E me desdiz que o léxico
Deixa lastro
De disléxico que me é.
Fabiano Favretto
Desprender-me
Assim como uma folha faria,
E despencar-me
De um sonho
Em grande queda livre.
Do céu ao chão
Meu corpo é vento
Rompendo em ondas
De atrito e caos.
Fabiano Favretto
À minha companheira maravilhosa, Karoline.
Você sabe quando bate:
Um dia você está distraído
E pow!
Encontrou o amor de sua vida.
Não é escolhido, apenas bate.
Foge do controle,
Foge da essência da racionalidade.
Mas bate forte,
Mas tão forte,
Que chega doer.
Se causasse hematomas,
Seria eu uma berinjela.
Depois que você recebe a pancada,
Esquece de todas as outras dores.
Para quem batido foi de bom grado,
Certamente o que é mais porradas?
Bate forte como deve bater,
Mas sem nenhuma violência.
O amor bate com certeza
Na batida do sem doer,
E assim vai me batendo,
Todo dia, toda hora.
Latente, síncrono,
Em compassos periódicos
O amor na batida se aprimora.
Podem-se passar anos, décadas,
Que o amor continua me batendo no ritmo certo:
Tenho a melhor compositora.
Fabiano Favretto
Vivo eternamente no passado
Dos dias que um dia virão,
E mesmo assim despreocupado
Sinto que não piso no chão.
Pulo semanas em uma tarde,
Chega a noite e se foi o verão.
Um ano passa como se não
Fosse eu um covarde:
O tempo mesmo não se importa
Com todo esse desafinado alarde
Da vida involuntariamente torta
E que ruidosamente tem esse efeito
Nas engrenagens velhas
Do carrilhão do meu peito.
Fabiano Favretto