sexta-feira, 17 de março de 2017

Imbecil

Elejo-me agora
O senhor dos patéticos!
Venerem-me!
Curvem-se sobre
A magnífica mediocridade.

Fabiano Favretto

Semente errada

Plantei a semente.
Ledo engano...
Agora colherei joio
Por toda a vida.

Fabiano Favretto

Mais um capítulo do livro de negativas

A metafísica estava na aranha microscópica
Que cruzou a minha mesa
Em busca de algo
Alheio ao mal de minha pérfida existência.

Fabiano Favretto

Nãos

Estou me transfigurando
No mais solitário dos seres,
E isso já vem de tempos
Por viver em universos
Contrários à estes onde ando;
Sou repleto de nãos marcados
Em minha própria pele
("Nãos", e não sou o autor destes).
Um não aqui, outro acolá,
"Nãos" eu tenho há tanto tempo,
Que já sou o senhor rejeitado
Da auto-rejeição.
Sim, Não! E negando-me,
E rejeitando-me, só hão de continuar
A descontruirem-me em mim,
E a transfigurarem-me em nada...
Nada além da auto-negativa
De existir.

Fabiano Favretto



Não mais me existo

Pareço ser feliz, estar bem assim... Mas o fato é que a onda bate sempre mais forte do lado de dentro, e a muralha está prestes a ceder...
Não, não derramem lágrimas pela minha ausência, afinal todo defunto vira bonzinho, mas assim talvez eu não o seja na vida.
Lamento, mas não sou bom, nem sou preciso, nem sou o mínimo do que é necessário para ser notado.
Medíocre em minha essência, medíocre em minha ausência. Eu vou, mas deixo meus livros, pincéis, uma viola e um violão.
Façam o que quiserem, mas quando a onda bater, saberão o que aconteceu. Eu não mais me existo.

Fabiano Favretto

quinta-feira, 16 de março de 2017

Te querer

E agora como posso proceder?
Falar contigo é uma tortura,
Porque o que eu sei agora
É que eu quero te querer...

Fabiano Favretto

Se importam

E o mundo é de ponta cabeça
E eu sou do avesso,
Pois meus sentimentos transbordam
E não há nada que eu esqueça
De dizer-te, sentir-me, querer-te;
E eu não é mais um outro,
Pelo fato de ter me entregado
Em suas mãos algumas vezes,
E tu derrubou somente meu coração.
Alguns trincados e amassados.
Talvez com tempo e zelo eu 
O conserte e possa
Vendê-lo em algum antiquário.
Ele tem marcas irreparáveis,
Mas há talvez quem goste...
Cada coração é de um jeito,
E o mundo gira,
E o avesso permanece
A aparecer sempre que se importam.
Não se importem.

Fabiano Favretto