terça-feira, 28 de agosto de 2018

Agouro

Na escura estrada
Como de costume,
A noite em negrume
Fazia-se instaurada

Em baixa velocidade
Estava eu a dirigir
E meu peito a digerir
Os fantasmas da realidade.

Hey Bulldog era a música que ouvia
Enquanto a chuva aumentava.
A estrada se encharcava
E meu medo só crescia!

Ouço lampejos e raios iluminam,
Enquanto o som posterior,
Hades, deus do mundo inferior
E Zeus, batalhas iniciam.

No semáforo fechado
Sinto presságio de má sorte:
Aquele que me anuncia a morte,
Com olhar tenebroso, velado

Estava em meio a rua,
De sangue, faminta a sua boca
Que aberta, quase pouca
Ofegava maldade pura.

Era um cão que se aproximava,
Em seus passos inaudíveis
Me causavam medos indizíveis
Ao passo que o fim se aproximava.

A um metro de distância ele estava
Enquanto um clarão no céu surgiu.
Aquela imagem demoníaca sumiu
E acelerei enquanto o sinal mudava.

Respirei aliviado enquanto dirigia,
Mas a imagem desse cão
Não sei dizer por qual razão
Em minha cabeça permanecia.

Cheguei em casa, e estacionei.
Dentro do carro permaneci,
E assim quase me esqueci
Que os faróis não desliguei.

Olhei para o painel de modo trivial,
A quilometragem marcava
O número da besta, mas achava
Ser uma coincidência ocasional.

Os faróis eu desliguei,
E retirei a chave da ignição,
Mas quando surgiu um clarão
Novamente paralisei.

Pelo reflexo do retrovisor,
Vi a malévola silhueta canina
No banco traseiro, o odor da saliva
Seu hálito de morte exalando horror.

Fabiano Favretto



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