terça-feira, 6 de fevereiro de 2018

Adstringente

Não me basto
Em mim mesmo;
Eu sempre esmo
De mim me afasto.

Não posso ser feliz comigo,
Não sei em mim ver felicidade.
Sendo feito de ansiedade
Não sei ser o meu amigo.

Não me completo
E me amar não posso
Por ser um poço
De desafeto.

Não me estimo,
E não me gosto;
Se vejo meu rosto
Me desanimo.

Deus, eu não me amo
Como poderei amar alguém
Se nem mesmo me convém
Aceitar o meu âmago?

Fabiano Favretto

Nenhum comentário:

Postar um comentário