domingo, 28 de julho de 2013

Crônicas de um Caipira #3

- E ocê péga esse saco de mío e carréga até o paió!

- Mas .. Tio!

- Ô subrinho! Força nas pacuera! Só purquê vóis mecê é da cidade grândi nãum qué dizê que não tem força! Vamo, vamo!

- Poxa Tio! Aff! Mas só dessa vez!


E o garoto some na baixada com o pequeno saco de milho em suas costas, e  rapidamente entra no paiol.


-Esses minino da cidade! Tudo molenga que nem palanque no banhado! Não é não, Nhô Chico?

-Se nóis precisasse de modo que esses minino impreitasse na roça.. Nóis murria de fome!

-E não é memo?

-Tudo esquisita essas gente da cidade.. Óia o cabelo do imundice! Tudo na cara! Garanto prá vois mecê que ele não enxerga um parmo na frente do zóio!

-Vai vê ele gosta daquele tar de Diústin Bíbar.. 

-Ou daquele que canta.. NOSSA! NOSSA!

-...Assim ocê mi mata?

-Não, não! (tom de apreensão)

-... Aí se eu te pégo!

-NÃO!

- Então cumé que é? 

-Se ocê naum saí daí, quem vai te pegá é aquela Cascavé !

- Êloco! Sartei de banda!


Nhô Chico puxa a garrucha da cinta e atira na cascavel!


-Deitô na fumaça!

-E não é memo?

- Que tar que cobra criada! Vâmo levá pra casa pra tirá o guizo e o coro dela pra vendê!

-Ô se vamo!


Eles pegam a cobra morta e seguem para casa. Logo a noite cai.


-Tio! Cadê você? Já está tarde! Alguém? Alôô!


O menino fica sozinho e decide dormir ali mesmo abaixo de uma grande árvore.


- O jeito é eu ligar meu MP3 e escutar música até dormir..  aproveito e vejo as músicas que meu primo me passou!



"Você talvez não conhece, o veneno que as cobras têm.

Pois elas quando dá o bote balança o guizo também. 
A cascavel é traiçoeira, quando ela quer se vingar, 
Balança o guizo contente na hora dela picar. 
A urutu é perigosa, de ruim não se manifesta.. ♪♫" *



-Pensando bem, melhor não! Vai que tem uma cobra...

Fabiano Favretto


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