sexta-feira, 20 de abril de 2018

Sem música

O tango nunca dançamos
E a valsa não valsamos
Afim de tramar a trama
Que nunca tramamos.

Fabiano Favretto

Soneto Inconsciente

Estou acumulando
A necessidade de destruição
A entropia, inanição
De tudo que está chegando.

Big bang
De meu cérebro na calçada
De meu estômago na calçada
De meu coração na calçada:

Tenho mais órgãos
Cá fora, no chão,
Do que em mim.

Preciso de mais espaço
E agora são as palavras que saem...
Mas estas nunca acabam!!

Fabiano Favretto

Dimensão alheia

O inferno dos alienados
É o paraíso
De quem está disposto
A pensar.

Fabiano Favretto

quinta-feira, 19 de abril de 2018

E que o prazo de devolução seja mais que uma semana

Cada poema perdido
É uma alma que não se salva.
Cada poema lido
É uma alma que se corrompe.
Ora, meus irmãos,
Espero que no inferno
Existam muitos livros.

Fabiano Favretto

Falta de fé

A todo momento digo adeus
A todo momento digo a Deus
Leve-me!
Leve-me!
Estou aqui ainda.

Fabiano Favretto

Ontem tão presente

Por dentro estou podre
Igual a um pinhão
De casca rubra reluzente.
Comigo ninguém pode
Ter compaixão
Por não estar só doente.

Por dentro estou morto
Igual a um caixão
De madeira rubra reluzente.
Comigo não me importo,
Não tenho condição
De encarar o meu presente.

Fabiano Favretto

Sertão coração

Um ser tão desprovido de graça.
Um ser tão provido, desgraça.
Um sertão desprovido de graça.
Um sertão provido desgraça.

Fabiano Favretto