terça-feira, 12 de julho de 2016

Micro história #1

Era burro.
Andava de máscara,
Florete e capa.
O chamavam de Zurro.

Fabiano Favretto

Ka-Boom

N de navio
F de fogão
P de pavio
E de explosão.

Fabiano Favretto

sins

Sujeito 
Solitário
Ávido colecionador 
De "nãos",
Após ouvir 
Um sim
Desfez-se
De toda 
Sua coleção.

Fabiano Favretto

Pecaminosa

A fruta do pecado é a manga.
Nunca foi a maçã.
Manga, polpa, doce
Adoça toda amarga manhã.
A manga esconde mistérios,
E na língua conta segredos.
A manga dá água na boca
Cada mordida é um pecado.
A manga, fruto da luxúria
Por sob a casca esconde
Toda forma doce de volúpia.
E o caroço da manga,
Pronto para surpreender
Abaixo da polpa macia
Vive a se desprender.
A língua roça a macia superfície
E os lábios apertam com vontade
Gozando-se em cada nota
De profano paladar.
Ao olhar-se no espelho,
Contempla-se a boca lambuzada
Fiapos entre fortes dentes,
Doce mel, caldo pecaminoso
da doce fruta abusada.

Fabiano Favretto





quinta-feira, 7 de julho de 2016

Esquecido

Eu não sumi,
Eu não morri.
Eu somente,
Esqueci de escrever.
Pensando bem,
Eu morri.

Fabiano Favretto

domingo, 26 de junho de 2016

Mau gosto

Te mostrei todas minhas facetas,
E tu escolheu dentre elas
A que menos lhe agradava.

Fabiano Favretto

quarta-feira, 22 de junho de 2016

Ode à buriocracia

Entre papéis e mais papéis,
Carimbos que marcam ordens,
Rubricas e pilhas de checagens,
Parecemos todos réis.

Se somente não bastassem
As muitas filas que aumentam,
Estão as esperas que se sustentam
Em desculpas de primeira classe.

Mil formulários a preencher
E mil papéis a outorgar.
Mas é preciso revogar
Esta necessidade de não responder.

Milhares de processos acumulados
Na mesa daquele que assina.
É ele que sonhos assassina,
Sepultando-os num arquivo maculado?

Vários anos em espera,
Os dias tornam-se uma vida.
É uma via somente de ida
Que em certo ponto desespera.

Se o resultado vem algum dia
Não se exaspere, fique calmo.
Pode não ser aquilo o esperado
Pode ser sua fúnebre elegia.

Tanta complacência vazia,
Tanta espera pra nada:
É esta a significância nata
Da sórdida burocracia.

Fabiano Favretto