sexta-feira, 12 de junho de 2015

Cerol


Cruzam-se os palitos,
E a linha trançada delineia a armação.
Simpatia de malandro e a textura da seda
Preenchem os espaços definidos pelo fio.
Pica-se a sacolinha de mercado,
E prendem-se as fitinhas no fio.
Rabióla grande está pronta.
Faz-se o compasso
E envergam-se as arestas superiores.
Anexa-se a rabióla ao corpo
E prende-se a linha ao compasso.

Após tudo pronto,
Atenta-se ao vento
E ao menor farfalhar das árvores
Dá-se vida e espírito à pipa.

Levanta vôo, mas no céu,
Pipa sem cerol é presa fácil.
Segundos após estar nas alturas,
Percebe-se a pipa indo embora.
Moleques correm atrás aos brados e risadas
Na esperança de resgatar a pipa que cai.

O menino nada diz: 
Somente olha
Triste, pálido
O céu
Ao recolher a linha,
Enrolando-a
Na lata de achocolatado.

Fabiano Favretto

quinta-feira, 11 de junho de 2015

Farei amor

Farei amor
Com um amor já feito.
Feito é o meu amor.
Amo o amor eleito.

Amar a amada,
Amando que se ama.
Amor, poesia declamada;
Amor feito na cama.

Fabiano Favretto


quarta-feira, 10 de junho de 2015

Não entram

Meus olhos olham e olham
Mas meu cérebro não se importa.
Apenas fragmentos inúteis restam.
As informações batem e batem na porta.
Insistem, insistem - mas não entram.

Fabiano Favretto

Invenção

O que alguns chamam de desespero,
Eu chamo de sublime tempo de invenção
Onde na vida criam-se temperos
para evitar uma tragédia, decepção.

Na verdade, se o desespero é presente,
A tragédia já fez-se como causa.
Mas a decepção é ainda ausente
Se a falta de esperança não me arrasa.

Fabiano Favretto

segunda-feira, 8 de junho de 2015

Açucarada

Seus lábios já beijei
Uma delícia açucarada.
E de mel me lambusei
Louca fome saciada;
Em ti eu me joguei
Não esquecerei de nada.

Fabiano Favretto

Esconde-esconde

Poesia,
Por que és assim?
Não deverias
Esconder-se de mim!

Fabiano Favretto

sexta-feira, 5 de junho de 2015