terça-feira, 18 de setembro de 2018

Campos Estelares

Nesta vasta terra, nenhuma terra lhe foi apresentada. A ferramenta de trabalho está encostada nos sonhos mais profundos, alheio à toda seca e pobreza. Eis que o agricultor ganha asas e pode enfim buscar campos distantes além-firmamento. Planetas de cores tão vivas... arar os anéis de Saturno não parece algo impossível.
A Via-láctea, um verdadeiro campo de algodão celeste, repleto de espaços estelares, parece uma terra fértil para se plantar os mais belos sonhos.
Chegando o homem ao seu destino, confrontou em seu eu todo o mistério do universo. Tudo o que aprendera e o que lhe foi apresentado na Terra era agora algo insignificante diante de tamanha imensidão. Preparou assim a sua enxada, e com um golpe certeiro recuou os planetas que poderiam atrapalhar o crescimento de sua esperança.
Despejou ali as sementes que desejava e adubou com férteis e brilhantes constelações.
Admirou-se com o clima, vendo que haveria chuvas de meteoros. Ficou preocupado, mas tal sentimento logo se esvaiu quando percebeu que seria apenas uma garoa de estrelas-cadentes. Sorriu quando viu sua esperança florescer perante as adversidades universais e sentiu-se satisfeito ao ver que nem tudo está distante.
Chega a época de estiagem, onde tempestades solares afligem o campo de nosso agricultor. Por sorte ou colaboração involuntária dos corpos celestes, faz-se um eclipse que barra todo excesso de luz. Como o dia de repente virou noite, procura o nosso trabalhador um abrigo para repousar, e deitado debaixo de uma nebulosa, ao observar os desenhos abstratos do espaço profundo, adormece com um belo sorriso de lua.
É madrugada, e o cantar do galo acusa que a sina não havia mudado. Abrindo os olhos de modo sôfrego, vê sua enxada encostada ao pé da árvore, ao passo que o céu estrelado acusa que a noite não tinha deixado espaço para nuvens invasoras.
Com olhos lentos e ternos busca ainda reconhecer seus campos de sonhos estelares, antes que sumam perante o raio solar da realidade.

Fabiano Favretto


domingo, 9 de setembro de 2018

Sem bússola

Pedido
De socorro
S.O.S
Perdido
Descendo o morro

Fabiano Favretto

Existência de vida

Não se pode decidir pela morte
Por estar distante de nosso controle:
A existência, a vida não precede,
Pois viver é dessa condição o aporte.

Fabiano Favretto

Fome de vida

Fome de vida
Que de mim foi tirada
E trancafiada
Em cela esquecida.

Inerte e redundante
Em ciclos de ignorância,
Em noites de irrelevância
Eu sigo adiante.

Mas é abismo e cascalho
E é labirinto.
É um lamento falho

Que de mim sai sussinto
Quando me atrapalho
Quando nada mais sinto.

Fabiano Favretto

Neblina

Tanto tudo passa
E tudo dá voltas,
E quando a visão embaça
Não há reviravolta.

Fabiano Favretto

Acorde

No domingo findo
Me matando a esmo,
Para que no dia
Que está vindo,
Acorde eu mesmo.

Fabiano Favretto

terça-feira, 28 de agosto de 2018

Explicação para o vazio

É que em minha existência
Não há qualquer essencia.
É por isso que tomo substâncias
Em todas as variadas circunstâncias.

Causa mortis, sereno e madrugada:
Em mim mais mortes programadas.
Torço para ouvir agora uma música triste
Para apagar em mim tudo o que existe.

Fabiano Favretto

Agouro

Na escura estrada
Como de costume,
A noite em negrume
Fazia-se instaurada

Em baixa velocidade
Estava eu a dirigir
E meu peito a digerir
Os fantasmas da realidade.

Hey Bulldog era a música que ouvia
Enquanto a chuva aumentava.
A estrada se encharcava
E meu medo só crescia!

Ouço lampejos e raios iluminam,
Enquanto o som posterior,
Hades, deus do mundo inferior
E Zeus, batalhas iniciam.

No semáforo fechado
Sinto presságio de má sorte:
Aquele que me anuncia a morte,
Com olhar tenebroso, velado

Estava em meio a rua,
De sangue, faminta a sua boca
Que aberta, quase pouca
Ofegava maldade pura.

Era um cão que se aproximava,
Em seus passos inaudíveis
Me causavam medos indizíveis
Ao passo que o fim se aproximava.

A um metro de distância ele estava
Enquanto um clarão no céu surgiu.
Aquela imagem demoníaca sumiu
E acelerei enquanto o sinal mudava.

Respirei aliviado enquanto dirigia,
Mas a imagem desse cão
Não sei dizer por qual razão
Em minha cabeça permanecia.

Cheguei em casa, e estacionei.
Dentro do carro permaneci,
E assim quase me esqueci
Que os faróis não desliguei.

Olhei para o painel de modo trivial,
A quilometragem marcava
O número da besta, mas achava
Ser uma coincidência ocasional.

Os faróis eu desliguei,
E retirei a chave da ignição,
Mas quando surgiu um clarão
Novamente paralisei.

Pelo reflexo do retrovisor,
Vi a malévola silhueta canina
No banco traseiro, o odor da saliva
Seu hálito de morte exalando horror.

Fabiano Favretto



Punhos cerrados

Não quero dormir.
Quero resistir!
Não quero me suprimir
E nem desistir.

O grito será alto
E a voz só aumentará.
Meu punho não se omitirá
Diante de qualquer sobressalto!

Fabiano Favretto

sexta-feira, 24 de agosto de 2018

Abismos negros

Para Fabiane

Teus olhos tão negros
São também profundos,
E neles me afundo
Em busca de teus segredos.

Teus olhos são abismos,
Onde o chão não existe,
E se neles meus olhos persistem:
Caio caio em mil achismos.

Doravante, um infinito,
Em meio a este instante visual.
Me sinto tão finito

Pois não há imensidão
Com amor mais bonito,
Que faz de mim expropriação.

Fabiano Favretto

quarta-feira, 22 de agosto de 2018

Sobre o Chopp e Corações #10

A pergunta
Que fica:
Aguento mais
Uma birita?

Fabiano Favretto

Sobre o Chopp e Corações #9

Bebida quente
Coração frio.
Há quem aguente
Um coração vazio?

Fabiano Favretto

Turvo

Meu raciocínio
É turvo:
Na tua lembrança
Me conturbo.

Fabiano Favretto

Alguns goles por dia

A vida é curta demais
Para colocar gelo no whisky.

Fabiano Favretto

Sobre o Chopp e Corações #8

No copo de chopp
Me afogo:
É tanto mar,
Para pouco fogo.

Fabiano Favretto

Não respectivamente

Bukowskando,
Drummondiando;
Me buscando,
Me odiando.

Fabiano Favretto

Sobre o Chopp e Corações #7

Se fica 
Só o copo,
Na cama
Eu capoto

Fabiano Favretto

Sobre o Chopp e Corações #6

Quando
O mundo gira
O meu copo
Vira

Fabiano Favretto

Sobre o Chopp e Corações #5

Quando
O efeito chega
O coração
Festeja.

Fabiano Favretto

Sobre o Chopp e Corações #4

Cada gole
Gelado
É um beijo
Apagado.

Fabiano Favretto

Sobre o Chopp e Corações #3

A caneca
Se esvazia
E minha dor
Alivia

Fabiano Favretto

Sobre o Chopp e Corações #2

A caneca 
É gelada
Feito coração
Da amada

Fabiano Favretto

Sobre o Chopp e Corações #1

Não há chopp
Que não
Encha o vazio
De um coração
Sombrio.

Fabiano Favretto

domingo, 12 de agosto de 2018

Vidas

Ninguém liga para a vida
De milhões de baratas,
Estão todos na torcida
Por assassinato em massa.

Minha vida não vale mais
Que a vida de meu irmão.
Podem dizer que perdi a noção,
Apenas vivi demais.

Fabiano Favretto

Sol

O pôr do sol
Em ouro tudo transforma,
Pois no dia tudo pesou
Com sua luz em boa forma.

Fabiano Favretto

terça-feira, 7 de agosto de 2018

Dai-me

Dai-me forças e inteligência;
Dai-me o dom da ciência.
Dai-me glória e sabedoria
Dai-me a chance de ter alegria.

Amém

Fabiano Favretto

Vai em cima de bolos de aniversário

A felicidade é a pequena chama de uma vela 
Exposta ao temeroso vento de um furação.

Fabiano Favretto

Das terças

Compre, consuma,
Tenha um Iphone.
Beba, fume,
Encha os pulmões de oxigênio
Antes que o ar esteja cheio de fumaça.
Use psicotrópicos e tome conhaque:
O baque será igual
A uma manhã de segunda-feira.
Desvie das sombras em um dia quente,
Desvie das marquises em dias chuvosos,
Desvie da piedade que possa ser encontrada em você!
A sorte não se encontra,
A morte se encontra.
Chute uma lata,
Quebre uma garrafa em uma placa de "PARE".
Piche as paredes de teu quarto,
Piche seus braços como telas definitivas,
Mas não esqueça de pichar
Os muros de suas limitações.
Quebre uma lápide
E coloque uma mesa de bar no local.
Quebre a cabeça
Quebre a rotina
Quebre a vida miserável
Que te quebra todo dia.
Mas não esqueça
Que sempre haverá uma terça-feira ruim
Depois de uma segunda desastrosa.
Ânimo, o sistema quer você morto,
Mas ele não sabe que você já está morto por dentro.
Sorria, você simplesmente anda entre todos
Sem saber onde vai, e porque vai.
Caronte sempre será seu melhor gondoleiro.
Admita, uma terça-feira nunca te será suficiente.

Fabiano Favretto

Calmaria

Teu corpo, eu queria
Teu corpo, e com ele faria
Teu corpo, sim, faria!
Teu corpo se contorceria.

Meu corpo, eu queria
Meu corpo, contigo faria,
Meu corpo, sim, faria!
Meu corpo se contorceria.

Nossos corpos, eu queria
Nossos corpos, a gente faria,
Nossos corpos, sim, faria!
Nossos corpos pós-tormenta: calmaria.

Fabiano Favretto

Juízo do sem juízo

Coração, se acalma!
Se ela vai,
Não te sobra nada!

Fabiano Favretto

sexta-feira, 3 de agosto de 2018

menos e mais

Já se matou por muito menos
E já se viveu por muito mais.
A ordem dos fatores não altera
Os produtos desiguais.

Fabiano Favretto

Transe verbo!

Transe verbo!
Transe estado
Transe ação.

Transo moderno
Intransitado
E em transação.

Fabiano Favretto

terça-feira, 31 de julho de 2018

Espero que goste

Terminei julho,
Juntei os cacos
E fiz um embrulho.

Fabiano Favretto

Corações condecorações

Entender de corações
E de alegorias:
Com decorações
Imitar alegrias...

A vida é uma piada
Que sempre se repete,
E só não é mais engraçada
Pois nem tudo a nós compete.

Mas eu entendo de corações,
E dos títulos que eles carregam:
Buscamos condecorações
Alimentando egos que nos cegam!

Fabiano Favretto

Beijo e desejo

Beijo,
Só a flor no jardim.
Desejo,
Já me chegou ao fim.

Fabiano Favretto

domingo, 29 de julho de 2018

Recaída

Sofri mais uma recaída
E procurei recursos
Para ouvir a sua voz.
Não se trata mais de "nós":
Cada um seguiu seu curso
Mas eu não vi saída.

Fabiano Favretto

Exposição

Museus?
Meus olhos
Nos seus.

Fabiano Favretto

Ficou

Café acabou...
Foi a poesia,
A xícara ficou.

Fabiano Favretto

Com

Café
Com fé
Com fel
Com felicidade

Fabiano Favretto

Na água flores

Na água as flores
Estão aos poucos definhando,
E eu pouco a pouco me desafiando
A não ter mais rancores.

As flores estão morrendo,
Mas todos estamos!
Neste ponto chegamos:
Estamos vivendo?

Fabiano Favretto

Abomina


Inspiração?
Esta centelha divina...

Meu coração?
Emoções abomina.

Fabiano Favretto

sexta-feira, 27 de julho de 2018

Loiros cabelos

Para Pamela

Com atitude mais que certeira
Ela viajou milhas e milhas assim,
Para resolver tudo, por fim.
Ela sempre tomou a dianteira.

Ela é mais que bonita:
Ela é autenticamente bela.
Queria poder de perto vê-la
Mas ela é minha criptonita!

Que pele alva ela tem,
Igual o mais brilhante luar!
Qual aroma que me vem,

Quando um abraço formos dar?
O Sol não me aquece mais tão bem:
Seus loiros cabelos é que irão me esquentar.

Fabiano Favretto



Grampeador

Grampeador
Com grampos
Brandos
Forjados com amor.

Fabiano Favretto

Alzheimer seletivo

Lembro do que
Deveria esquecer;
Esqueço do que
Deveria lembrar...
Alzheimer seletivo
É o motivo
De tanto fazer
Eu me ferrar.

Fabiano Favretto

Pouco sei

Pouco sei,
Pouco vi;
Só sei
Que escrevi!

Fabiano Favretto

quinta-feira, 26 de julho de 2018

Falta alcool

Quanto mais sóbrio se está,
Mais triste também há de ficar.

Fabiano Favretto

Tampouco

Minhas forças se anulam,
Meus ombros se arrebentam;
Meus pensamentos não aguentam
Esses dias que se acumulam...

Viver sem nenhuma mistificação
É saber que os dias são somente dias,
E que no fim destes, não há alegria
Nem qualquer boa emoção.

Vivo pelo fim do dia
Para poder respirar um pouco.
Se hoje me foge a poesia,

Como não ficarei louco?
Há tanto mais que minha azia,
E não vejo o fim... tampouco!

Fabiano Favretto



Transtornado

Tem dias que você quer
Chutar o balde,
Mas o balde 
Está transbordando.
Tem dias que você quer
Colocar a cabeça no lugar
Mas você sabe,
Está transtornado.

Fabiano Favretto

terça-feira, 24 de julho de 2018

Extremamente viciável

Baco,
Afrodite.
Sou fraco,
Acredite.

Fabiano Favretto

Ponteados

Quando se tem ponto e vírgula, se enumera;
Quando se tem um só ponto, acaba-se a frase.
Mas quando se tem três...

Fabiano Favretto

segunda-feira, 23 de julho de 2018

CCCCC

Contrações
Constrições
Contusões
Concussões
Corações.

Fabiano Favretto

Frio fim

Pele branca gelada,
Grama branca geada.
Sangue coagulado
Sob o amor sepultado:

Porque derrubastes
Meu sorvete napolitano?

Fabiano Favretto

Sinos sinais

Se os mortos não amam
E os fantasmas não falam,
Por que à meia-noite
Os sinos sempre badalam?

Fabiano Favretto

Ácidos

Ácido e
Flácido,
Meu estômago
Antes básico
Agora não digere
Nenhuma palavra
De alienação!

Não engulo em seco
E não ouço mais
Quem eu seguia!
Meu estômago é um beco
Onde jamais
O ódio habitaria...
(Mas agora habita!)

Tempos mudam,
Ácidos se criam:
Minhas palavras
Hão de derreter
Todos aqueles
Que me obrigan
A obedecer...

Fabiano Favretto



domingo, 15 de julho de 2018

Paradidático

O nosso lençol usamos
De modos paradidáticos,
Jamais de modos pragmáticos
Nesse amor que lecionamos.

Pássaros cantarão lá fora,
E nossos corpos dançarão na cama
Nesse aprendizado de quem se ama,
E no final da aula não iremos embora.

Fabiano Favretto

Marcas de amor

Deixe marcas em minha pele,
Como aquele desenho que fizestes.
Deixe marcas que se revelem,
Como uma rosa que floresce.

Deixe a marca em mim,
Assinatura de seu perfume!
Aroma que dure até o fim,
Até que surjam os vagalumes!

Deixe a marca do seus lábios,
Como rosa e carmim!
Como o caminho de um sabio,
Quero mostrar o melhor de mim.

Mas deixe a marca que eu gosto,
A marca com fervor!
Que posso ver em seu rosto
Depois que fazemos amor!

Fabiano Favretto

Marca de laço

Deixe marcas em mim,
Mas não marcas no coração.
Deixe marcas em mim,
Mas nao me deixe no chão.

Deixe marcas em mim,
Mas marcas que eu admire!
Deixe marcas em mim,
Mas marcas que ninguém tire!

Mas não faça marcas
Simplesmente por marcar,
Porque por mais que faça

Eu te amar,
A marca me enlaça
A ponto de me matar.

Fabiano Favretto

sábado, 14 de julho de 2018

Soneto pigmentado

Inventei uma cor
Jamais catalogada,
E que se bem explanada,
Pode ilustrar o amor:

Cor quente e fria,
Com variação constante:
Pigmento colorante
Que queima e dá hipotermia.

Essa cor primeiramente,
Não é melhor que as demais:
Ela colore somente

Os nossos ais,
De formas incoerentes,
De formas naturais.

Fabiano Favretto

Er...

Ar
Are
Arre!
Erra
Era
Er...

Fabiano Favretto

Não Bem

Não, meu sábado não!
O domingo tudo bem,
Mas meu sábado não!
Se tu não faz por bem,
Negam-te: sempre não!
Se tu age por bem,
Contigo será um não.
Hoje estarei bem?
Não, hoje não!

Fabiano Favretto

terça-feira, 10 de julho de 2018

Cor de Laranja

Cor laranja que gosto,
Mil sóis nesta cor acolhem:
É um sorriso que me socorre,
E a bonita luz em teu rosto.

Laranja, cor, tijolo, chão:
Cítrico paralelepípedo
Que resplandece vívido
Em constante ilusão.

Cabelos cor de laranja,
Cabelos que reluzem sempre!
Cabelos com beleza recorrente
Da ponta dos fios até a franja.

Laranja também é a vida,
Que em cor quente tem passado!
Laranja, tom adocicado
Com a cor da tua beleza vivida.

Fabiano Favretto

Mortos os ponteiros

Sobrevivi até as 18 horas
Para saber que não haveria
Vida alguma nos ponteiros
Do velho relógio da esperança.

Fabiano Favretto

Clichês

Case,
Tenha filhos,
Ame,
Tenha um emprego,
Trabalhe,
Financie sua casa.
Compre um carro flex,
Financie seu carro.
Envelheça,
Vá ao médico,
Compre uma TV grande.
Abra uma cerveja às vezes
E morra de tédio
Todos os domingos
Sentado em todo o clichê
Acumulado em suas costas.

Fabiano Favretto

Liberdade black friday

Estou fadado à toda liberdade,
Desde que esta seja adquirível
Nas lojas (a preço acessível)
Sem muita dificuldade.

Fabiano Favretto

segunda-feira, 9 de julho de 2018

Eita essa Poesia

Eita essa Poesia,
Coisa difícil de escrever!
Só ela me alivia
Só ela me deixa viver!

Se a caneta corre
E versos norteia,
Minha vida socorre,
Minhas vistas clareia.

Poesia que é minha,
E que de mim faz parte:
É a derradeira vinha
De onde eu colho arte!
Fabiano Favretto


sexta-feira, 6 de julho de 2018

Ai de mim

Queria eu hoje
Estar fora de mim:
Poderia ser embriagado,
Em transe,
Em coma...
Queria eu hoje
Estar fora de mim,
Pois tenho hoje em mim
Todo o peso do mundo,
Do mundo que eu conheço.
Talvez não seja tão vasto,
E talvez não seja tão pesado.
Meu mundo é talvez
O bastante
Para me jogar de joelhos
E me derrotar.
Queria eu poder fugir
Para além
De minhas próprias barreiras!
Mas o mundo é uma esfera,
E se eu contorná-lo
Acabarei uma hora
No mesmo ponto.
Ai de mim!
A seleção perdeu,
O amor não veio,
E as vergonhas financeiras
Podem começar a surgir.
Ai de mim!
Queria eu hoje
Estar fora de mim,
Pois é ali fora
Que talvez 
A felicidade se encontre.

Fabiano Favretto

quinta-feira, 5 de julho de 2018

De-pressões

Tanto tempo de pressão,
Muito tempo depressão.

Fabiano Favretto

Pressões

Dois versos poderiam dizer uma explosão:
Quando o meu eu sai de si mesmo
Meu corpo não suporta a pressão.

Fabiano Favretto

quarta-feira, 4 de julho de 2018

alter-ego

Briguei comigo mesmo
E não me perdoei por isso.

Fabiano Favretto

Semente saudade

Semente de saudade plantada
Na terra do peito irrigada:
É saudade que germina,
A saudade vira muda.

Quem me dera, quem me dera
Colher os frutos, quem me dera!
Desta árvore que tanto cresce,
E na primavera me floresce.

Saudade cada vez mais forte,
Saudade é quase igual a morte.
Folhas da saudade ao vento balançam,
E na sombra d'ela pássaros cantam.

Saudade enraizada,
Em meu coração é eternizada.
Torço que neste frio inverno
Ela seque, me tirando do inferno.

Saudade, saudade que reina,
Se ela seca, sei que queima
Na lareira de um novo amor,
E devolve para mim meu calor.

Mas saudade, sua madeira é muralha,
Que sempre me atrapalha
E me priva de poder enxergar
Aquela que poderia me mudar...

Fabiano Favretto

segunda-feira, 2 de julho de 2018

Permanência

A existência
Precede a essência
A menos que
A ausência
Preceda tudo o que
De ti faz permanência.

Fabiano Favretto

domingo, 1 de julho de 2018

Diferente

Este domingo me limitou
Ao espaço de nenhuma interação.
O tédio que se instalou então,
O meu tempo apagou.

Cheguei ao estágio que sempre evitei:
Dormir! Dormir para sanar a ociosidade
(Livro algum pode fazer com sinceridade).
Como reduzir o vazio em que me achei?

Fabiano Favretto

sábado, 30 de junho de 2018

Demodê

Morrer de amor 
É tão ultrapassado!
Viver com amor
Me parece mais sensato.

Fabiano Favretto

sexta-feira, 29 de junho de 2018

Para onde

Perdi minha sexta,
Não sei onde ela foi.
Sei que ela se foi:
Nesta noite não houve festa.

Fabiano Favretto

segunda-feira, 25 de junho de 2018

Pena de morte

A morte é a pena
Que cai quando
O vento do tempo
Para de soprar.

Fabiano Favretto

Madeeeeeeeeeeeeira

Um grito em meio às árvores
É mais silencioso
Que uma árvore em meio aos gritos.

Fabiano Favretto

Prefixos

Meu coração é cheio de prefixos,
Que vão opondo DESamor e DESabrigo;
Há aqueles que quando vão me afastando, 
Vão ao mesmo tempo acabando comigo:
Me DESmascarando, me crucifico.
Prefixo A gosta de me negar:
Quando quero assim me afogar,
Tento me jogar no mar.
Se coloco A na frente,
Não me resta prefixo, me resta Amar.

Fabiano Favretto

A forca

Saturno tem menos anéis
Que os dedos de suas mãos.
Tem agora em seu coração
Veneno de mil cascavéis.

A lua reflete menos luz
Do que seus olhos bonitos.
Tem mais tempo que o infinito
Tem uma boca que seduz.

Tenho mais água na boca
Do que tem água no mar,
E tenho mais medo de te amar
Do que medo de ir à forca.

Fabiano Favretto


Mentirinhas

Eu não sei mentir
Que eu sei mentir muito bem,
E minto que te amo também
Só para te ver sorrir.

Fabiano Favretto

terça-feira, 19 de junho de 2018

Papo com E.T's. ou seres deste e outros mundos #1

- Se eu te dizer que vou pra biqueira, ou se vou pra Saturno, pra qual lugar acha que eu vou?
- Não faço ideia...
- Mano, eu falo em códigos, entendeu?
- Cara, não sei mesmo.
- Eu vou pra biqueira fumar uma pedra e de lá vou pra Saturno, manja?

Fabiano Favretto

domingo, 17 de junho de 2018

Homo Sapiens Fracassus

Fracasso como homem,
Fracasso como bicho.
E agora, como faço,
Me encaixo em qual nicho?

Fabiano Favretto

Poeta morre sozinho

Talvez tenha começado
A escrever poesia
Para justificar esta solidão
E também esta sina
Que me acompanha até então:
Poesia é minha mera justificativa
Para remoer toda esta situação,
E rir/ chorar de minhas amarguras,
Que sempre me atiram ao chão.

Estou a apenas um passo
De considerar-me poeta,
Para que de forma completa
Eu não assuma todo meu fracasso.

Fabiano Favretto

Soneto de toda sombra

Acaba mais um final de semana,
E com ele, minha vontade de viver,
Pois não tive nenhum momento de lazer
E agora meu peito só reclama.

Roubastes, sim, minha vontade
E pela falta desta, sinto remorso.
Mais uma vez assim me torço
Por achar que é dura a verdade.

Pareces bonita neste domingo,
E alheia à culpa alguma;
De ressentimento não tem um pingo,

E eu aqui nessa penumbra!
Esse domingo agora findo
Imerso em toda sombra.

Fabiano Favretto

sábado, 16 de junho de 2018

Somente nãos

É visto que não posso contar
E é visto que a presença faltaria,
Pelo fato de que não podes acreditar
Que eu sou uma boa companhia.

De todos os convites que aceitastes,
A nenhum honrou com sua presença.
Me deixou sem chão, me quebrastes
Sem se preocupar com o que aconteça.

Estou hoje deveras magoado
Pela sua falta de consideração.
Estou agora meio frustrado

E por isso, de antemão,
Te darei o recado:
De mim terá somente um "NÃO".

Fabiano Favretto

segunda-feira, 11 de junho de 2018

Não tenho escolha

Vou procrastinar meu amor
Para o próximo dia dos namorados,
Pois esse ano estou ocupado
Armazenando todo o meu rancor.

Vou procrastinar minha paixão
Para o próximo dia de São Valentim,
Pois no momento não vejo para mim
Qualquer possibilidade além do caixão.

Vou procrastinar meu romantismo
Para a próxima data comercial,
Pois agora só vejo o cinismo;

Vou procrastinar esse tom nupcial
E evitar tanto consumismo:
Melhor esperar o carnaval.

Fabiano Favretto


Narciso enamorado

No espelho,
Eu namoro no espelho!
No reflexo do espelho
Que eu me vejo
Eu namoro.
E de nada mais o reflexo
Me interessa como eu mesmo,
Pois eu me namoro
E minha imagem eu amo.
Minha imagem eu namoro
E no espelho eu me amo.

Fabiano Favretto

domingo, 10 de junho de 2018

Futuro diálogo

O tempo para nossa primeira conversa
É hoje!
Mas o tempo para a minha coragem
É talvez amanhã.

Fabiano Favretto

Garota intensa

Garota imensamente intensa
Que em suas fotos me aparece,
E a mim tanto enlouquece
Por eu querer que me conheça.

Garota intensamente linda
Que em suas fotos, tatuagens vejo.
Vê-la pessoalmente é um desejo
Que agora não me finda.

Garota mais do que bonita,
Sua ausência é injusta:
Por tu me parecer infinita,

Por viver sem aquilo que ofusca,
Por ofuscar a estrela que conflita
E deixar esse desejo que me assusta.

Fabiano Favretto

quinta-feira, 7 de junho de 2018

Fases

Não acerto as crases,
Não acerto as frases:
São todas elas "quases";
São todas elas fases.

Fabiano Favretto

quarta-feira, 6 de junho de 2018

Força invisível

Oh centelha divina de esperança,
Sinal de celular que me afasta do ostracismo
E proporciona o acesso à rede
Para eu poder ver conteúdo irrelevante,
Permanecei aqui!
Sinal invisível que me anima,
Afim de possibilitar o uso do Whatsapp,
Não saia daqui!
Sem internet não há mundo,
Sem internet, tampouco há vida!
Afastai-me daqueles que vivem à sombra
Das verdades alheias ao Facebook.
Afastai-me daqueles que vivem
Suas vidas miseráveis
Sem qualquer like ou comentários
Em seus status!
Que todo wi-fi abençoe
E encha a casa
De conteúdo pífio
E fakenews.

Amém

Fabiano Favretto

terça-feira, 5 de junho de 2018

Tocante

O violino tocante
Agora neste tempo,
Me dá ar neste instante
E também me dá contento.

O som, um paradoxo,
Faz minha existência se esvair,
Não de modo ortodoxo
Ao fazer meu peito contrair.

As cordas e o arco,
Falta saliva em minha boca!
Neste rio musical, um barco,
Navega sôfrega a minha voz rouca.

Fabiano Favretto

Sonos e monstros

Não há razão.
Os monstros
Que em mim habitam
Se criam
À penumbra de minha lucidez.
O sono da razão
É a liberdade
De todas as feras
Que de mim são feitas.
O sonho da razão
É a meta que não alcanço,
E meus fantasmas
Se aproximam
Enquanto desfaleço.
Sobre esta mesa,
Meu corpo é inerte
Assim como meus pensamentos.

Fabiano Favretto



segunda-feira, 4 de junho de 2018

Desde que

A felicidade se encontra do outro lado da ponte,
Desde que ela não caia.

Fabiano Favretto

Este é um deles

Alguns poemas meus
São carne moída:
Servem somente
Para eu encher linguiça.

Fabiano Favretto

Ais as

Ideais,
Ideias.
Jamais
Tolas.

Fabiano Favretto

As ais

Ideias,
Ideais.
Tolas?
Banais.

Fabiano Favretto

Banquete e subterfúgio

Colocaram minha cabeça
Em um prato de prata
E em volta dela, meus pensamentos!
Nunca poderia achar
Que se comiam ideias
E de sobremesa, ideais.
Meu cérebro com gosto degustado 
Foi em mordidas breves acabado.
Não restando nada mais,
Devolveram minha cabeça
Livre de qualquer ímpeto.
Agora desses vazios banais,
Espero que a teimosia apareça.
Afinal, cabeça vazia
É oficina do capeta?

Fabiano Favretto


Nada a ver

Minha face
Tão defronte
Ao espelho
Explícito,
Explicitamente
Recuava
Ao reflexo
Convexo
Da minha
Retina
Que desatina
E não vê:
Nada a ver.

Fabiano Favretto

sexta-feira, 1 de junho de 2018

Cabelos, Rancores, Unhas, Raivas, Barbas e Ódios

Cabelos crescem
E às vezes caem;
Rancores crescem
E não se esvaem.
Unhas crescem
E são cortadas;
Raivas crescem
E são alimentadas.
Barbas crescem
E as aparam;
Ódios crescem
E não acabam.

Fabiano Favretto

Nunca fizeram

De contrastes e Destinos
Meus poemas
Não fazem sentido.

Fabiano Favretto

Vela Sol

Vela
Sol.
O vento
Assopra,
Apaga
Vela
Sol
Com
Uma
Nuvem.

Fabiano Favretto

Shit, but Gold

Merda e ouro.
Tão diferentes,
Tão parecidos:
Há quem mate
Por qualquer merda,
Há quem faça merda
Por qualquer ouro.
Merda para uns,
Ouro para outros.
A merda do vizinho
É sempre mais dourada.
O ouro do vizinho
É sempre uma merda.
Merda é ouro,
Ouro é merda.

Fabiano Favretto

quinta-feira, 31 de maio de 2018

Misturas

Para a garota com flores no cabelo

Misture o tom da flor
Ao tom de teus ruivos cabelos,
Pois ambos tons são tão belos,
Tão belos como o amor.

Misture o tom de teu olhar
Ao tom de minha boca trêmula,
Que finos (ledos?) versos simula
Afim de poder te agradar.

Mas não misture o tom de tristeza
Que tens carregado até então,
À tua tão nobre delicadeza

Pois nesse seu coração
Não poderá caber com certeza
Maldade, nem solidão.

Fabiano Favretto

terça-feira, 29 de maio de 2018

Fontes alternativas

O alto preço de você,
Meu combustível,
Fez com que eu buscasse
Fontes alternativas
Para abastecer
Meu coração.

Fabiano Favretto

Métricas

Minha produção Literária
É proporcional
Ao meu sofrimento,
Não de maneira arbitrária,
Mas equacional
Ao meu desalento.

Fabiano Favretto

Inconsistência

A inconsistência do meu mês
Foi tamanha e desenfreada
Que parece ter passado mais de uma vez.

Fabiano Favretto

Gritos

Que nenhuma boca se cale por força,
Que nenhuma boa ideia seja suprimida.
Que os campos ainda tenham flores
E que a liberdade seja garantida!

Que o fraco seja fortificado,
E que o faminto não passe fome.
Que a força seja somente um estado
Para avivar a liberdade do homem!

Que nenhuma intervenção possa prender
A voz que a nós é garantida:
Não poderão para sempre repreender
A voz que em nosso peito está contida!

Que os canhões atirem ferro e brasas,
E que o estouro seja alto e derradeiro!
Poderão atirar todos, mas não cortar as asas
De quem tem voz e alma de guerreiro.

Que nada altere o direito
De falar o que o pensamento instiga...
Poderão eles querer nos calar, com efeito,
Mas sabemos que acabará em briga!

Que nenhum grito se contenha
Por forças externas em represálias.
O brado da liberdade se engenha
Porque a dor já não é necessária.

Fabiano Favretto


Silêncio

Quero o silêncio,
Mas não o silêncio derradeiro.
O silêncio que será meu,
Não será por motivos terceiros,
Mas por querer tê-lo
Indiferente daquilo que é seu.

Fabiano Favretto

quinta-feira, 24 de maio de 2018

Voodoo de Grilo



Me encontro entre alfinetes:
Como é que me inspiro?
Não procuro mais tanta gente...
Me fizeram um voodoo de grilo.

Minhas 6 patas não mais as sinto,
E minhas antenas foram arrancadas.
Não resultará em coisa boa - pressinto;
O que acontecerá quando vier a madrugada?

Estou num retrocesso metamorfósico
Que de inseto estou virando humano,
Dotado de alma sem propósito
Revertendo o estilo kafkiano.

E agora tenho mãos tão estranhas
Que tocam pessoas, mas não me tocam
Por serem singularmente vazias
E assim meus interesses se chocam!

Me encontro entre gentes
E não me sinto nada tranquilo...
A vontade de fuga vem eloquente:
Me fizeram um voodoo de grilo.

Fabiano Favretto



domingo, 13 de maio de 2018

quarta-feira, 9 de maio de 2018

Sossego

Meu pé está gelado,
Também minhas mãos e braços.
Meu peito está gelado!
Estarei eu morto?
Ou estarei somente
Um tanto sossegado?

Fabiano Favretto

terça-feira, 8 de maio de 2018

domingo, 6 de maio de 2018

Pra pqp

O amor não existe,
O amor nunca existiu.
Se acaso você discorda,
Vá pra puta que o pariu!

Fabiano Favretto

Soneto do iludido

Você foi miragem
No meu deserto escaldante,
Como um oásis delirante:
Me deu até coragem.

Corri como um iludido
Afim de tuas águas encontrar.
Não foi de se admirar
Que fiquei tão deprimido.

É normal na carência
Esquecer-se de viver,
E viver fora da ciência

De que preciso ter
Para arrumar paciência
Para poder te esquecer.

Fabiano Favretto

Soneto do alucinado

Enquanto toda esta pátina
Está envolvendo meu coração,
(Por causa da saudade, em ocasião)
O tempo da vida amarela toda página.

Não sou capaz de submeter-me
A mais um domingo sombrio,
Sem que esteja definitivamente ébrio
Afim de não sentir-me um verme.

Perante toda a indiferença,
E durante todo esse estado
Não tenho nada que me convença

Fugir desse sentimento desesperado
Que talvez (com certeza) me vença,
Me deixando ainda mais alucinado.

Fabiano Favretto


Tédio recorrente

Tédio que se instala
No meu peito
Na minha sala
De um jeito
Que me abala

Fabiano Favretto

quarta-feira, 2 de maio de 2018

Manuscrito da vida

Do livro que possuo derradeiramente,
Você é a mais bela iluminura
Que me encanta de forma eminente
E sana meu triste problema de leitura.

Fabiano Favretto

domingo, 29 de abril de 2018

De frente

Encarei este domingo de frente
Porque sei que não seria diferente
Mesmo estando tão doente
Não escaparia a um domingo deprimente.

Fabiano Favretto

Quem será?

Se eu pudesse escolher
Quem eu sou,
Quem eu seria?
Ou melhor,
Se eu pudesse escolher
Quem eu seria,
Quem hoje eu sou?
Se eu pudesse escolher
Ser qualquer um
Além de eu mesmo,
E encontrasse alguém
Que seria
Igual hoje eu sou,
Olharia em meus próprios olhos,
Ou desviaria os olhos
Para o chão?
Se eu pudesse escolher
Quem eu seria,
Poderia outro
Escolher ser
Quem eu sou?
Hoje somente sou.

Fabiano Favretto


segunda-feira, 23 de abril de 2018

Calamidade

Por que de um minuto ao outro
Meus sonhos que em largos tempos
Demorei infundir (reprimindo contentos),
Se esvaem como poeira ao vento?

É tanta derrota que um tropeço
E um dedo rachado são apenas 
Mais um episódio tosco
Da minha vida de amenidades.

Fabiano Favretto


A garota com quem sonho

A garota certa para mim
Certamente virá algum dia,
Ou será que eu deveria
Procurá-la até o fim?

Ah, a garota perfeita
Que me fará feliz...
Algo aqui me diz
Que para mim ela foi feita.

A garota com quem sonho
Não sei que rosto terá,
Mas a mim mesmo proponho

Que meu coração a acolherá,
E não haverá nada de estranho
Pois surgir o nosso amor irá.

Fabiano Favretto

sexta-feira, 20 de abril de 2018

Sem música

O tango nunca dançamos
E a valsa não valsamos
Afim de tramar a trama
Que nunca tramamos.

Fabiano Favretto

Soneto Inconsciente

Estou acumulando
A necessidade de destruição
A entropia, inanição
De tudo que está chegando.

Big bang
De meu cérebro na calçada
De meu estômago na calçada
De meu coração na calçada:

Tenho mais órgãos
Cá fora, no chão,
Do que em mim.

Preciso de mais espaço
E agora são as palavras que saem...
Mas estas nunca acabam!!

Fabiano Favretto

Dimensão alheia

O inferno dos alienados
É o paraíso
De quem está disposto
A pensar.

Fabiano Favretto

quinta-feira, 19 de abril de 2018

E que o prazo de devolução seja mais que uma semana

Cada poema perdido
É uma alma que não se salva.
Cada poema lido
É uma alma que se corrompe.
Ora, meus irmãos,
Espero que no inferno
Existam muitos livros.

Fabiano Favretto

Falta de fé

A todo momento digo adeus
A todo momento digo a Deus
Leve-me!
Leve-me!
Estou aqui ainda.

Fabiano Favretto

Ontem tão presente

Por dentro estou podre
Igual a um pinhão
De casca rubra reluzente.
Comigo ninguém pode
Ter compaixão
Por não estar só doente.

Por dentro estou morto
Igual a um caixão
De madeira rubra reluzente.
Comigo não me importo,
Não tenho condição
De encarar o meu presente.

Fabiano Favretto

Sertão coração

Um ser tão desprovido de graça.
Um ser tão provido, desgraça.
Um sertão desprovido de graça.
Um sertão provido desgraça.

Fabiano Favretto

Outra estação

Caminhar entre tanta gente
Caminhar sozinho entre esta gente
Que não olha nos olhos,
Que olha somente para o solo.
Em meio a tanto movimento
Pessoas saem, pessoas só saem
E não saem de seus mundos
Tão necessáriamente individuais.
Por dentro, sou uma árvore
Com galhos secos,
E é inverno aqui fora.

Fabiano Favretto


segunda-feira, 16 de abril de 2018

Rugidos castanhos

Para Kauane

As histórias da terra
E seus olhos castanhos
Não soam estranhos:
São flechas numa guerra.

Não fosse esse mar de gente
Ou essa falta de serenidade,
Talvez a tua (ou minha) ansiedade
Não fosse tão aparente.

Há quem diga que o tempo nos mate,
Há quem diga que o vento nos chame.
Há laços que pelo sangue desatem,

E laços alheios para que se ame.
Olhos, me olhem ou me enganem!
Tens aquilo que em meu peito brame.

Fabiano Favretto

sábado, 14 de abril de 2018

Vais ia

Se vazia
A vasilha,
Se esvazia
Se ilha.

Fabiano Favreto

Soneto da vida vazia

Mais uma vez acabo
Numa noite sozinho,
E o som do vazio
É que me dará cabo.

Não tenho forças,
Não tenho esperança:
Não haverá mudança.
Haverão forcas?!

Não haverá madrugada
Não haverá noite ou dia,
Não haverá alvorada

Nessa vida vazia
Cheia de nada
Haverá poesia?

Fabiano Favretto

sexta-feira, 13 de abril de 2018

Não vi nenhum gato preto

Doce sexta 13
Doces 13 sextas
13 sextas doces
Sextas, doce 13

Fabiano Favretto

Talvez depois eu entenda

Não sabia se era prisão
Ou se era saudade.
Não sabia se era um não
Ou se era liberdade.

Fabiano Favretto

segunda-feira, 9 de abril de 2018

Casquinha com duas bolas

Tão líquido nosso amor,
Sua frieza faz
Picolé do meu sangue,
Gelatina do meu cérebro
E sorvete do meu coração.

Fabiano Favretto

segunda-feira, 26 de março de 2018

Roll

Toda Pedra
Quebra.
Toda Queda
Engendra
Uma brecha
Para aquela
Pedra
Poder rolar.

Fabiano Favretto

Choremos

A falta de sensibilidade
Que ainda nos falta
É a ferida mais alta
A assolar a realidade.

Quais pedras brutas,
Não lapidadas por medo
De sucumbir ao enredo
Dessa sociedade fajuta,

Queremos mostrar coragem
E afirmar o que não queremos,
Para que não nos reparem

Em meio à tantos erros.
Faço um apelo sem ultraje:
Homens, agora, choremos.

Fabiano Favretto

sábado, 24 de março de 2018

Escrita à lápis

Poesia é a minha
Carta de alforria.

Fabiano Favretto

Diálogo

- E aí filho da puta! Beleza?
- Faaala se pau no cu! Firmeza?
- Há quanto tempo seu arrombado! Como vai a família?
- Vai bem, seu lambe saco. E a sua?
- Bem também! To meio com pressa... preciso ir. Falou, seu cuzão!
- Abraços, seu bosta. Apareça sempre!

Fabiano Favretto

Ensinando

A ressaca
É a minha
Realidade.

Fabiano Favretto

Aprendendo

A ressaca
É melhor
Que a minha
Realidade.

Fabiano Favretto

De olhos fechados

Na mesa todas as armas que me matariam:
Uma faca, um revólver e um retrato seu.

Fabiano Favretto

Favores

Afinal qual o propósito dos dias,
Senão passarem para encurtar a nossa vida?
Cada dia é um novo favor.


Fabiano Favretto

Etílico

Poderia ser whisky, ou então
Cachaça neste sábado.
Tomaria vodka de bom grado
Ou cerveja de litrão.

Por favor não me deixe
Ficar sóbrio esta noite,
Quero destruir minha mente,
Até que meu fígado se queixe.

Poderia tomar catuaba, jurupinga,
Corote ou o diabo que o valha!
Quero queimar como fogo de palha
Morrer dentro de um copo de pinga.

Só não me deixe pensar essa noite
Na minha vida miserável,
Quero fugir da realidade implacável,
Escapar desses malditos açoites.

Quero derreter literalmente
Entre substâncias etílicas degradantes,
Que me tornarão de maneira deliberante
Um ser sem dignidade, um demente.

Fabiano Favretto