sexta-feira, 4 de março de 2016

Ao motociclista morto

No asfalto rígido e sujo,
Jaz um pobre motociclista.
Não sei quem é o dito cujo,
Quem foi tal motorista.

Pela janela do ônibus,
Olhares curiosos
Com uma espécie de ônus
E argumentos jocosos.

Algumas frases soltas
Sobre violência no trânsito.
Disseram "esse já eras"
Em tom um tanto aflito.

Uma senhora faz o Nome do Pai.
Deve ter filho motociclista;
Quem sabe o sujeito não era pai,
Quem sabe não era artista?

Num breve passar de quadros,
Chocadas as pessoas observam.
Um anônimo, o silêncio no brado
A vida que esvai-se. Choram.

E a viagem segue em frente,
Mas creio que o motociclista não.
Foram embora todas as gentes
Mas meus olhos ficaram ao chão.

O rio triste de sangue vermelho,
As imagens de uma infeliz viagem.
Seja jovem, adulto ou velho,
Na minha memória ficará esta imagem.

Fabiano Favretto

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