sexta-feira, 25 de julho de 2014

Deleite

Nefasto,
Olhava o obtuário.
Passatempo mórbido.
Sorriso plácido.
Seu deleite era ordinário,
Irônico e sádico.

Contava a dedo
Quais daqueles lhe pertenciam.
Quando nada encontrava,
Seus nervos entorpeciam.
Sumia o sorriso louco,
Impaciência é o que havia.

A pá suja,
Debaixo da cama.
Profissão para poucos
É estar metido na lama.
Os ossos impressionavam:
Nada de fazer drama.

Chega o dia esperado:
A pá no chão faz cavidade.
Suor na testa
E força de vontade.
Sete palmos bastam
Para a eternidade.

Vida de coveiro
É irônica e trágica.
Enterra um e enterra outro.
Vida longa antropofágica
Tal quais os vermes
Em sepultura antológica.

Fabiano Favretto

2 comentários:

  1. Muito interessante esse poema! Gostei! Meu TCC vai falar de profissões ligadas à morte. Uma delas é a do coveiro (sepultador).

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    1. Poxa, que bacana!
      Espero que se saia bem em seu TCC (:

      Agradecido pela visita.

      Abraços,
      Fabiano Favretto.

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