terça-feira, 31 de dezembro de 2013

2013/ 2014

- Oba! Mais um presente?
- Sim! Abra logo!
- 2014? Por que mais um ano?
- Bem, veja... 2013 está todo velho e gasto!
- Mas Papai, não deveria-mos consertá-lo?
- Não, não. Agora é tarde. Use este novo e esqueça tudo o que você fez de ruim em 2013.
- Mas Pai! Se eu esquecer, como poderei fazer tudo diferente em 2014?
- Somente esqueça. É o que venho fazendo há muito tempo...

O garoto, sozinho, pensou alguns instantes e saiu correndo da sala. Logo, volta com uma caixa de ferramentas que arrasta por todo o assoalho.
Com muito esforço, o garoto remove o último digito de 2013 e substitui pelo número 4, formando assim, em um conjunto de novos números e remendos um humilde 2014.


Sim, é preciso que coisas novas venham, mas também é preciso
olhar para trás para ver o quanto se progrediu, o quanto tudo foi mudado, e
também o que ainda pode ser mudado.
Um novo ano não é feito somente de promessas, mas também de
correção de erros e recuperação de valores que foram deixados de lado 
no ano anterior
Não sei o de vocês, mas meu 2014 será bem remendado.

Fabiano Favretto

segunda-feira, 30 de dezembro de 2013

Il Gigante e la Bambina

"Il gigante e la bambina 
sotto il sole contro il vento 
in un giorno senza tempo 
camminavano tra i sassi... "
Lucio Dalla



Em 2014..

Pinte um muro
Suba em uma árvore
Coma doce de abóbora
Ande de bicicleta
Dance na chuva
Viaje para um lugar diferente
Aprenda uma música nova
Compre livros antigos
Olhe as estrelas
Assista filmes de "época"
Escreva um poema
Desenhe na areia
Dê muita risada
E por último,
Não se esqueça:
Afaste-se de tudo
Aquilo que possa
Te afastar de mim.

Fabiano Favretto

sábado, 28 de dezembro de 2013

Taças

Não sei se foram três.
Foram talvez quatro, cinco ou seis
Marretadas que na cabeça eu senti
Após taças de vinho eu ter tomado.
Mas agora percebi
Que talvez as taças de vinho
É que eu deveria ter contado..

Fabiano Favretto

quinta-feira, 26 de dezembro de 2013

Calor

A gota
Na têmpora
Escorre
Esgotando
Os fluidos
Corporais.

O tempo
No calor
Do corpo
Imortaliza-se
Esquentando-nos
Sob o luar.

Fabiano Favretto

quarta-feira, 25 de dezembro de 2013

Não nos desesperemos

Enfim o Natal findou-se!
Mas caros companheiros,
Não nos desesperemos:
Há ainda muito tempo
Para o nosso precioso consumismo.

Fabiano Favretto

domingo, 22 de dezembro de 2013

Vazio

Vazio eu me sinto
De qualquer inspiração.
Não há ideias que apareçam,
Nem sequer motivação.

Mas o que pode-se fazer
Quando uma ideia não aflora?
Sinto uma estranha tristeza
E vontade de ir embora.

Assim as ideias vão,
E talvez não voltem.
Assim como o hoje,
E talvez como o ontem.

Fabiano Favretto

terça-feira, 17 de dezembro de 2013

Ratos não vomitam

Pare com essa sua
Ode à hipocrisia.
Você finge estar com ânsia,
Mas ratos não vomitam.

Pare com essa sua
Intolerância ao incomum.
Você finge estar com ânsia,
Mas ratos não vomitam.

Pare com essa sua
Rebeldia superficial.
Você finge estar com ânsia,
Mas ratos não vomitam.

Pare com essa sua
Auto-flagelação.
Você finge estar com ânsia,
Mas ratos não vomitam.

Pare com essa sua
Cara de piedade.
Você finge estar com ânsia,
Mas ratos não vomitam.

Pare com essa sua
Vida feita de farsas.
Você finge estar com ânsia,
Mas ratos não vomitam.

Fabiano Favretto

Verso

Não é multiverso,
Nem universo.
Somente verso é.

Fabiano Favretto

segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

Formidável

Uma tarde formidável
Daquelas para recordar-se.
Um dia ensolarado
Daqueles de admirar-se.

A companhia, eu lhe digo:
Nada deixou a desejar.
Sua presença linda e sincera
Nada mais eu poderia esperar.

Era domingo de dezembro:
Pleno, o verão se fazia.
E num abraço demorado,
Dela eu me despedia.

Mas triste, 
Triste eu não pude ficar.
Quantos domingos hão de vir,
Antes do verão acabar?

Fabiano Favretto

sábado, 14 de dezembro de 2013

Artista

Sou artista
Na arte de amar.
Somente espero
Reconhecido ser
Antes de
Minha vida
Acabar.

Fabiano Favretto

Senha

Gosto tanto
De você
Que chego
A usar
Seu nome
Como senha.

Fabiano Favretto

quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

Café

Escrever, escrever!
O poeta pensava.
O café sobre a mesa,
Um ótimo aroma exalava.

E no rádio uma canção de Sinatra:
Natalina a melodia sonava
O coração mal disposto no peito
Em louca excitação palpitava.

Fabiano Favretto

Deve

Seu beijo deve ter gosto
De frutas secas e tâmaras.

Seu cheiro deve ser como
Especiarias e canela em rama.

Sua voz deve parecer
O doce canto do rouxinol.

Seu sorriso deve ser invejado
Pelas estrelas, a Lua e o Sol.

Seu corpo deve ser assim
Grande relevo inexplorado.

Seus olhos devem me ver então
Um louco, um cético desesperado.

Fabiano Favretto

terça-feira, 10 de dezembro de 2013

Um conto de Natal.

Era dezembro. As lojas já estavam abarrotadas de enfeites natalinos, decoradas com luzinhas que piscavam freneticamente em meio às prateleiras. Em frente à avenida principal, o movimento era constante. Como formigas apressadas, as pessoas corriam desesperadas de um lado para outro preocupadas em iniciar os preparativos do natal.
Sentado no banco da praça, encontrava-se sentado um homem, que apenas preocupado estava em observar as pessoas que passavam. Consigo trazia algumas bijuterias que ele mesmo havia feito. Vez ou outra alguma pessoa parava para olha-las, mas raramente compravam. Isto não o deixava triste, tampouco preocupado. Apenas esperava pelo cliente que à qualquer hora poderia aparecer.
Pela avenida, um pequeno menino caminhava pedindo esmola à todos que passavam. Ninguém se importava com a situação do garoto, pois desconfiavam que ele realmente passava necessidades. Órfão de pai e mãe, a única família que possuía era um cachorro vira-lata e pulguento. Isto não diminuía o amor que o menino tinha pelo animal. O menino continuava caminhando e implorando alguns trocados.
Os dias avançavam e a maratona capitalista prosseguia. Em meio ao caos do comércio, pessoas esqueciam de si mesmas em função de uma data que um dia foi importante. Porém, algumas pessoas desejavam viver realmente o natal.
Cambaleando de fome, anda um menino acompanhado de um vira-lata. Quando o garoto chega à praça, já com as vistas embaçadas, procura o primeiro banco para se sentar, mas antes de conseguir, desmaia. O cachorro começa a latir e uivar, e logo começa a lamber sua face.
Com a cabeça doendo, o menino escuta muitas vozes. Parecia em um transe. Quando consegue abrir um pouco seus olhos, nota luzinhas piscando. Se assusta e pensa consigo em que lugar poderia estar. Ele tentou levantar, mas um rosto aparece diante de seus olhos e o adverte mandando-o descansar. O menino apreensivo pergunta:
- Que dia é hoje?
E uma voz amigável o responde:
- É véspera de natal! E já são 11 da noite!
O menino torna a fazer perguntas:
- Onde estou? E onde está meu cachorro?
Novamente a voz o responde, porém, provia do mesmo rosto que o advertira anteriormente:
- Te encontrei desmaiado na praça. Ninguém o socorreu, então o trouxe para meu barraco. Não tenho muito à oferecer, mas o pouco que tenho, fico feliz em dividir contigo. E seu cachorro está ali no canto comendo um pouco de comida que sobrou do almoço.
O menino sorri instantaneamente. Havia muito que não era tratado bem. E o barraco? O menino achara incrível! Era um lugar pequeno, mas muito aconchegante, repleto de calor humano.
O menino indaga:
- Moço, será que eu poderia passar a noite aqui? O menino corou meio sem graça.
O homem responde sorrindo:
- Não só pode como deve! Como é véspera de natal, decidi comprar um frango ali na mercearia. Como havia pouco dinheiro, não foi um dos maiores. - Veja só! Falta 5 minutos para o natal! Vou preparar a mesa.
Enquanto a mesa era montada sob duas tábuas largas, o menino observava, com os olhos mergulhados em lágrimas e agradecia por isso ter acontecido. A hora derradeira chega. O garoto é convidado para chegar perto à mesa e logo começa a comer. Após a ceia, conversaram a noite toda e riram bastante, esquecendo dos problemas que possivelmente amanha voltariam. O cachorro corria pela casa alegremente. A noite foi inesquecível para todos.
O Espírito de Amor não escolhe a riqueza, os melhores presentes ou a melhor ceia. O Espírito de Amor não surge do glamour e da soberba. Em meio à tijolos-à-vista, em um barraco na periferia, um menino, um homem e um cachorro viveram verdadeiramente algo através da fraternidade, união, amor ao próximo e bondade. O amor fraterno renasceu e traduziu-se novamente em uma única palavra: NATAL.

Fabiano Favretto

Crônicas de um Caipira #6

- Estamos aqui na chácara do seu Zéca para relatar mais um estranho avistamento de OVNIS! - Seu Zeca, como isso aconteceu?
- Era di noiti e eu táva indo tirá água do joeio quandu do nada aparece um negocião gigante e paro ali na prantação!
- Como era "esse negocião gigante"?
- Era maisomeno assim como uma tampa de panela. Mas pense numa tampa graúda!
- E depois que a nave pousou? O que aconteceu?
- Saiu um hominho verde e correu bem rapidao pra banda da casinha onde eu ia tira água do joeio.
- Interessante! Conte mais.
- O hominho devia ta apertado. Quando ele saiu da casinha, aceno com a cabeça e saiu voano. Quando fui entra na casinha la tava tudo distruido.
- O E.T. estava apurado pessoal! E vejam que coisa interessante: Ele era marginal! - Prossiga com a história.
- Dispois que vi a casinha distruida mi deu raiva! Vi um vurto vindo pra perto de eu, ai peguei um toco de lenha que tinha perto e bati na cabeça de quem vinha!
- Era outro E.T.?
- Não não, era minha sogra! Mas tava iguarzinha o hominho! Tava com uma pomada verde estranha na cara! Devia se aquelas coisa de beleza que pessoa feia passa na cara!
- Ela desmaiou quando o senhor a acertou?
- Ela só cambaleo e caiu por riba do mato. Mas depois grito com eu: "- Zéca! Sê tá loco? Quando eu me levanta daqui você vai apanhá de vassora!"
- E o senhor o que respondeu?
- Eu respondi maisomeno assim: -"Então vóis mecê veio de nave espaciar?". Mas ai ela retruco: -"Ta me chamano de ET?". Aí nessa hora falei: -"É verdade, ta certa a sinhora! Nunca vi bruxa voando de nave espaciar..."

Fabiano Favretto

segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

Iô-Iô

Era uma vez
Um iô-iô
Rebelde.
Um dia ele foi,
E não mais
Voltou.

Fabiano Favretto

Eu já sabia!

Eu já sabia!
Não sei porque tentei
Nem porque
Expectativas eu criei.

Eu já sabia!
Todo fim é o mesmo:
O fim
Antes de um começo.

Eu já sabia!
No começo a fé em mim
Tenho perdido,
 assim como no fim.

Eu já sabia!
Não me surpreendi.
E à menor dificuldade
Eu desisti.

Eu já sabia!
Sim, eu já sabia.
Me conformei
Sem alegria.

Eu já sabia!
Eu já sabia!
Eu já sabia!
Eu já sabia!

Fabiano Favretto

domingo, 8 de dezembro de 2013

Tiro

Eis que hoje,
Um tiro no peito
Alvejou-me
Com tão grande força
Que por dentro
Nada sobrou;
Nem sequer sobrou meu coração.
Estou amputado
De meus sentimentos.
Não há prótese 
Que suporte
Amor, esperança e alegria.
Somente,
O vazio permanece
Em mim.
Só há uma coisa
Que agora
Toma conta:
Melancolia.

Fabiano Favretto

sexta-feira, 6 de dezembro de 2013

Lastimei

Sonhei com você.
Não deveria ter sonhado.

No sonho eu te tocava.
Não deveria ter tocado.

No sonho eu te beijava.
Não deveria ter beijado.

Do sonho me acordei.
Lastimei ter acordado.

Fabiano Favretto

Diamantes

Seu coração
É rocha pura.
Mas é em meio
As rochas
Que se encontram
Os mais bonitos
Diamantes.

Fabiano Favretto

quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

A ruazinha

Há uma ruazinha
Estreita e irregular,
Onde passa a esperança
E a vontade de amar.

A ruazinha,
De pedra foi trançada,
Desde a pedra bruta
À mais refinada.

Há uma ruazinha
Muito torta e retorcida.
Por todos que nela passam
É despercebida.

A ruazinha,
De seixos foi calçada.
Pedras lisas e robustas
A deixam enfeitada.

Há uma ruazinha
Que é de meu bem-querer.
Triste me sentiria
Se todo dia pela rua ela não descer.

A ruazinha,
Alegre por sentir ela passar,
Faz as flores florescerem
E o céu volta a brilhar.

Fabiano Favretto

quarta-feira, 4 de dezembro de 2013

Volta

Os ponteiros do relógio
Dão voltas.
O mundo dá voltas.
Mas o tempo,
O tempo não volta.

Fabiano Favretto

segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

domingo, 1 de dezembro de 2013

O entardecer no verão

À minha amiga Laura.

O entardecer no verão
É doce como manga madura.
É como correr na campina
Em meio à camomilas e açucenas.
É sentir no rosto a brisa suave
E o cheiro de rosas que consigo traz.

O entardecer no verão
É sentir aroma de frutas frescas.
É atirar pedras no lago
Para vê-las pular por sobre a água.
É não correr da chuva rápida
Que vem somente para refrescar.

O entardecer no verão
É viver cada segundo.
É extrair o bem de tudo.
É andar com quem se gosta.
É toda tarde desejar
Um novo entardecer.

Fabiano Favretto