segunda-feira, 28 de janeiro de 2019

À morte, manto da finitude.

Em versos uma prece
Àquela que tudo finda,
E que após o fim, ainda,
Dos demais não se esquece:


Aos que não nasceram para a vida

As sementes que não germinaram
Quando ao solo plantadas,
As horas que lhe foram negadas
O curso da história decerto mudaram.


Às crianças, finais infantes

O que da infância deleitaram-se
Terminou neste pequeno tempo
E assim na inocência, findaram-se
Como anjos, um alento. 


Aos jovens, do vigor agora esmo

Que a força e o calor que carregavam
Seja motriz dos que aqui ficam
E que estes, hoje mesmo saibam
Que até mesmo as virtudes se acabam.


Aos adultos, responsabilidades agora alheias

O que tanto na vida os ocupava,
Agora foge-lhes a preocupação;
O problema que angustiava
Agora não mais afligirão.


Aos idosos, árvores de raízes rasas

O tempo que a eles foi dado,
Em sua magnitude foi vivido,
Porém não há um infinito estado
Que seu ensinamento pode ser persistido.


Aos finados por moléstia

Que a doença, atalho do fim,
Seja constante exceção nos dias atuais,
E aqueles que findaram-se assim
Não possam ser esquecidos jamais


Aos acidentados

Que nenhum infortúnio
Cause a ida precocemente,
E que a sorte seja o prelúdio
De vida longa, certamente.


Aos mortos em guerra

Que nenhuma batalha
Seja maior que uma vida,
Visto que a vida, a muralha
Pode ceder se for estremecida.


Aos que buscaram o fim

Que encontrem neste estado
Toda a paz que em vida não tiveram,
E que assim, por este lado,
Perdoem quem a paz não lhe deram.


Aos assassinados

Que o fim da vida seja o locus da justiça
Para que mais nenhuma vida seja interrompida.
Deixem-se de lado a violência e cobiça
Para que a vida possa assim ser vivida.


E que a morte, com sua sabedoria e manto negro
Busque aqueles que estiverem preparados,
Afim de que esta, em nenhuma forma de emprego
Possa dar fim aqueles cujo tempo não foi chegado.


Fabiano Favretto


https://www.greenme.com.br/images/viver/saude-bem-estar/medo-morte.jpg

quinta-feira, 17 de janeiro de 2019

E neste meio, quantas palavras cabem?

Sete anos
Não são sete dias,
Mas voam como se fossem
Sete pássaros em meio à ventania.

Fabiano Favretto

Aos meus 7 anos de blog

A ti, meu canto
De repúdio e encanto
Dedico este verso
Mais que perverso,
Mas que é de agradecimento:
Tenho em ti mais sentimento
Do que em pessoas que já amei.
Destas a ti eu lamentei
Sem ao menos pensar:
A você fui me queixar
E escrever as minhas dores,
Pesares e clamores.
A ti dediquei sete anos
E haverão ainda muitos
Que haverei de a ti recorrer
Para versos escrever
Com finalidade de me eliminar,
E minha loucura poder sanar.
Petto di Gingillo,
Aqui nada é sigilo,
Apenas leitura não tão leda
Que dissolve como seda
N'uma linha a se perder
Entre os lábios de quem irá ler.

Fabiano Favretto





segunda-feira, 7 de janeiro de 2019

NNNN

Nudo,
Nulo.
Nela,
Nada
Fabiano Favretto

Lá vem chuva

O relâmpago é o bote
O trovão é a mordida
Fabiano Favretto

Chega a hora que não cai mais

Um poço sem fundo
Atravessa o mundo
Fabiano Favretto

Vivi

Vivi
E recebi
De ti
O tempo
De minha
Vida

Fabiano Favretto

Morri

Morri
Mas deixei
Para ti
O tempo
Da sua
Vida.

Fabiano Favretto

Música perfeita

A música perfeita
Sabe o momento
Certo de acabar
Fabiano Favretto

Capota

Ah, mas o jeito que ela
Capota o carro
É diferente.
Fabiano Favretto

Obras

Era a vez um homem
Que durante a totalidade
De sua vida construiu,
Mas nada edificou.
As lacunas que deixou
Foram a sua maior obra.

Fabiano Favretto

sexta-feira, 4 de janeiro de 2019

Menos

Por menores
Que sejam os pormenores,
Estes são menos
Do que poderiam 
Ser ao menos.

Fabiano Favretto

quarta-feira, 2 de janeiro de 2019

Revelação

Estou aqui revelando
As fotos que jamais tiramos:
Um clique mais belo que outro,
Um álbum maravilhoso!

A cada doto fictícia
Um pedaço de nossa história.
Faltou o olhar fotográfico
E faltou minha memória.

Fotos que jamais tiramos
Por falta de tempo
Por um tempo tirano

Fotos jamais reveladas
De uma beleza oculta
De uma verdade velada.

Fabiano Favretto

Gaiola

Me fugiu a poesia
Voando feito pássaro.
Ah como eu queria
Fazer do peito gaiola.

Fabiano Favretto

Dia de esperança

A flor da desilusão
Desabrocha vagarosamente
Para despetalar-se
Em algum dia de esperança.

Fabiano Favretto

terça-feira, 1 de janeiro de 2019

Preciso

Mais um ano me é subtraído
E a vontade de gritar só aumenta.
As sete flechas que me afligiram
Hoje são quase que irrelevantes.
Estou sozinho e no escuro,
E sinto o peso do mundo novamente.
As mãos que antes eram precisas,
Hoje se tornaram ferramentas do caos.
Busco agora compreender a mistificação
Entorno do amor e da solidão.
Esse mistério quer acompanhar-me,
E mesmo que eu busque o entendimento
Acabo por encontrar paredes e mais paredes.
Viver tornou-se somente aguentar os dias
E esperar a noite que demora a cair,
E quando cai, mata o horizonte aos poucos.
As nuvens roxas nas tardes são ematomas
Maculando o céu que deveria ser puro.
Continuo sentindo no peito essa ansiedade
Onde o calor colabora para minha auto-extinção.
A solidão cresce todo dia ou talvez cresça hoje:
A ânsia de ser amado é a causa principal
Da minha falta de confiança.
Sou minha própria quimera
Ainda que as últimas desilusões
Tenham me feito mais forte
Mas tanto menos preciso.

Fabiano Favretto