segunda-feira, 4 de junho de 2018

As ais

Ideias,
Ideais.
Tolas?
Banais.

Fabiano Favretto

Banquete e subterfúgio

Colocaram minha cabeça
Em um prato de prata
E em volta dela, meus pensamentos!
Nunca poderia achar
Que se comiam ideias
E de sobremesa, ideais.
Meu cérebro com gosto degustado 
Foi em mordidas breves acabado.
Não restando nada mais,
Devolveram minha cabeça
Livre de qualquer ímpeto.
Agora desses vazios banais,
Espero que a teimosia apareça.
Afinal, cabeça vazia
É oficina do capeta?

Fabiano Favretto


Nada a ver

Minha face
Tão defronte
Ao espelho
Explícito,
Explicitamente
Recuava
Ao reflexo
Convexo
Da minha
Retina
Que desatina
E não vê:
Nada a ver.

Fabiano Favretto

sexta-feira, 1 de junho de 2018

Cabelos, Rancores, Unhas, Raivas, Barbas e Ódios

Cabelos crescem
E às vezes caem;
Rancores crescem
E não se esvaem.
Unhas crescem
E são cortadas;
Raivas crescem
E são alimentadas.
Barbas crescem
E as aparam;
Ódios crescem
E não acabam.

Fabiano Favretto

Nunca fizeram

De contrastes e Destinos
Meus poemas
Não fazem sentido.

Fabiano Favretto

Vela Sol

Vela
Sol.
O vento
Assopra,
Apaga
Vela
Sol
Com
Uma
Nuvem.

Fabiano Favretto

Shit, but Gold

Merda e ouro.
Tão diferentes,
Tão parecidos:
Há quem mate
Por qualquer merda,
Há quem faça merda
Por qualquer ouro.
Merda para uns,
Ouro para outros.
A merda do vizinho
É sempre mais dourada.
O ouro do vizinho
É sempre uma merda.
Merda é ouro,
Ouro é merda.

Fabiano Favretto