sexta-feira, 10 de novembro de 2017

Movimentos do ritual para o nada

I - Do acordar:

Acordo e vejo a parede branca.
Acordo mas dormindo não estava,
Pois sono nos sonhos me levava,
E nestes não há verdade franca.

Meus pés tocam o chão frio,
Mas não encontro terra firme.
Não há nada que me afirme
Que ainda não saí do trilho.

Minhas mão percorrem o cabelo
Em busca dos primeiros pensamentos;
Encontro em mim alguns lamentos:
Nada do que vejo tem sido belo.

Permaneço sentado sem ação
Torcendo para que o acaso surpreenda;
Há apenas uma mosca na janela,
Nenhuma outra distração.

II - Da caminhada ao banheiro:

Enrijeço todos os músculos do corpo,
E em movimento metódico
Lento, porém períodico
Levanto com máximo esforço.

Tudo fica escuro por alguns segundos,
E perco a noção do espaço,
Pareço não encontrar o pedaço
Que está faltando em meu mundo.

Arrisco o primeiro passo,
É doloroso assumir mais um dia.
Outro passo, e a dor voltaria
Junto com meu velho cansaço.

Passo a passo chego ao banheiro,
Mas carrego todo o peso da vida;
Quão pesada é essa pequena ida
Para ver meus olhos marinheiros.

III - Da métrica da pasta de dentes:

Sabor de menta artificial,
O mistério das duplas cores contínuas;
Verde, simétricas as quatro linhas
Convergem sempre ao final.

Que segredo escondem os tubos,
Onde pastas de dente são guardadas,
Refrescantes, talvez amargas - resignadas
Fazem no dia o primeiro roubo.

Não tenho forças para apertar
E a pasta de dente chega ao final...
Essa derrota ainda me persegue afinal
Ao dormir e ao despertar.

Coloco toda minha pouca força
Entre meus dedos afinal,
E num movimento fatal
Nada faço mesmo que retorça.

IV - Da troca de pele necessária:

Desnudo e com frio,
Retiro os trapos de dormir.
Com a temperatura a cair
Eu não mais rio.

Visto a pele necessária,
Vã representação de "ordem",
Ordem essa que outrem
Julga ser não temporária.

Me vejo no espelho sujo,
Vestido daquilo que não sou.
Vestido para onde vou,
Representando ser dito e cujo.

A pele trocada fica em casa,
Mas à tarde volto para buscá-la.
Temo um dia não encontrá-la
E viver alheio sob esta casca.

V - Da morte diária:

Tudo simétrico e acertado,
Estou pronto para mais uma morte.
E a despeito da própria sorte,
Meu destino tenho encarado.

Mais um passo à frente,
O ar frio encontra meus pulmões,
Espasmos, gemidos, leões
Não seria uma manhã diferente.

Todo metro a mais andado,
Mais sinos tocam tristes
Não percebe? Não ouvistes?
É um triste e doce chamado.

Estradas de concreto onde vais
Além das curvas habituais,
Leva-me além destas quais
Me façam esquecer de meus ais.

Fabiano Favretto


domingo, 5 de novembro de 2017

Das fotografias esquecidas

Do retrato
De minha vida
Sobrou somente
Uma moldura.

Fabiano Favretto

Sinto muito

- Não estou bem.
- Então você sente?
- Não sinto nada.
- Desde quando?
- Olha, sinto muito.

Fabiano Favretto

Resíduo

Acordes menores
Demonstram o começo
De uma semana cujo desfecho
Terá dos maus os piores:

A ausência da vida diária
Que em suma é sofrível,
E tal ocasião jamais preterível
Será aceita de forma ordinária.

Não que eu tenha me acomodado,
Mas agora as dores já me fazem parte
E ainda tem me incomodado;

A forma como procuro arte,
Ou os gestos quando tenho andado
Mostram que o meu eu é descarte.

Fabiano Favretto

E quem tem conseguido?

Estou ficando louco
Com essa falta de sorte

E assim tampouco,
Não tenho evitado a morte.

E quem tem conseguido?

Fabiano Favretto

Mais um domingo

O que um domingo tem para oferecer
Além de uma cama vazia e gelada?
O que um domingo tem para oferecer
Além de uma tarde fria e nublada?
O que um domingo tem para oferecer
Senão o tempo rápido como escárnio?
O que um domingo tem para oferecer
Senão uma dose de infortúnios?
O que um domingo tem a oferecer
Além da solidão puramente ácida?
O que um domingo tem a oferecer
Além da desesperança nunca plácida?
O que um domingo tem a oferecer
Senão essa taça de amargura?
O que um domingo tem a oferecer
Senão essa realidade sórdida e dura?

Fabiano Favretto

sexta-feira, 3 de novembro de 2017

Ondas

Aqueles cabelos negros,
Cabelos negros e cacheados
Que lindos por inteiro,
Me deixam encantado.

Cabelos onde gostaria
De me perder noite e dia
Nas voltas que eu voltaria
E voltar porque queria.

Cabelos belos e perfumados,
Neles me encontraria feliz,
Pois estou assim tão admirado

Que não há palavra que me diz
O quanto deve ser deslumbrado
Tal momento que eu tanto quis!

Fabiano Favretto

segunda-feira, 30 de outubro de 2017

Time out

O dia hoje
Nada mais me tem a oferecer
Além das possibilidades
De subtração de felicidades.

Fabiano Favretto

Bolso furado

Sou o melhor
Em perder pessoas
Pelo caminho:
Esses tempos
Eu mesmo
Me perdi
Sozinho.

Fabiano Favretto

Nada vida

Sobre vida
Sobrevivida,
Sobrevida.
Nada antes,
Nada sobre 
A vida.
Vida? (Ida)
(Sobre)Vivida
Antes que não
Sobre nada.

Fabiano Favretto



06:40

O celular desperta
E me sento na cama.
"Meu Deus" eu penso.
Meu Deus! Exclamo.
E ali fico
De mente vazia
Tentando encontrar
Qualquer resquício
De sanidade que
Possa ter restado.

Fabiano Favretto

domingo, 29 de outubro de 2017

Que horas são?

Existem tempos
Em que a vida se arrasta,
E tudo é muito simples;
A metodologia do viver
Torna-se automática
E a vida tão previsível
Como um relógio.

Fabiano Favretto

Tédio

Fazer amor
Para perder o tédio:
Porque o vazio é dor
E o prazer remédio.

Fabiano Favretto

quinta-feira, 26 de outubro de 2017

Todo dia um murro em ponta de faca

Furastes os olhos para não ver - O amor é cego.
Tampastes os ouvidos para não ouvir - As paredes tem ouvidos.
Endurecestes o coração para não amar - Água mole em pedra dura...

Fabiano Favretto

Fuligem

O que fazer com essa vida
Se viver não é o melhor que faço,
E as ações não justificam os meios
E as dores são iguais ao meu cansaço?

"Deixa pra lá" é o que me dizem,
Mas deixar as dores é afogar-me
Na inexistência e fuligem.

Fabiano Favretto

Vida LP

Lado A da vida acabando,
Se virar o disco
Vai ficar acabar escutando
Somente chuvisco.

Fabiano Favretto

Faz tempo

Não sei mais ser feliz.
Felicidade é coisa
Que a gente perde com o tempo,
É daquelas coisas que a gente
Tem quando criança.

Fabiano Favretto

domingo, 22 de outubro de 2017

Re Corrente

Corrente de ar,
Corrente de ferro,
Corrente marítima;
Corrente a matéria,
Recorrente o elo:
Acorrentar.

Fabiano Favretto

Não me diga

Não me diga que a vida é um mar de rosas.
Não me diga que domingo é um bom dia.
Não me diga coisas além das velhas histórias,
Não me diga nada além do que eu vivia.

Não me diga que está tudo bem,
Não me diga respostas formuladas.
Não me diga o que me convém:
Não me diga porque não me diz nada.

Fabiano Favretto

Morrer antes do fantástico

Eu tento, eu juro que tento.
Mas é inevitável, é infelizmente inevitável.
Domingos são eternos somente até as 16 horas.
Depois, eu juro que tento.
Mas é inevitável, é infelizmente inevitável.

Fabiano Favretto

Você é a minha quase

Você é quase memória
Que quase resolvi guardar.
Mas quase também, agora
Quase lembrei de deslembrar.

Você é quase motivo
Que quase resolvi usar
Como quase causa, e vivo
Para hoje quase me lamentar.

Fabiano Favretto

quarta-feira, 18 de outubro de 2017

Perdas

Ao acordar, todos os sentidos
Faziam-se plenos.
Tomou café amargo:
Perdeu o paladar.
Pegou ônibus lotado
Indo ao trabalho,
E assim perdeu o horário.
No trabalho,
A labuta intensa
Fez ele perder a força.
Perdeu o ânimo
Quando recebeu críticas ruins
Pelos seus colegas,
Sem merecê-las!
Perdeu a visão por olhar
Somente para uma tela de computador.
Perdeu a audição quando
O maquinário fez-se a única
Música disponível e necessária.
Perdeu o tato
Por suas mão tocarem objetos intangíveis.
Perdeu o olfato
Pois o cheiro de tinta e resina
Eram o único aroma presente.
Perdeu o ímpeto de resposta
À qualquer estímulo externo.
Chegou em casa, com seus pés cansados
E mãos trêmulas de abstinência de realidade.
Perdera também a fome.
Ligou a TV, e em meio às notícias despejadas,
Perdeu o último lampejo que tinha de esperança.
Perdeu a sanidade, e por fim,
Perdeu em um dia, mais uma vez
A própria vida.

Fabiano Favretto



quinta-feira, 12 de outubro de 2017

Ser

Fui ser resignado;
Fui ser feliz;
Fui ser participativo;
Fui ser de expectativas;
Fui um ser de uma incólume
Irrelevância existencial.

Fabiano Favretto

Crônica curta do afoito

BANG BANG!

- Era corajoso, mas quem atirou,
está vivo por aí.

Fabiano Favretto

Nada

Buscastes nos céus
O sentido da vida,
Nos mares a razão
Da sua existência,
E em terra firme
Motivos para caminhar:
Nada encontrastes.

Fabiano Favretto

Limites

É feriado, ficaste sozinho
E teu peso é tão denso
Quanto o seu próprio desespero.
Teus amigos chamaram,
Mas hoje não foste forte.
Amanhã também não o será.
Preparou seu telescópio,
Mas a Lua a ti negou o brilho.
As estrelas desapareceram
Nas entranhas da noite nublada.
Está só no universo,
E tal mistério não vai além
Dos limites do próprio
Coração.

Fabiano Favretto

quarta-feira, 11 de outubro de 2017

Obrigado

Obrigado por me matar
Uma vez mais,
Antes que eu criasse,
Ou simplesmente tentasse
Criar aquela tenaz
Força para te amar.

Fabiano Favretto

Romantismo contra a corrente

O mundo não suporta mais os românticos
Pelo que representam e pelo que são;
Por não fazerem mais sentido
Nesse tempo e nesse espaço em questão.

Fabiano Favretto

sexta-feira, 6 de outubro de 2017

segunda-feira, 25 de setembro de 2017

Não mais

Estou só
E isso já é fato;
É verão no inverno,
É frio no inferno,
E no último ato
Eu não tenho mais dó.

Fabiano Favretto

Vida miséria

Estou perdido,
Os amigos são poucos,
Mas os fantasmas,
Vários.
Na agitada rotina,
Findamos os dias,

Loucos e sem alegria:
Vida miséria.


Fabiano Favretto

Marés

Casa cheia
Mente vazia
Lua cheia
Noite vazia
Taça cheia
Vida vazia

Fabiano Favretto

Busca

Em busca de mim,
Em busca de liberdade;
Em luta contra o fim
Em luta pela verdade.

Em tempo de retrocesso,
Em tempo de desigualdade:
Em busca de sucesso,
Em busca de realidade.

Fabiano Favretto

quinta-feira, 21 de setembro de 2017

Feira

Sábado é dia de feira.
Entre laranjas ácidas,
Melões maduros
E peixes que já perderam
O brilho dos olhos,
Encontro talvez
Uma marca
Ou resquício
Do que já chamei de vida.

Fabiano Favretto

terça-feira, 19 de setembro de 2017

Você é o gatilho

Mudo facilmente
Meu estado psicológico
De satisfação,
Para abertamente
Um nível patológico
De auto-destruição.

Fabiano Favretto

Por isso tenho azia

POESIA É PARA QUEM
TEM ESTÔMAGO,
E NÃO CORAÇÃO!

Fabiano Favretto

segunda-feira, 18 de setembro de 2017

E daí?

E daí se eu corro?
E daí se sofro?
Não pedirei
So-cor-ro,
Não perderei
O fôlego.
E daí se eu morro?

Fabiano Favretto

domingo, 17 de setembro de 2017

Tango de Setembro

A minha vida
É um tango
Que na chuva danço
Com a desesperança.

Fabiano Favretto

Para um domingo ferrado e um coração esquecido.



"El día que me quieras
la rosa que engalana,
se vestirá de fiesta
con su mejor color.
Y al viento las campanas
dirán que ya eres mía,
y locas las fontanas
se contarán su amor"


segunda-feira, 11 de setembro de 2017

Poema tedioso

Tédio é o que tenho,
E mais do que teria.
Mas eu não queria
Que fosse tão sério...

Tédio que mata
A vontade de amar,
Mas não de se matar
Por quem se ama.

Tédio morno
Tédio meio.
Tédio tão parelho
Tédio transtorno.

Tédio tédio
Tão metade
Tão médio
Tão tédio.

Fabiano Favretto

sábado, 9 de setembro de 2017

Causos capilares

Mentiras cabeludas
E calvícies verdadeiras.

Fabiano Favretto

sss

Stress
Strauss
Strass

Fabiano Favretto

De flores

Coroada de flores,
Ofélia foi
A paisagem mais bonita
De todos os meus sábados.

Fabiano Favretto

Brasa viva

Cabelos cor de fogo
E lábios como lava,
De um vulcão em brasa
Onde sempre eu me jogo.

Mas tão quanto quente,
É demasiado inacessível:
Não por processo crível
Ou por ato inconsequente.

Queria alcançar tal boca,
Queria sentir o calor dos lábios;
A vontade de queimar não é pouca

E os motivos são vários
Para amarmo-nos (de forma louca?)
Afim de em cinzas acabarmos.

Fabiano Favretto

segunda-feira, 4 de setembro de 2017

Talvez

Tenso,
Tensão,
Tesão.
Penso,
Peso,
Peço?
Não!

Talvez...

Fabiano Favretto



Todos adormecidos

Quando acordaremos
De nosso sono?
Quando descobriremos
Que não vivemos
Nossos sonhos?
Quando saberemos
Quem realmente somos?
Quando esqueceremos
Que nós nunca fomos?

Fabiano Favretto

domingo, 27 de agosto de 2017

Não sei o que significa, mas achei bonito

Sou a eternização
Do subverso
Auto-inconsciente.

Fabiano Favretto

E o que não é?

Pode dizer que sou uma farsa!
Até eu já percebi que isso é real.

Fabiano Favretto

Campo largo, 27-08-17

Só uma luz acesa
Ao lado da biblioteca
Representando precisamente
O gosto do povo
Pela leitura.

Fabiano Favretto

Não sei

Tens veneno
Mas não é serpente;
Tens cheiro bom,
Mas não é perfume;
Tem belas cores
Mas não é flor.
Como chamar tua boca
Se dela não sei o sabor?

Fabiano Favretto

De ausências

Eu não estou apaixonado;
Apenas gosto de você.
Foram erradas
Aquelas palavras:
Só agora posso perceber.
Quis seu corpo:
Me foi negado.
Quis seu beijo:
Nova negativa.
Quis sua presença:
Nem isso pude ter.
Até quando tu será feita
De AUSÊNCIAS?

Fabiano Favretto

Suicídio acidental

Domingos me matam
Igual a todas as mulheres:
Começam bem, e ao final do dia,
Me obrigam a cometer
Suicídio acidental.
Nenhum domingo é diferente,
Mas tenho morrido pouco
Da segunda causa.

Fabiano Favretto

da Piedade

Observador crítico
Fatídico
Em busca de vítimas.
A sanguinolência
Na ponta da caneta,
Mas nada acontece
Na cidade da Piedade
(hoje nada escrevi).
A minha ferramenta
Literária
De destruição
Permanece incólume.

Fabiano Favretto

Ou quase isso

É noite de domingo
Ou quase isso.
Sinto um sofrimento crescente.
Ou quase isso.

Fabiano Favretto

Finalidades

Flores de plástico
Tem a mesma finalidade
Que o café solúvel.

Fabiano Favretto

Por saber

Uma terceira vida
Que não participei,
Pois assim sei
Que não me foi permitida.

Talvez seja melhor
Este desvio de caminho
Onde escolhi andar sozinho
Por saber o que é o amor.

Fabiano Favretto

sábado, 26 de agosto de 2017

Caótico

Qual a minha redenção
Neste mundo caótico e sombrio,
Onde não vejo mais brilho
E sequer vejo coração?

Fabiano Favretto


Projeto

Projeto de vida,
Do que significarei;
Por onde andarei
E quando a partida...

Por que planejar
Se o amanhã é incerto?
São tantos excertos
Para se considerar.

Se tenho planejado,
Não me percebi;
Estou tão cansado

Que a vida não vi
Talvez ter acabado
E assim sobrevivi.

Fabiano Favretto

sexta-feira, 25 de agosto de 2017

Resposta

Piá fazendo arte,
Desceu o barranco
De seu barraco
Para um barraco
Em arcádia
Sem reboco.

Fabiano Favretto

são

Efêmero
Presente.
Distante
Enfermo.
Vão
Obscuro,
Futuro
São.

Fabiano Favretto

quinta-feira, 24 de agosto de 2017

Sobretudo compridos e ruivos.

Cabelos compridos,
Cabelos ruivos;
Sobretudo compridos.
Sobretudo compridos e ruivos.
Que perdição,
Que sol poente.
Que estrada quente,
Que desolação.

Olhando do cais
À meia noite
A lua sumindo
Entre meio
Cabelos compridos,
Cabelos ruivos;
Sobretudo compridos.
Sobretudo compridos e ruivos.

Fabiano Favretto

quarta-feira, 23 de agosto de 2017

Show da ruiva

Vou resistir por você,
Porque somente te assistir
não me basta mais,
Já que te quero mais
E mais à ti estou querendo ir
Como posso ter você?

Fabiano Favretto

Palpite de nada com coisa alguma

Estou com palpite
De coração.
E de tal palpitação,
Antes que eu grite,
Penso que não
Tenho condição
Que evite
Tal situação.
Na busca do não
Tão intermitente
Fica o palpite e a ação
Tão tão tão
Inconsequente.

Fabiano Favretto

sábado, 19 de agosto de 2017

Dos rápidos amores impossíveis

A moça de rosa
Nesse sábado chuvoso:
Maravilhosa,
Mas de tom rigoroso.

Eu nesta cafeteria
E ela do outro lado da rua;
Ah como eu adoraria
Beijar a boca tua.

Fabiano Favretto

O bicicleteiro

O bicicleteiro na chuva;
Molhado na chuva.
O bicicleteiro na chuva molhado
Pedalando na chuva,
Olhos quase cerrados.
O bicicleteiro na chuva
De cabeça inclinida
De cabelos molhados.
O bicicleteiro na chuva
De pés molhados
De água de chuva.

Fabiano Favretto

domingo, 13 de agosto de 2017

Dualidades rimantes

A Felicidade
É uma qualidade
Impossível.
A Tristeza
É uma qualidade
Inevitável.
Ambos
 Os acontecimentos
Rimam.

Fabiano Favretto

Obituário habitual

Morro
Pelo menos
Uma vez
Por dia.

Fabiano Favretto

Regras

Mas afinal,
O que é poesia?
Seria um tal
Nível de entropia,
Que em cada momento
Revoluciona e vicia
Nos dando alento?
Ou seria a quebra
De tudo que se sabe
De regras
Quando o coração se abre?

Fabiano Favretto

Saudade

Tão lenta
E tão violenta.
Tão devagar
E tão de matar.
Saudade.

Fabiano Favretto

Quase nada

Estou me sentindo
Tão pouco,
Quase inexistência.

Fabiano Favretto

Estapafúrdio

Hoje acordei
Tão absurdo e
Irrelevante;
Mais do que fui,
Menos do que
Eu me tornei.

Fabiano Favretto

sexta-feira, 11 de agosto de 2017

Behavior

Não penso
Não imagino;
Não venço,
Meu amigo.
Não vivo,
Não durmo:
Me esquivo
E consumo.

Fabiano Favretto

terça-feira, 8 de agosto de 2017

Não te desanimes!

Não te desanimes!
Ainda existem bocas que beijam 
E mãos que acariciam; 
Não te desanimes! 
A vida é longa como o mar onde velejam 
Os pensamentos que jamais cansam. 
Não te desanimes! 
O destino não é um tapete onde traçamos 
As nossas vitórias ou desenganos. 
Não te desanimes ! 
A vitória virá se continuarmos tentando, 
Embora nem sempre ganhamos. 
Fabiano Favretto

Por antecipação

Sessenta minutos de paz
Não seria menos que uma ilusão
Porque sabemos que o tempo se faz
Um sofrimento por antecipação;

Mesmo que o momento não seja este,
E que momento ruim esteja por vir
Como farei para não me induzir
A esquecer o tempo, se este me viesse?

Fabiano Favretto

segunda-feira, 31 de julho de 2017

Não vou!

Não, não vou me curvar
Meus joelhos já não dobram mais.
Não, não vou me curvar
Porque a liberdade não deve ser utopia.
Há quem diga que devemos ser felizes
Com o que temos,
Mas a felicidade não está no consentimento,
Mas sim na idéia de que novos objetivos
Surgem a cada instante.
Não, não vou me curvar
E aceitar que poucos têm o poder.
Não, não vou me curvar
Perante qualquer tipo de "liderança"
Fútil e ameaçadora.
Não, não vou me curvar,
Porque a felicidade não me permite
Se curvar perante o mundo.
Não, não vou me curvar
Perante chefes ou supervisores.
Não, não vou me curvar perante
Qualquer tipo de admoestador.
Não, não vou me curvar
Não vou!
Não vou!

Fabiano Favretto

27

Para o amigo Leandro.

Possuía longos cabelos,
E uma grande sede por liberdade.
Entendia de motores e carros,
Da essência da velocidade.

Mas fez 27, e correu
Correu como o vento voa
E voou como o som se entoa:
Assim ele transcendeu.

Não mais corre, e agora,
Nem Raul toca em seu Rádio.
Meu amigo foi-se embora

Deixastes saudades, e nesse estado
Haveria de estar ouvindo agora
No céu um bom rock ritmado.

Fabiano Favretto

domingo, 23 de julho de 2017

Bendito Whisky

O frio estremece,
O jazz aquece.
O amor aparece;
E o whisky, amortece.

Fabiano Favretto

Canto de desabafo

Meu canto de desabafo
Não é um canto qualquer,
Pois se sozinho estiver,
Não estarei estupefato.

Esse meu canto
Não é aqui, nem lá
Não é em si, nem acolá;
Nem sequer dá dó.

Esse canto eu canto
E assim é,
É assim sem pranto,

Sem desencanto,
Sem fé
Sem próprio canto.

Fabiano Favretto

Dó a Dó

As notas estão
Todas soltas
No braço do violão;
Basta querer encontrá-las...
Ou não!

Fabiano Favretto

Corrói

Quando o vinho bate
Em conjunto com a vida,
Apanho, é um embate
De tanta dor sofrida.

E o Blues que me move,
Mas não menos me dói,
Pois este cão se comove
E minh'alma se corrói.

Fabiano Favreto

Glicose

Famigerada
Glicose,
Oh meu Deus,
De doce terei
Doce overdose.

Fabiano Favretto

domingo, 16 de julho de 2017

Paradoxos Culinários

Se eu cozinho
Quando estou só,
É porque de alguma maneira
Eu te encontro.

Frito, empano, asso,
Degusto.
Sozinho.

Se eu te encontro,
Eu não mais cozinho.
Seu tempero é suficiente,
E sua boca me devora.

Se eu cozinho,
Quando estou só
Sempre erro nas porções:
Não cozinho para mim somente;
Cozinho dois corações.

Fabiano Favretto

fAzia

Azia
Faz parte;
Mas antes,
Eu fazia
Arte.

Fabiano Favretto

Pele

A luz do sol
Adentrava pela janela
E pela cortina
Fazia desenho de rendas
Na tua branca pele;

A luz do sol
Te iluminava, e você bela,
Dama fina,
De beleza, uma oferenda
À flor da pele;

À luz do sol
Você como uma vela,
Não mais uma menina;
Vai, antes que me prenda
E o meu coração sele.

Fabiano Favretto

Eu, domingo

Domingo
Sendo
Domingo
Sobrevivendo ao
Domingo
Sofrendo
N'um domingo
E morrendo
Domingo.

Fabiano Favretto

terça-feira, 11 de julho de 2017

Para uma boca vermelha

I

Seguia a minha estrada,
Era noite e a Lua subia.
A tarde que era finada,

Dela nenhum resquício havia;
Começava o sereno a cair
E a dor, meu peito consumia.

A Lua continuava a subir
E a cor nunca foi tão amarela;
Lembrava que decidira fugir

Mas o coração não foge dela
A fim de se acabar aos poucos
Como assim acaba fina vela.

Eram dias deveras tão loucos!
Mas breves assim permaneciam
Como permanece meu peito: rouco.

II

As dores ainda me consumiam
E as penas eram as mesmas, então;
Eram as solidões que cresciam

E ocupavam todo meu coração.
Dei trégua à minha caminhada
Que fiz feroz até então:

Em silêncio na beira da estrada,
Respirei fundo e acendi um cigarro.
Não vi movimento, não havia nada

Além de na garganta o pigarro.
A Lua mais alta agora
Iluminou o chão de modo bizarro:

Sabe-se era noite, e a essa hora
Não deveria a rua estar iluminada
Pensei comigo: vou-me embora!

III

Retomei o ritmo da caminhada,
Temendo olhar por onde andei,
Com medo do que havia na estrada.

No entanto a Lua - me espantei
Parecia agora tão imóvel!
Como ela, assim paralisei:

Vinha vindo um automóvel,
Alta velocidade em minha direção,
O carro pilotado, ignóbil

Atingiu-me de raspão.
Um momento rápido anterior
Foi a minha salvação:

Um reflexo, movido pelo horror
Fez meu corpo um pouco se mover;
Mesmo assim fui atingido de dor.

IV

Pensei que iria morrer,
E o automóvel foi embora.
Meu sangue começou a escorrer,

Não sabia o que fazer naquela hora.
Comecei a me mover lentamente
Arrastando meu corpo de hora em hora

Para fora da estrada, que latente
Serpenteava em direção à cidade,
Mas estava eu tão distante

E sabia agora de minha dificuldade
De permanecer ao menos lúcido,
Sobrevivendo à própria calamidade.

Estava quase todo plácido,
Exceto pelo estado do peito meu:
Eu era tudo, menos lúcido.

V

A Lua ainda parada no céu
Sarreava do estado em que me achava:
Oferecia simples, o brilho seu.

Era a imagem do que faltava
Que a dor fez aumentar.
A noite fria assim avançava,

E uma luz no chão se fez cintilar:
Era um batom vermelho
Lembrei-me de você o usar

Naquela noite, em frente ao espelho
Enquanto olhava-me e sorria.
Sua boca como meu sangue vermelho

E seus olhos beijar, eu deveria;
És por mim (em segredo) amada
Mas morro (sozinho) assim, todavia.

Fabiano Favretto





quinta-feira, 29 de junho de 2017

Nonsense

Nonsense
Poesia minha
Quando escrita;
Não pense
Que cada linha
É a minha favorita.

Fabiano Favretto

Escolha

Minhas
Escolhas
São as suas,
Antes que
As minhas
Escolhas
Tu escolha.

Fabiano Favretto

Verde-abacate

E se o mundo fosse um abacate,
E o caroço fosse o núcleo?
Se o Mundo apodrecesse
E o caroço germinasse,
Teríamos uma nova esperança,
Esperança de gerar novos mundos.
Mas se novos mundos abacates nascerem
E caírem por terra, e os caroços destes germinarem,
E cada um criasse assim novos mundos?
Assim seriam criados sistemas planetários,
Galáxias, um universo verde-abacate.

Fabiano Favretto

domingo, 25 de junho de 2017

Desgraça

Poesia não vem de graça:
Poesia, vem desgraça.

Fabiano Favretto

Troca-se

Troco minhas poesias
Pela ausência da necessidade
De ter que escrevê-las.

Fabiano Favretto

Tão retrato

Meu retrato
Não é meu
Retrato
Caricato
Meu retrato
Não é seu
Retrato
Pregado
Meu retrato
Não é retrato
Apegado
É retrato
Meu retrato
Retratado
Então retrato
Meu coração
Tão retrato.

Fabiano Favretto

Meias poesias

Não sou poeta pela metade;
Não sou poeta, e o sou também!
Não sou poeta entre meios
De o ser e de não o ser.
Não sou poeta de meias verdades,
Pois a verdade é uma mentira que aconteceu.
Não sou poeta pela metade,
Pois metade sou trevas, e metade sou eu.

Fabiano Favretto

Você entende como estou no chão?

Você entende como estou no chão?
Ela é louca, mas sabe como machucar.
Não digo que ela deva se importar,
Mas você entende como estou no chão?

Você entende como estou no chão?
Ela tem os próprios objetivos,
E não entendo seus motivos,
Mas você entende como estou no chão?

Você entende como estou no chão?
Fico tão só, longe de seu abrigo.
Mas você entende como estou no chão?

Nada de bom tem acontecido comigo,
Mas você entende como estou no chão?
Por ter deixado meu coração contigo.

Fabiano Favretto

domingo, 18 de junho de 2017

Troco

Troco meu coração
Por mais um estômago;
Quem sabe assim
Eu possa digerir a vida.

Fabiano Favretto

Degustação

Quero coisa doce
Como seu sorriso
Quero coisa boa
Como seu tato
Quero coisa nobre
Como seus olhos
Quero coisa saborosa
Como você

Fabiano Favretto

sábado, 17 de junho de 2017

Limbo

Te ver é como morrer
Mas permanecendo vivo,
Pois és o maior motivo
Do meu desfalecer.


Te abraçar é como afogar-me
Em profunda tristeza,
Pois não tenho certeza
De poder encontrar-te.


És como céu e inferno,
E a lua não apareceu;
Mais uma noite de inverno


Onde somente, e somente eu
Fiquei neste sofrimento eterno:
Abraço que você me deu.


Fabiano Favretto

quinta-feira, 15 de junho de 2017

Boteco

Me perder em seu corpo,
Me banhar em seus negros olhos,
Me aquecer em seus abraços,
Me afogar em mais um copo.

Fabiano Favretto

Marca-passos

Marca-passos para meu coração
Que não bate por quem deve,
Que não pulsa e nem se atreve
Ter um mínimo de razão.

Estava eu sobre o viaduto,
E o trem abaixo passou
E também carregou
Meus pensamentos astutos.

Marca-passos sobre o viaduto
E sobre a cabeça que pensa;
Vejo assim e absoluto:

Não tenho sequer crença,
Que eu vença o meu luto
E que a alegria apareça.

Fabiano Favretto

Coexistir

Escrever e ser feliz,
Ambos não podem coexistir,
Já que o motivo de produzir
É por estar-se infeliz.

Fabiano Favretto

terça-feira, 13 de junho de 2017

Réquiem para um amor (para uma dor)

Na ausência fez-se necessário
Buscar-me entre o eu e o agora.
Mas buscando-me, a dor devora
Tudo o que se faz contrário.

E se por ventura ou acaso apareça
Algo que ao amor passado remeta,
Procuro esquecer, de maneira reta
Para que eu assim nunca padeça.

Dentre colher os lírios do campo,
E semear todas as dores Perenes,
Escolhi talvez cultivar amores
Mas para florescerem é preciso tanto!

Pois bem, não tenho mais a flor,
Nem a muda vingou mais em mim.
Mas todos sabemos que há um fim
Quando se escolhe ter um amor.

A dor foi aparecendo, lembro agora;
O amor que eu tinha foi diminuindo.
Fiz limpeza, a imundície foi saindo
Do coração, tudo foi pra fora.

Essa missa negra, solidão presente,
Em meu peito, é rezada solenemente​
À medida que eu, completamente
Vou modificando, tornando-me diferente.

Construir um fim é destruir os meios,
Por mais doce que possa parecer​.
Mas se o amor antigo faz padecer,
Devemos escapar de nossos devaneios.

O amor só foi criado para doer,
Se assim ele acabar, ou sumir.
A cicatriz fica se ele sair
Amar é quase sinônimo de morrer.

Fabiano Favretto

sexta-feira, 2 de junho de 2017

A porta e a chave

A porta:
Aporte
Para
Que
O acesso
Permita-se
Para
Inúmeros
Lugares.

A chave:
Com ela
Pode-se
Aumentar
Consideravelmente
A segurança
E diminuir
Drasticamente
O efeito
Do aporte
Relacionado
Ao acesso.

Fabiano Favretto

quarta-feira, 31 de maio de 2017

Perdi

Perdi a minha semana
E não sei qual foi a data.
Não quis recuperá-la:
Minha sina não me engana.

Perdi a minha vida,
E não sei qual foi a ocasião;
Mas pelo sim ou pelo não,
Já preparei a minha ida.

Perdi a direção,
E não sei qual era o tempo,
Mas o meu coração

Está solto como o vento
E sem intenção
De buscar certo alento.

Fabiano Favretto

domingo, 28 de maio de 2017

Faz sentido

Por que sofrer
Até faz sentido,
Porque estar vivo
Não é só viver.

Fabiano Favretto

quinta-feira, 25 de maio de 2017

Flor de pedra

És flor rochosa,
Pétrea roseira no campo.
De cristal é seu encanto,
E és também flor cheirosa.

Flor esculpida
E não germinada,
Foi no formão talhada
E não corrompida.

Porém és gelada
E na lisa superfície
Amalgamada,

Livre de toda imundície,
E assim tão amada
Não há quem não aprecie.

Fabiano Favretto

terça-feira, 23 de maio de 2017

Petrichor

Petrichor,
Era começo da chuva
E alucinação:
Tocava Belchior

Fabiano Favretto

domingo, 21 de maio de 2017

Todo grito é válido!

Faria muito mais sentido
Ouvir o que o povo pede!
Repensar os próprios atos,
A pressão a barreira cede.

Tentativas após tentativas
Eles buscam o poder.
Mas deles, as ações são destrutivas,
Estamos prestes a nos perder...
Resta a nós gritar, não podem nos vencer!


Fabiano Favretto

sábado, 20 de maio de 2017

É via

O fato é
Que o amor
É via de mão dupla.
Por que andas na contramão?

Fabiano Favretto

Devasto

O problema é este coração vasto:
Potencial morada para a dor.

Fabiano Favretto

Sempre não

Tens sido a causadora e o motivo
De minhas vãs esperanças,
Mas tenho somente lembranças
De ter um dia estado contigo.

Estou deveras cansado
De a você ter dado chances,
Pois até hoje nada me garantes
E eu estive tão preocupado.

Mesmo que eu sinta sua falta,
Não mereces a minha atenção!
Minha vontade de você era alta,

Mas você nem sequer fez menção
De um afeto (o meu se sobressalta):
O que tens me dito é sempre um "não".

Fabiano Favretto

terça-feira, 9 de maio de 2017

O escultor ou a escultura

Aquele que da pedra
Subtrai a massa
Em batidas e talhadas,
Nela forma engendra;

Qual mistério desta arte
Que antes pedra esquecida,
Torna-se agora apetecida
Por ter sentimento como parte?

Ante à milhares de milênios
Na rochosa formação lúdica,
Valoriza-se na pedra os veios

Que agora como túnica
Cobre a estética em anseios,
De forma pura e melódica.

Fabiano Favretto





domingo, 7 de maio de 2017

A chuva

Pouco mais que 8 da noite,
E o dia ressoa em meus ouvidos
Como pesadas trovoadas.
Há dor,
Ardor.
Amor? Isso não.
Apenas espero a fria chuva
A lavar
E levar
A elevar
As minhas penas.


Fabiano Favretto

Até quando?

Eu não estou bem.
Posso até parecer bem,
Mas não estou.
A pele em que habito
É apenas uma fachada
De um negócio
Que já faliu.
Antes o coração batia,
E os pulmões inflavam;
Hoje tudo funciona
Em modo automático.
Tenho automatizado
Meus meios de produção.
Não, não há
Mais criação.
Tudo é gerado automaticamente,
Pois todo o tesão se foi...
E a vida?
A vida deixou de ser.
A vida não é mais,
A vida se foi,
O corpo se move por baterias.
Exasperei demais
Pelos cantos,
Desesperei demais
Pelos meios.
A poesia se foi,
E não me disse se voltaria.
Sou apenas um recipiente
Cheio de engrenagens.
Verei até quando
Durarão as baterias.

Fabiano Favretto

Penso, logo deprimo

O ser humano
Deixou de ser feliz
No momento
Em que começou a pensar.

Fabiano Favretto

Eu sei

Qual o peso de minha importância?
Domingos são difíceis, já falei.
Qual o resultado de minha ausência?
Domingos são trágicos, eu sei.

Fabiano Favretto


Uma vida

Somando suas ausências
Tenho quase uma vida
Sem você.

Fabiano Favretto

É inexistente

As nuvens no horizonte
São roxas,
Mas no alto não há nuvem alguma;
Assim como em algum lugar
Há amor,
Em seu coração não há.
Nuvens voam,
E caem como chuva.
Meu amor voa
E cai como lágrimas.
E assim, as nuvens
São roxas no horizonte,
E o amor é inexistente
Em seu coração.

Fabiano Favretto

sábado, 6 de maio de 2017

Térreo


Pelo andar das coisas,
Eu diria estar no térreo.


Fabiano Favretto

Placebo

Sábado é dia
De ir ao sebo,
Tudo bem.
É bom, eu diria.
Efeito placebo,
Meu bem.

Fabiano Favretto

À dois

Um espresso sozinho,
Não supera
Um copo de água
À dois.

Fabiano Favretto

Segundo andar

No segundo andar 
Tem um sofá;
Poderíamos ir lá
E nos amar!

Fabiano Favretto

Surrealvida

Daqui
Ou Dalí,
Vejo a vida
Surreal.

Fabiano Favretto

Adrenalina

Senti  mais adrenalina
No final da xícara de café,
Do que na aterrissagem
Do avião.

Fabiano Favretto

Pontuais

Pontuais
São os intervalos
Das batidas
Do meu coração:
Hora bate por ti,
Hora não.

Fabiano Favretto

Cabelos ao vento

Três gerações
Atravessaram a rua;
Pelo histórico,
Mal sabe o jovem
Que ficará calvo.

Fabiano Favretto

Nova antiga narrativa

Dante se encontra
Com Virgílio
Na cafeteria.
Ele queria conhecer
Aquela garçonete bonita:
Beatrice.

Fabiano Favretto

Sobre preservar a arte (ou como não estragá-la)

Adoçar um 
Espresso
É o mesmo que
Sujar um quadro
De Davinci.


Fabiano Favretto

Pensaria na certa

Em cafeterias opostas,
Olhávamos a nós pela janela;
Eu até faria apostas
Que só pensaria nela.

Fabiano Favretto

Boca ausente

Só queria estar ausente
À esta ausência que me choca:
Ausência de tua boca
Que preciso completamente.

Fabiano Favretto

sexta-feira, 5 de maio de 2017

Ensina

Dizem que escrever
É sina,
Porém, digo eu,
Que escrever
Ensina.

Fabiano Favretto

Escombros e catacumbas

Escombros e catacumbas
São os resquícios que sobraram
Deste corpo que já foi cheio de alegria.
Da estrutura, poeira e penumbras
E sinais das pessoas que passaram
Ao comporem esta elegia.

Os ossos apenas sustentam
Algumas teias de aranha
Neste peito, verdadeiro túmulo.
Lápides, inscrições ostentam
E a garganta sempre arranha
Em tom baixo e trêmulo.

Vazio, imensidão e dor,
Se é que existe algo mais.
Sou um reduto sem paz,
Buscando amor.

Fabiano Favretto

quarta-feira, 3 de maio de 2017

Nenhum sequer

Ontem nenhum verso eu fiz
Só por ficar pensando
Quando você se dará a chance
De eu te fazer feliz.

Fabiano Favretto

segunda-feira, 1 de maio de 2017

Não há o porquê


Ora, por que ter medo do escuro?
Qualquer faísca é capaz de mudar
Tal paisagem.

Fabiano Favretto

quarta-feira, 19 de abril de 2017

Pela janela

Vou defenestrar nosso amor,
Afinal sou diferente de Rimbaud!
Desejo minha liberdade, e por favor,
Vê se o pássaro da gaiola escapou.

Fabiano Favretto

terça-feira, 18 de abril de 2017

Degrais

De graus centígrados
Degrais centrífugos
Degrau centímetro
De grau centípede
Dez graus centenários
Degrais sentidos.


Fabiano Favretto

Polenta

Tico tico no fubá
Quem é que aguenta?
Esquentou tanto
Que fubá virou polenta.

Fabiano Favretto

Degraus

Rolei escada
Abaixo
Parei no quinto
Degrau
E tive a sacada,
Um facho:
Parece que sinto
O final.

Fabiano Favretto


sexta-feira, 14 de abril de 2017

Obrigado obrigado

Obrigado obrigado
por quebrar meu coração
Mais uma vez
Se já estava remendado
Agora fica triturado
Só por não poder te esquecer.

As pedras que rolam lá do morro,
Meu amor,
Só servem pra aterrar
Minha paz e alegria, 
Assim eu morro,
Meu amor
Por não poder te esperar.

As chuvas de março já passaram,
Meu amor,
E levaram 
o meu querer...
Fez riacho no terreiro,
Pensa só que desespero,
Meu amor,
Por não saber como lidar!

Obrigado obrigado 
por quebrar meu coração
Mais uma vez
Se já estava remendado
Agora fica triturado
Só por não poder te esquecer.

O rádio lá de casa, é desafinado,
Meu amor,
E só toca música de tristeza;
Eu tento não pensar
Mas não mudo de estação,
Meu amor,
É inverno todo dia.

Não que eu não leve a vida,
Meu amor,
Mas sozinho é mais difícil
De seguir;
O coração reclama,
Meu amor,
Por sozinho ele bater.

Obrigado obrigado 
por quebrar meu coração
Mais uma vez
Se já estava remendado
Agora fica triturado
Só por não poder te esquecer.

Fabiano Favretto