sexta-feira, 30 de maio de 2014

Realmente

Realmente tento,
E tentando me desfaço.
Me desfazendo
Me despedaço.
Despedaçando-me,
Desespero-me.

E tento em vão
Quebrar a mim,
Mas somente quebro
Meu coração.

Fabiano Favretto

Alvorecer

Pensar,
Pensei.

E de tanto penar,
Acabei
Por sonhar.

Comecei
A vagar,

E terminei
A cantar,
Quando fitei
O triste luar.

Acordar,
Acordei.

E de tanto sonhar,
Acabei
Por penar.

Comecei
A pensar,

E cantei
Ao terminar,
Quando fitei
O dia alvorar.

Fabiano Favretto

quarta-feira, 28 de maio de 2014

Réquiem para as nuvens

Mortas estão as nuvens:
Vão vagando
Em marcha fúnebre,
Se aproximando
Da cova lúgubre
Enquanto o dia vai findando.

Como velas acesas
As estrelas no céu
Homenageiam o fim.
Há tanta tristeza,
Que no alto o véu
Rasga-se enfim.

Cai sobre todos
Como lágrimas geladas:
O céu chora pelos tolos
De almas degradadas.
Rastejam os loucos
Para a derradeira cilada.

O que outrora houve
De macia alvura,
Tornou-se som gruve
De grande amargura.
Há ainda quem busque
No céu qualquer figura?

Fabiano Favretto

terça-feira, 27 de maio de 2014

Pinicando

Deus inventou a camiseta
E o Diabo, a etiqueta.

Fabiano Favretto

Reclames

Minhas poesias
São tímidas.
Na verdade,
São envergonhadas.

Pouco aparecem
Ou se manifestam.
Quando "dão as caras",
Como é difícil capturá-las:

Geralmente estou no ônibus
Sem papel
Ou qualquer outro meio
De registro.

Comprei um caderno,
Mas não é o suficiente.
Quando a ideia surge
"PUF!" já sumiu.

Chego em casa
E forço a memória.
Se não fosse minha teimosia,
Eu nada haveria escrito.

Tento, invento
E remendo algumas ideias.
No fim é este o resultado:
Os reclames de um teimoso.

Fabiano Favretto

"Quem vive de passado é museu"

Tenho passado muito lá no museu,
Tenho muito passado lá no museu.
Lá no museu eu passava.
Passei no museu com passos rápidos.
Passei no museu no passado.

Fabiano Favretto

segunda-feira, 26 de maio de 2014

Basico

Qual o incentivo
Que o trabalhor tem
Em um país
Onde pilantra se dá bem?

Fabiano Favretto