.
Como poderei viver
À mercê do espaço e tempo?

Dissestes que não gosta de sorrir,
Mas sua boca é pintura precisa
Nas telas perenes
De minhas profundas lembranças.

Fabiano Favretto

terça-feira, 21 de fevereiro de 2017

Sozinho sob as estrelas

Ao olhar o infinito,
Sinto-me como ser insignificante,
Pois o caminho para as estrelas
Não tem sido menos distante.

E se um foguete parte para longe,
Eu somente observo a trilha supersônica.
Não que eu haja de forma menos dinâmica,
Mas sim porque a saudade fundo punge.

Fabiano Favretto

Entre ruivos cabelos

Para Inaiá

Uma voz que me chama atenção,

É a luz que me guia no Éter.
Quero a todo momento ver
O que tu esconde no coração.

Sua meiguice me faz querer estar
Em sua presença nobre de forma constante.
Mesmo que seu abraço dure um instante,
Muitos outros abraços tentarei conquistar.

E a curva de sua boca,
E o desenho dos seus belos olhos.
Sua beleza que não é pouca,

Faz com que meus sinceros desejos,
Se realizem não de maneira pouca:
Perder-me entre seus ruivos cabelos.

Fabiano Favretto

Calma curva

Na calma curva da tua boca que sorri,
Encontrei um motivo que me comove:
Tudo o que nesta vida eu vivi,
Em direção a teus lábios me move.

Fabiano Favretto

domingo, 5 de fevereiro de 2017

Barulho no portão

Madrugada,
Os cães ladram
E mordem
Fantasmas
Noite adentro

Fabiano Favretto

Bazar

Eram roupas de primeira
E de segunda linha.
Vestidos com ombreiras,
Casacos e blusinhas.

Haviam cadeados sobre a mesa,
Um aparelho de fax não muito antigo;
Deveras eram diversos artigos,
Os melhores nas redondezas.

Mas o melhor artigo não era comprável,
Pois não teria um preço;
Seria impossível de ser calculável.

Um artigo tão espontâneo
E de qualidade incomparável:
Sorriso bonito e instantâneo.

Fabiano Favretto

Soltos

E os cabelos ruivos
Como um por-de-sol,
Deram total sentido
À essa minha pobre tarde.

Fabiano Favretto

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2017

Empoeirado

E no final
Todas tem o mesmo rosto,
Encarecidos de formas
Que ouso dizer necessárias.

Tudo se enevoa
Numa neblina tênue e crescente,
Qual entardecer rápido
De um dia chuvoso de outono.

O dia se esvai,
E leva junto a vontade,
O apreço e a vaidade,
Como hipoteca ao dom das letras.

E assim, empoderado,
Empoeirado na estante,
O retrato descolorido
Retrata a forma já esquecida.

Dá-se lugar ao ostracismo,
E fulgor às cicatrizes.
Não há forma o que era corte,
Não há mais dor o que era amor.

Fabiano Favretto

sábado, 28 de janeiro de 2017

choro

Tento engolir o choro,
Mas a garganta tranca-se;
Salivo pelos olhos,
Ah se o tempo passasse.

Fabiano Favretto

Coleção de nãos


Me diz que não,
E que não me quis;
O que eu fiz
Não te serviu não.

Enquanto eu puder sorrir
Vou procurar
Mas faz tanto tempo que parti
E estou a andar...

Mas hoje,
Em prantos e lamentos,
Repito os mesmos sonetos
Mas hoje,

Eis que em agonia
Ainda repito os tons;
As cores de teus batons
Moram em minha sinfonia.

Me diz que não,
Para que eu possa seguir.
Achar para onde ir,
Uma outra direção.

Me diz que não
Para que eu possa aguardar,
E mais essa negativa guardar
Em minha coleção.

Fabiano Favretto

Estou tão sozinho

Estou tão sozinho...
-"mas você é tão legal"
Estou tão sozinho...
-"mas você é tão inteligente"
Estou tão sozinho...
-"mas você é um rapaz direito"
Estou tão sozinho...
-"mas você é tão divertido"
Estou tão sozinho...
-"mas você é um gentleman"
Estou tão sozinho...
-"você reclama demais"
Estou tão sozinho...
-"você logo encontra alguém"
Estou tão sozinho...
-"cada panela tem sua tampa"
Estou tão sozinho...
-"aposto que está cheio de meninas atrás de ti"
Estou tão sozinho...
-"melhor estar solteiro"
Estou tão sozinho...
-"Elas não sabem o que estão perdendo"
Estou tão sozinho...

Fabiano Favretto

sexta-feira, 27 de janeiro de 2017

Mas não vai acabar Sozinho

Nossa, menina,
Hoje estou tao MPB...
Se acabar em caetano,
Você vai ver...
Desse jeito vou só sonhar
E nada irei escrever,
Porque sonhar enquanto se ouve,
É melhor do que escrever enquanto se enxerga.
Eu gostei,
E olha onde fui parar:
Numa aquarela,
Que agora
Descoloriu,
Mas a linda rosa
Recolorirá.


Fabiano Favretto

Haikai dela

Três linhas na rede,
Escreve a menina
Em seu espaço oculto.

Fabiano Favretto

Deslocado

Estou cada vez mais distante,
Cada vez mais deslocado,
Pois sinto que já fico de lado
Se eu não for desinteressante.

Mas para que haverei de provar
Algo aqueles que nunca vi,
Quem sabe eles o que vivi
Até poder àquele momento chegar?

Estou cansado de rasos lagos,
Onde navega-se somente na beira,
Na margem, num barco de ego.

Estou com tanta canseira
Que somente à solidão me apego:
Uma dor fria e verdadeira.

Fabiano Favretto

quarta-feira, 25 de janeiro de 2017

Ultimamente

A vida é engraçada
Pelas ausências que nos apresenta;
Uma palhaçada,
Pelas colunas que nos sustenta.

Mas ainda existem lacunas,
Verdadeiras anedotas,
Que como dores rotas,
Marcam feridas profundas.

Ando hoje estranhamente
A fomentar meu senso de humor,
Pois a minha carência de amor
Está grande ultimamente.

Fabiano Favretto

Anedota


- Os sinos da capela?
- Já não soam mais.
- As paredes de tijolos?
- Não tem mais olaria.
- As árvores proporcionando frescor?
- Suspenderam o vento.
- O sorriso na boca dos velhos?
- Já não há motivos para sorrir.
- O movimento nas pernas dos jovens?
- Todos reféns das telas.
- E a vida?
- É uma grande piada.


Fabiano Favretto

terça-feira, 24 de janeiro de 2017

Dança das armas

Ora dançamos sobre pés cansados
E caímos ao chão cheios de sangue,
Assim como andar entre rosas vermelhas
Em uma tarde morna de primavera.

Rodamos em nossos pecados mundanos
Ao som dos corpos que caem,
E estes sem saberem o sabor da terra
Fartam-se da ausência de vida.

Oh glória, àqueles que foram derrotados,
Os vermes clamam no subterrâneo
Sedentos de sangue novo,
Esperando a próxima dança das armas.

Fabiano Favretto

sábado, 21 de janeiro de 2017

Que danço contigo

Nunca fui bom,
Mas ouço um jazz
Triste e depressivo,
Que embala a valsa
Que danço contigo
Em meu inconsciente.

Fabiano Favretto

Nunca ditas

Um minuto de amor
É melhor que uma vida de solidão.
Queria sentir seu perfume,
Mas lembrei que tu não usava.
Seu cheiro ficou impregnado
Em meu abraço. (?!)

Abraço apertado foi meu remédio para noite,
E fez minha semana valer a pena.
Mas como dizer que era ela
Talvez a pequena
Causa de minha indecisa felicidade?

Quando dei um último abraço,
Nossas cabeças se aproximaram
Por um instante,
Mas os olhos talvez
Não se cruzaram.
Não me lembro.

Mas me lembro
Da exasperação e da fraqueza
Não sei se foi efeito do vinho,
Ou algo mais.

Vou colocar a culpa,
E vou dizer,
Que o Diabo está na ausência
Das palavras nunca ditas.

Fabiano Favretto

sexta-feira, 20 de janeiro de 2017

De voar

Tecnologia,
Quem diria
Se eu pudesse
Voltar 
No tempo.
Iria
Inventar
Uma máquina
Que pudesse
Guardar
Tudo o que fosse
Alento,
Para esse peito
Que só sabe
Reclamar:
De saudade,
De vontade,
De voar.

Fabiano Favretto

quinta-feira, 19 de janeiro de 2017

Ansiedade

Fruto do tempo vagaroso,
És o martírio dos desesperados,
Que com gestos, sons afobados
Caem em furor vertiginoso.

Qual mãe das mais graves úlceras,
É a causadora de toda minha insanidade;
Pois a cabeça, baú da calamidade
Transforma-se na mais inútil das víceras.

Do amor tem-se feito dura inimiga,
E os corações, afligido aos montes.
Mas quem vence todas as brigas,

E ao final corre e pula das pontes?
Quem entoará as velhas cantigas
Esperando a resposta da fonte?

Fabiano Favretto

quarta-feira, 18 de janeiro de 2017

terça-feira, 17 de janeiro de 2017

Peão, Bispo ou Rei?

Plantei na cabeça
A semente da dúvida.
Não espero que nasça
Qualquer certeza.

Fruto de dúvidas,
Já tenho aos montes.
Do discernimento a dívida:
A incerteza é a fonte.

Fabiano Favretto

segunda-feira, 16 de janeiro de 2017

Alcova

Medindo a cova
Para quando sobrar
Um pouco de tempo,
Eu possa retirar
O coração do peito,
Miserável alcova.

Fabiano Favretto

quinta-feira, 12 de janeiro de 2017

Um tanto escasso

Ando um tanto escasso,
Deste meu tempo
Sem algum alento
Em todo meu espaço.

Ando por andar,
E ao andar tenho ouvido
Que esse coração vivido
Não para de retumbar.

Os trovões que quebram
Em meu peito carregado,
São os mesmos - agrado
Lamentam, me desesperam.

Há a máquina dos mortais
Que se alinha sobre nossos sapatos;
Gira o mundo, criam-se ratos
Verdadeiras legiões fatais.

E no subsolo da vida,
Este porão repleto de incertezas,
Armazeno as minhas tristezas
E dor reprimida.

Ando um tanto escasso,
Deste meu tempo,
Sem algum alento
Em todo meu espaço,

E na despensa das eras,
Não tenho nada mais
Do que me compraz:
Solidão. Deveras.

Fabiano Favretto



quarta-feira, 4 de janeiro de 2017

Etimologia

Eu sou a etimologia das palavras 
Ainda não inventadas.

Fabiano Favretto

Tears

O mar é a soma das lágrimas
Que ainda não foram choradas.

Fabiano Favretto

Uns dizem que é destino

Quantos milhões de anos
Se passaram
Para formar-se o mar,
E por fim a praia,
Para que assim a areia
Fosse gentilmente pisada
Pelos seus pés suaves?

Fabiano Favretto

Da observação

Tive tantas mulheres,
E nenhuma delas
Sequer foi minha.

Fabiano Favretto

domingo, 1 de janeiro de 2017

Gerador duplo

Seus lábios polivalentes,
Carregados dos átomos mais severos,
Dos quais, os elétrons latentes
Penetraram sob minha pele - vários!

E eis aquela física do atrito,
Com cargas magnéticas de nosso tesão;
Em nossos movimentos imito
Uma nova quebra nuclear - fissão!

Com cargas elétricas opostas,
Permanecemos a nos atrair,
Para que as nossas resistências

Continuem o seu papel cumprir,
E assim nos incandesça
Para toda energia à nós consumir.


Fabiano Favretto

Formosidade irreverente

Você é folha seca em tarde de outono,
Carregada pela última brisa quente:
Texturiza toda forma alheia ao abandono
Da beleza - formosidade irreverente.

Fabiano Favretto

Será que ela já sabe?

Eu trocaria todas as conquistas
Que terei neste ano que chegou,
Por um ano com beijos e risadas
Contigo que me conquistou.

Fabiano Favretto

Todo ano é assim

Começo este ano
Criando expectativas;
Grandes expectativas
Que já sei onde acabarão.

Fabiano Favretto