E o que escrever?
Dizer o que vivi
Ou não vivi.
Já ouço os fogos,
Precoces.
Procuro minha lista de metas,
Cumpri poucas.
Essa ansiedade latente
Do que está por vir
Não acabará esse ano.
Fabiano Favretto
E o que escrever?
Dizer o que vivi
Ou não vivi.
Já ouço os fogos,
Precoces.
Procuro minha lista de metas,
Cumpri poucas.
Essa ansiedade latente
Do que está por vir
Não acabará esse ano.
Fabiano Favretto
I have a clock — and you?
But see,
Nothing is as it seems.
If i enter and stay inside your
Heart, and you stay over me,
Will somebody know?
If you feel my pulsing clock,
And if I feel your heat…
But see,
Nothing is as it seems.
My time is so fast,
Your time is so slow.
Time is time,
And my clock works.
I have to hold it,
And shake it,
And spend time with you.
Nothing is as it seems.
I have a clock — and you?
But see,
Qual o propósito
De minha existência?
Eu faço diferença?
Não conseguirei mudar o mundo
Mesmo se eu tentasse.
Tenho medo da morte.
Não sei o que há além
Do sono derradeiro.
Não quero saber que vou morrer.
Não quero que doa
Se acontecer.
Viver já é tão difícil
E no entanto é tão bom.
A morte ninguém sabe,
Ninguém voltou.
Ninguém me disse
O que há do outro lado da parede.
E todos esses dias
Após dias
Vou planejando
Um dia
Que valha a pena viver.
Que esse dia chegue
E me traga esclarecimentos,
Para que em todo meu privilégio
Eu saiba como ao menos
Proceder.
Mas ainda tenho medo.
Quero viver.
Mas tenho medo,
Ansiedade
E pavor.
Será que preciso realizar mais?
Realmente preciso fazer a diferença?
Por que tanta carga?
Quero ser feliz
E quero as coisas simples.
Mas tenho medo
De não conseguir.
Fabiano Favretto
Ando tão dislexo
Que a cada passo
Inverto o trecho.
Se me desleixo
Quase transpasso
O chão de seixo.
Cada sílaba
Uma rocha,
Uma silada:
Tropeçada,
Canela roxa
Na calçada.
Fabiano Favretto