quarta-feira, 13 de dezembro de 2017

quarta-feira, 6 de dezembro de 2017

Olvido surdo

És o poema mais triste
Que eu já escrevi,
Com versos que vivi,
Com os "nãos" que me rimastes.

És dor e ilusão,
Onde nas estrofes invento,
Lágrimas, ao sabor do vento
E maldita solidão.

És a métrica do absurdo
Onde mora a palavra mortal,
Que dita sempre em múrmúrio

Rasga o silêncio fatal
De um olvido surdo
Entregue à todo o mal.

Fabiano Favretto

Boêmio

No boteco
Bateu a bituca
Depois
de Batucar
A guimba
No balanço
Da balada.

Fabiano Favretto

segunda-feira, 4 de dezembro de 2017

Tentador

Destruí minha mente
Afim de tentar te encontrar,
Mas não pude te achar
Nem em meu inconsciente.

Sou um tanto deprimente
Estando sufocado em angústia.
De mim já não tenho empatia
E meu viver já é dormente.

Destruí meu coração
Em busca de um amor,
Mas o quebrei sem intenção

Me restando somente dor.
Estou ficando sem ação
Que o final é tentador.

Fabiano Favretto

Polos

Os opostos se repelem,
Os atraídos se atraem.
Os distraídos se atrevem
E os traídos de distraem.

Fabiano Favretto

Você e eu

Você e eu,
Não temos como dar certo,
Afinal não aconteceu
Nada além do incerto.

Somos componentes
Da receita do desastre,
Eternos reagentes
De uma química nunca ilustre.

Você e eu,
Não temos como ser felizes;
Nenhum de nós esqueceu
De nossas cicatrizes.

Somos incongruentes,
Dois números irreais
E tão assim inequivalentes
Nos tornando racionais.

Você e eu,
Como água e óleo juntos
Não misturados, mas valeu
Todo o tempero dos elementos.

Somos diferentes
E em tudo que me vi, te enxerguei.
Somos diferentes
E em tudo que te vi, eu te amei.

Fabiano Favretto

Um e dois

Vamos dançar agora
A valsa que nunca dançamos,
Pois o tempo passa e avançamos:
A vida não demora.

Vamos valsar agora
A dança que nunca valsamos,
Afinal o contento passa e ficamos:
A felicidade vai embora.

Vamos rodar agora,
Pois o ritmo está marcado;
Não quero ir embora

Queria contigo ter ficado,
Porém do ritmo estás fora
Por ter sempre me matado.

Fabiano Favretto