quinta-feira, 8 de novembro de 2018

Violeiro sem sertão

Quando o violeiro não tem mais sertão
Sobram somente magoas e a terra seca no Coração
Quando o violeiro esquece a própria vida
Mas recorda o passado, esta ferida tao doída

Eu procurei o meu sertão
Mas só achei meu coração

Quando o violeiro sabe o seu destino
Sobram somente pedras e terra seca no caminho
Quando o violeiro esquece seu ponto de partida
Recorre à sua sina, esta amiga tao querida.

Eu procurei o meu sertão
Mas só achei meu coração

Fabiano Favretto

sábado, 20 de outubro de 2018

Luador Crescente

Lua agora crescente,
É crescente em problemas.
Trará maiores dilemas
Quando encher completamente.

Lua que deveria dar esperança,
No alto brilha a pico.
Eu nesta viagem fico,
Com meu coração em mudança.

Minha terra me espera,
Mas a dúvida nunca me deixou;
Se este sentimento restou,
O amor se recupera?

Lua que nada me diz,
E agora entre nuvens se esconde,
Porque não me responde
O que de errado eu fiz?

Sua luz prata intensifica
A clareza das nuvens.
Em minha mente há fuligem
Que minhas ideias sacrifica.

Lua que cresce em minha dor,
Haveria maneira de salvar-me?
Pois no ato de embriagar-me
É que vejo breve esplendor.

Pela janela vejo cidadezinhas
Que permanecem sempre bucólicas.
Em meu peito, vontades caóticas
De fazer tu somente minha.

Rezas para a Lua para que me afaste,
E eu rezo a Lua para que tu me ame.
Por mais que teu nome eu proclame,
Nada muda que me abandonaste.

Fabiano Favretto

sexta-feira, 19 de outubro de 2018

Impressionism

Música para sonhar,
Não para se ouvir.
Entre acordes encontrar
Espaço para sentir.

Fabiano Favretto

Morte e impressionismo

Morte moderna,
Entre boleros o fim:
Coisa antes nunca vista!
Acabaria assim
Com impressão onírica:
Movimentos, enfim,
Com grande pausa rítmica.

Fabiano Favretto

Amores líquidos

No tempo dos telegramas,
As tristezas demoravam a chegar.
Às vezes se perdiam no caminho.

Fabiano Favretto

Quebra de distâncias

Tudo acontece
A mais de 600km,
E a distância
Não impede que isso
Possa te afetar
Profundamente.

Fabiano Favretto

Era luz

Quem antes era luz,
Na vida hoje é cruz.
Como estar indiferente
Se sou sobrevivente?

Uma vez mais entre abismos
Parado simplesmente permaneço.
A vida é apenas um adereço
Onde cultivo o meu cinismo.

Fabiano Favretto