quinta-feira, 19 de abril de 2018

Ontem tão presente

Por dentro estou podre
Igual a um pinhão
De casca rubra reluzente.
Comigo ninguém pode
Ter compaixão
Por não estar só doente.

Por dentro estou morto
Igual a um caixão
De madeira rubra reluzente.
Comigo não me importo,
Não tenho condição
De encarar o meu presente.

Fabiano Favretto

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