domingo, 15 de julho de 2018

Paradidático

O nosso lençol usamos
De modos paradidáticos,
Jamais de modos pragmáticos
Nesse amor que lecionamos.

Pássaros cantarão lá fora,
E nossos corpos dançarão na cama
Nesse aprendizado de quem se ama,
E no final da aula não iremos embora.

Fabiano Favretto

Marcas de amor

Deixe marcas em minha pele,
Como aquele desenho que fizestes.
Deixe marcas que se revelem,
Como uma rosa que floresce.

Deixe a marca em mim,
Assinatura de seu perfume!
Aroma que dure até o fim,
Até que surjam os vagalumes!

Deixe a marca do seus lábios,
Como rosa e carmim!
Como o caminho de um sabio,
Quero mostrar o melhor de mim.

Mas deixe a marca que eu gosto,
A marca com fervor!
Que posso ver em seu rosto
Depois que fazemos amor!

Fabiano Favretto

Marca de laço

Deixe marcas em mim,
Mas não marcas no coração.
Deixe marcas em mim,
Mas nao me deixe no chão.

Deixe marcas em mim,
Mas marcas que eu admire!
Deixe marcas em mim,
Mas marcas que ninguém tire!

Mas não faça marcas
Simplesmente por marcar,
Porque por mais que faça

Eu te amar,
A marca me enlaça
A ponto de me matar.

Fabiano Favretto

sábado, 14 de julho de 2018

Soneto pigmentado

Inventei uma cor
Jamais catalogada,
E que se bem explanada,
Pode ilustrar o amor:

Cor quente e fria,
Com variação constante:
Pigmento colorante
Que queima e dá hipotermia.

Essa cor primeiramente,
Não é melhor que as demais:
Ela colore somente

Os nossos ais,
De formas incoerentes,
De formas naturais.

Fabiano Favretto

Er...

Ar
Are
Arre!
Erra
Era
Er...

Fabiano Favretto

Não Bem

Não, meu sábado não!
O domingo tudo bem,
Mas meu sábado não!
Se tu não faz por bem,
Negam-te: sempre não!
Se tu age por bem,
Contigo será um não.
Hoje estarei bem?
Não, hoje não!

Fabiano Favretto

terça-feira, 10 de julho de 2018

Cor de Laranja

Cor laranja que gosto,
Mil sóis nesta cor acolhem:
É um sorriso que me socorre,
E a bonita luz em teu rosto.

Laranja, cor, tijolo, chão:
Cítrico paralelepípedo
Que resplandece vívido
Em constante ilusão.

Cabelos cor de laranja,
Cabelos que reluzem sempre!
Cabelos com beleza recorrente
Da ponta dos fios até a franja.

Laranja também é a vida,
Que em cor quente tem passado!
Laranja, tom adocicado
Com a cor da tua beleza vivida.

Fabiano Favretto

Mortos os ponteiros

Sobrevivi até as 18 horas
Para saber que não haveria
Vida alguma nos ponteiros
Do velho relógio da esperança.

Fabiano Favretto

Clichês

Case,
Tenha filhos,
Ame,
Tenha um emprego,
Trabalhe,
Financie sua casa.
Compre um carro flex,
Financie seu carro.
Envelheça,
Vá ao médico,
Compre uma TV grande.
Abra uma cerveja às vezes
E morra de tédio
Todos os domingos
Sentado em todo o clichê
Acumulado em suas costas.

Fabiano Favretto

Liberdade black friday

Estou fadado à toda liberdade,
Desde que esta seja adquirível
Nas lojas (a preço acessível)
Sem muita dificuldade.

Fabiano Favretto

segunda-feira, 9 de julho de 2018

Eita essa Poesia

Eita essa Poesia,
Coisa difícil de escrever!
Só ela me alivia
Só ela me deixa viver!

Se a caneta corre
E versos norteia,
Minha vida socorre,
Minhas vistas clareia.

Poesia que é minha,
E que de mim faz parte:
É a derradeira vinha
De onde eu colho arte!
Fabiano Favretto


sexta-feira, 6 de julho de 2018

Ai de mim

Queria eu hoje
Estar fora de mim:
Poderia ser embriagado,
Em transe,
Em coma...
Queria eu hoje
Estar fora de mim,
Pois tenho hoje em mim
Todo o peso do mundo,
Do mundo que eu conheço.
Talvez não seja tão vasto,
E talvez não seja tão pesado.
Meu mundo é talvez
O bastante
Para me jogar de joelhos
E me derrotar.
Queria eu poder fugir
Para além
De minhas próprias barreiras!
Mas o mundo é uma esfera,
E se eu contorná-lo
Acabarei uma hora
No mesmo ponto.
Ai de mim!
A seleção perdeu,
O amor não veio,
E as vergonhas financeiras
Podem começar a surgir.
Ai de mim!
Queria eu hoje
Estar fora de mim,
Pois é ali fora
Que talvez 
A felicidade se encontre.

Fabiano Favretto

quinta-feira, 5 de julho de 2018

De-pressões

Tanto tempo de pressão,
Muito tempo depressão.

Fabiano Favretto

Pressões

Dois versos poderiam dizer uma explosão:
Quando o meu eu sai de si mesmo
Meu corpo não suporta a pressão.

Fabiano Favretto

quarta-feira, 4 de julho de 2018

alter-ego

Briguei comigo mesmo
E não me perdoei por isso.

Fabiano Favretto

Semente saudade

Semente de saudade plantada
Na terra do peito irrigada:
É saudade que germina,
A saudade vira muda.

Quem me dera, quem me dera
Colher os frutos, quem me dera!
Desta árvore que tanto cresce,
E na primavera me floresce.

Saudade cada vez mais forte,
Saudade é quase igual a morte.
Folhas da saudade ao vento balançam,
E na sombra d'ela pássaros cantam.

Saudade enraizada,
Em meu coração é eternizada.
Torço que neste frio inverno
Ela seque, me tirando do inferno.

Saudade, saudade que reina,
Se ela seca, sei que queima
Na lareira de um novo amor,
E devolve para mim meu calor.

Mas saudade, sua madeira é muralha,
Que sempre me atrapalha
E me priva de poder enxergar
Aquela que poderia me mudar...

Fabiano Favretto

segunda-feira, 2 de julho de 2018

Permanência

A existência
Precede a essência
A menos que
A ausência
Preceda tudo o que
De ti faz permanência.

Fabiano Favretto

domingo, 1 de julho de 2018

Diferente

Este domingo me limitou
Ao espaço de nenhuma interação.
O tédio que se instalou então,
O meu tempo apagou.

Cheguei ao estágio que sempre evitei:
Dormir! Dormir para sanar a ociosidade
(Livro algum pode fazer com sinceridade).
Como reduzir o vazio em que me achei?

Fabiano Favretto