sexta-feira, 23 de janeiro de 2015

Paranaense

Da terra que tem pinhão,
De lá eu sou nativo,
O Paraná, estado querido,
Eu levo no coração.

Da erva-mate ao café,
O Paraná tem suas riquezas,
O céu, o mar e até
Um simples lugar tem beleza.

Paraná dos três planaltos:
São grandes as histórias,
E maiores as memórias
Que aqui já se passaram.

Paranaense eu sou,
E paranaense ainda vou ser.
Mesmo que a vida se finde:
Paranaense até depois de morrer.

Fabiano Favretto

quinta-feira, 22 de janeiro de 2015

Fogão à lenha

Fogão à lenha,
Que saudade me dá!
De quando menino,
Tempo de piá.

Quantas histórias
De terror já contadas...
Quantas as horas
Ao seu lado passadas?

Tempos queimados
Como a lenha em brasa
Mas que ainda estão guardados
Em minha memória vasta.

És tu, fogão,
Parte de minha infância.
Uma parte que até então
levarei como lembrança.

Fabiano Favretto

quarta-feira, 21 de janeiro de 2015

Ressaca

Vinho
Bem de longe,
Trazido
Aos montes
Nestes caminhos
De chão
Batido:

Vinho
que eu gosto,
Venha
Que eu tomo
Uma taça,
Em companhia
Cheia de graça.

Dividimos
Garrafas
Em bebedeiras
Desordenadas.
No sereno dormimos
Esperando 
Que o vinho
Não deixe ressaca.

Fabiano Favretto

terça-feira, 20 de janeiro de 2015

Todo dia

As folhas do teu corpo
Varridas pelo vento
De meu sopro.
Todo dia
Poderia ser outono.

Fabiano Favretto

segunda-feira, 19 de janeiro de 2015

Certeiro

Se um sorriso de canto
Diz tanto,
Quem dirá um sorriso inteiro..
Deve ser tiro certeiro.


Fabiano Favretto

quinta-feira, 15 de janeiro de 2015

Preâmbulo às batidas do coração.

Se pensas em não sofrer,
Fortemente o amarre.
Se isso estranho lhe parecer,
Ao menos se prepare:

Pode ser que às vezes ele descompasse
Do ritmo comum de ser humano
Batendo num ritmo frenético de enlace
De um amor sujo, quase profano.

Se pensas em viver,
Não dê corda nesta máquina.
Mas se acaso acontecer,
Faça do azar peça pequena:

Pode ser que as engrenagens enferrujem
Ao simples toque de ódio sincero
Soltando peças que como leões rugem
Desgastadas em sofrimento eterno.

Se pensas em crescer,
Admira-me seu otimismo.
Se a pressa a ti vencer,
Avisarei da vida o cinismo:

Pode ser que no interior, seja frio o coração
Batendo em marcha lenta, manca e bucólica
Até que o amor que faz sofrer, torne-o então,
Rápido, quente e impreciso: marcha simbólica.

Fabiano Favretto

Aceitei

No banco da praça,
Estava ela
Tímida e silenciosa.

Me aproximei
E pedi licença.
Ao seu lado me sentei.

Olhei para ela
E ela me olhou.
Era triste e bela.

Naquele instante
A abracei.
Eu estava confiante.

Naquele comento inconstante,
Abracei a minha
Solidão sempre presente.

Fabiano Favretto