segunda-feira, 18 de abril de 2016

É osso

Não mais haverei
De queixar-me
Da dureza do osso
Da minha vida;
Buscarei talvez
Aproveitar o sabor
Que nele resta,
O sabor que outrora
Foi de
Carne de primeira.

Fabiano Favretto


2 comentários:

  1. E que de agora
    Só encontro no velho tutano
    Hei de então me agarrar a ele
    Como um Saturno na tíbia de um filho
    Roendo e consumindo os próprios dedos
    Desejos
    Junto ao tempero amarelo da destemperança

    Por fim
    Cavar um buraco bem fundo
    Uma cova pra um
    Para dois
    Ou duzentos e seis mais.

    "J"

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    Respostas
    1. Nem que Cronos devore
      Todos os deuses (filhos?) do Olimpo,
      não haverei de queixar-me.
      Tampouco, recorrerei à medula,
      fabricante de meu sangue
      que vulgarmente circula pelo meu corpo.

      Por fim,
      Se for fim,
      Desejo uma cova larga
      E alguns anjos de mármore.
      Nada mais.

      Abraços,
      Fabiano Favretto

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