terça-feira, 21 de novembro de 2017

Letras

A primeira foi F;
Marca de nascência no rosto.
Amor de infância,
Faria muito gosto
Se hoje a encontrasse.

A segunda foi A;
Cabelos loiros,
E dos olhos ainda lembro:
Olhos castanhos,
Mas a mim ela não lembra.

A terceira foi T;
Adolescência à flor da pele,
Mas distância presente.
Só foi um abraço.
Foi um tempo triste.

A quarta foi F;
Tempos de faculdade.
Que abraço apertado,
Do qual sinto saudades.
Ao vê-la sinto ansiedade.

A quinta foi C;
Quase entrei em briga por ela,
Mas afastamo-nos logo.
Hoje nos falamos pouco.
Gostaria que ela me chamasse.

A sexta foi M;
Mas essa me arrebentou ao meio.
Saiu rezar e voltou com um não,
Com interesse alheio
Ao que passávamos então.

A sétima foi C;
Tão longe morava-mos
Que fazíamos planos
Para podermos nos ver:
Nunca concretizados.

A oitava foi L;
Lindos olhos tinha ela
E um lindo coração.
Não poderia amá-la
Por não merecê-la até então.

A nona foi S;
A ela dediquei a minha vida.
Foram tempos muito bons,
Mas nas vindas e idas,
Ela me matou, pelo que parece.

A décima foi a J;
Anônima e de tempos alheios.
Falamos ainda por outros meios,
Mesmo que eu e ela não possamos
Mostrar do que se gosta.

A décima primeira é a T;
Mas de mim não faz questão.
Fico triste até então
Por não saber onde ir
Sem a companhia que costumava ter.

A décima segunda é a I;
Mas dessa não tenho mais esperança.
Tenho lutado tanto,
Que sou insignificância;
Nenhum beijo consegui.

Fabiano Favretto





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