sexta-feira, 6 de novembro de 2015

Dono do medo

Eu, mestre da desistência,
Torno-me no dia-a-dia
Por motivo de minha essência
O verme mais medroso,
Sem a víbora sabedoria
E dono de um penar canceroso.

Eu, poeta do desequilíbrio,
Dono do medo em singularidade
Julgo qualquer tola dificuldade
Ser a razão para a perda do brio.

A desistência da complexidade,
Julgar-me tolo à luz do saber.
Precisar, desisto de verdade!
Não preciso o motivo compreender.

Eu, desertor assíduo da luz,
Sou servo da rotina sagaz
Onde a estagnação reluz
E a falsa felicidade traz.

Ai de mim se publicar estes versos!
Sinto medo do que possam pensar;
Podem ser pensamentos perversos.
Pode ser. Desisti de contestar.

Fabiano Favretto

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