terça-feira, 19 de outubro de 2021

Vidro

Pintei vidro

Na tinta a óleo.

A taça quebrou

E a tinta vermelha

De vinho

Escorreu pela tela.


Fabiano Favretto

segunda-feira, 18 de outubro de 2021

quinta-feira, 7 de outubro de 2021

Frase

Na fronte

A frase

Afronta,

E em frente

Frisando

Afrouxa.

A fria

Fruta

Defronta:

A franca

Se sofre,

Se Frustra.


Fabiano Favretto


quinta-feira, 30 de setembro de 2021

O medo

Recorro agora ao medo,

Sentimento tão contemporâneo.

Ele que cresce nas hachuras


Desenhadas em remendos

Do nosso tempo instantâneo,

Repletos de ranhuras.


O medo que não é só amarelo,

Mas também invisível e covarde

A ponto de pronunciar-se


Ao decorrer do menor pesadelo.

O medo chega sem alarde

Nos fazendo suplicar por catarse.


Ora, tão primitivo e essencial

É esta parte de nosso intelecto:

O medo do que não conhecemos


Tem sido na evolução, crucial,

Em seus diversos aspectos.

O que acontece quando morremos?


Mas talvez o medo

Seja diferente da covardia.

Por detrás do medo há uma defesa,


Enquanto da covardia o enredo

É uma fajuta alegoria

Para o caçador que se torna presa.


O medo é nobre em sua essência,

Pois não é antônimo da coragem.

Há corajosos que por natureza


Não trazem em si sapiência,

Os atos carecem de pairagem.

Traz o medo, em si, a delicadeza.


O medo arrebatador

Nos paralisa e nos move.

O medo do que virá é certo,


E nem por isso é desmotivador.

O medo ao certo nos comove,

Há muito medo sob esse céu aberto.


Este velho amigo

Que é digno de tantos receios

Terei um dia melhor compreendido.


Seja na bonança ou no perigo,

Seja em quais forem os meios

O medo estará sempre comigo.


Fabiano Favretto



sábado, 7 de agosto de 2021

Letras capitãolares

Flores são belas

Onde quer que elas nasçam.

Ruas estão em algum lugar

Ainda que não levem a lugar algum.


Brincadeiras sem graça alguma

Oneram o sentido da piada:

Leis são somente palavras

Sem qualquer validade.

Onde reside o rei cego?

Nada contra a correnteza da vida,

Afoga-se em leite condensado.

Rezemos para que larguem

Os ossos que talvez sobraram.


Fabiano Favretto

Estrelas cai-dentes

As estrelas são dentes de leite

Que estão prestes a cair

Em qualquer lugar

Da Via Láctea


Fabiano Favretto

Verde musgo

A minha janela cujas madeiras 

Foram surradas pelos dias,

Criou com resiliência 

Musgos em suas ombreiras.


Olhei com certa curiosidade

Até onde os musgos apareceriam,

E vi que de verde toda a canaleta cobriam;

A janela estava travada com propriedade.


De que maneira havia ignorado

O avanço desta força oxidante?

Percebi estar diante

Da ausência do abrir, jamais executado.


Que falta me faz essa liberdade!

Que falta faz o ar que não mais entra.

O verde-musgo é a ferida que hoje marca

A minha janela nunca mais aberta à tarde.


Fabiano Favretto