quarta-feira, 31 de dezembro de 2025

Latente

E o que escrever?

Dizer o que vivi 

Ou não vivi.

Já ouço os fogos,

Precoces.

Procuro minha lista de metas,

Cumpri poucas.

Essa ansiedade latente

Do que está por vir

Não acabará esse ano.


Fabiano Favretto

quinta-feira, 4 de dezembro de 2025

Nothing is as it seems

I have a clock — and you?

But see,

Nothing is as it seems.

If i enter and stay inside your

Heart, and you stay over me,

Will somebody know?

If you feel my pulsing clock,

And if I feel your heat…

But see,

Nothing is as it seems.

My time is so fast,

Your time is so slow.

Time is time,

And my clock works.

I have to hold it,

And shake it,

And spend time with you.

Nothing is as it seems.

I have a clock — and you?

But see,

Nothing is as it seems.


Fabiano Favretto


domingo, 19 de outubro de 2025

Ansiedade de estar vivo

Qual o propósito

De minha existência?

Eu faço diferença?

Não conseguirei mudar o mundo

Mesmo se eu tentasse.


Tenho medo da morte.

Não sei o que há além

Do sono derradeiro.

Não quero saber que vou morrer.

Não quero que doa

Se acontecer.


Viver já é tão difícil

E no entanto é tão bom.

A morte ninguém sabe,

Ninguém voltou.

Ninguém me disse

O que há do outro lado da parede.


E todos esses dias

Após dias

Vou planejando

Um dia

Que valha a pena viver.


Que esse dia chegue

E me traga esclarecimentos,

Para que em todo meu privilégio

Eu saiba como ao menos

Proceder.


Mas ainda tenho medo.

Quero viver.

Mas tenho medo,

Ansiedade

E pavor.


Será que preciso realizar mais?

Realmente preciso fazer a diferença?

Por que tanta carga?

Quero ser feliz

E quero as coisas simples.

Mas tenho medo

De não conseguir.


Fabiano Favretto










Grupo do condimínio

Treta,
Loucura,
Discussão.

Mas
Ninguém
Vai 
Na 
Assembléia.

Fabiano Favretto

segunda-feira, 6 de outubro de 2025

Disleixico

Ando tão dislexo

Que a cada passo

Inverto o trecho.

Se me desleixo

Quase transpasso

O chão de seixo.


Cada sílaba

Uma rocha,

Uma silada:

Tropeçada,

Canela roxa

Na calçada.


Fabiano Favretto