sábado, 31 de dezembro de 2016

niente lontano

E quem sabe nesse novo ano
Que amanhã começará,
Exista alguém, niente lontano
Que me amará.

E assim talvez aconteça
A tal reciprocidade.
Então, antes que anoiteça,
Vou recordar da claridade.

Alguém para amar;
Eu estou à procura!
Mas não sei como dosar
Para poder tomar a cura

Dessa falta, e desse desassossego
Que tanto este ano me mataram,
Quase meu coração dizimaram
E quase o furaram com um prego.

São tantos caminhos passados,
E o amor a gente nunca sabe ao certo.
São esses sentimentos pesados
Que se abrigam em corações desertos.

E ao passo que o sereno evapora,
E a aurora diz adeus às estrelas,
Tento as dores, talvez, escondê-las.
Mas qual dor ao amanhecer vai embora? 

Fabiano Favretto



sexta-feira, 30 de dezembro de 2016

No meio ou no fim

Quero tanto um beijo,
E a expectativa mata esse desejo.
Não, não morre esse desejo,
Nem sequer contrariado me vejo.

Das retóricas mais simples da vida,
A que mais gosto é a da dívida:
Paga-se cada conta atribuída,
E sana-se toda parte a ser dividida.

Entre eu querer pagar
Ou mesmo ter que te esperar,
Prefiro mesmo parar
Para tentar te ganhar.

Então eu vim,
E espero que assim
No meio ou no fim
Eu tenha você para mim.

Fabiano Favretto

Canção para a amiga distante

Eu vejo em seus olhos a tristeza,
E em suas mãos as incertezas.
Seus gestos querem ser tangíveis 
Mas agora somos tão invisíveis.

Eu me pergunto se estou magoando,
Pois assim, estou me entregando.
Mas não sei se é simples entrega,
Ou dor que um dia chega.

Não sou um bom samaritano,
Nem serei nesse próximo ano.
Não te darei esperanças nessa estrada,
Pois a oferecer-te não tenho nada.

Eu vejo em meus olhos a tristeza.
Em minhas mãos falta delicadeza.
Meus gestos querem ser plausíveis,
Mas agora somos tão invisíveis.

Se um dia para ti eu faltar,
Poderás sem medo me amaldiçoar.
Estou fugindo sempre a mesmo
Nessa procura fútil de mim mesmo.

Se um dia para ti eu faltar,
E a saudade no meu peito pesar (e vai),
Não hesite em praticar abandono:
Coração poeta não deve ter dono.

Se um dia para ti eu faltar,
Peço somente para lembrar 
De quem fui no começo;
Estou longe, mas não esqueço.

Fabiano Favretto

domingo, 25 de dezembro de 2016

Piangere

Fabiano Favretto:
Piange un poveretto.

Fabiano Favretto

Eu iria

A solidão me visitaria
E disse que me seguiria.
Não importasse onde iria,
Comigo ela partiria.
Não sei se era ironia,
Mas a melancolia
Decidiu fazer companhia.
Por onde eu andaria
Sem perder minha alegria?
Eu só não sabia
Que a tristeza me seguiria.

Fabiano Favretto

Nuvens cinzas

O céu agora se torna amarelo,
E de amarelo, nuvens viraram cinzas.
Eis que cairão hoje à noite,
Ou mesmo amanhã,
Todas estas lágrimas
De chuva.

Fabiano Favretto

Nuvens amarelas

Mais uma tarde de domingo,
E a parede de nuvens amarelas
Passa vagarosamente
Para não dar lugar às estrelas.

É dia de natal, dia quase findado.
A noite se aproximou rápida
Enquanto achei que havia acabado
A minha saudade tão ácida.

Ao ver-me assim fico pensando
O porque aqui estou.
Eu, verme do meu frio passado,
Eis que aqui estou.

Fabiano Favretto