quarta-feira, 28 de maio de 2014

Réquiem para as nuvens

Mortas estão as nuvens:
Vão vagando
Em marcha fúnebre,
Se aproximando
Da cova lúgubre
Enquanto o dia vai findando.

Como velas acesas
As estrelas no céu
Homenageiam o fim.
Há tanta tristeza,
Que no alto o véu
Rasga-se enfim.

Cai sobre todos
Como lágrimas geladas:
O céu chora pelos tolos
De almas degradadas.
Rastejam os loucos
Para a derradeira cilada.

O que outrora houve
De macia alvura,
Tornou-se som gruve
De grande amargura.
Há ainda quem busque
No céu qualquer figura?

Fabiano Favretto

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