quarta-feira, 30 de dezembro de 2015

E até

E até o perfume perde o cheiro,
E até as flores perdem a cor.
E até o sambista perde o pandeiro,
E até o chocolate perde sabor.

E até a chuva vira arco iris,
E até o couro vira sapato.
E até a feia vira atriz,
E até o gato vira amigo do rato.

E até o dia se faz semana,
E até a noite se faz nublada.
E até de palha se faz cama
E até de trilha se faz estrada.

E até as palavras dizem algo,
E até os olhos dizem quietos.
E até os gagos dizem afagos,
E até os mudos dizem afetos.

Fabiano Favretto

terça-feira, 29 de dezembro de 2015

Pastelão

Comprei um filme estilo pastelão.
De tão gostoso, o comi rindo de minhas amarguras.

Fabiano Favretto

Estou

Estou metodologicamente tecnológico 
Em delineados meios antropofágicos,
Onde eu, sistematicamente metrado,
Desconstruo paradigmas do meu atual estado.

Fabiano Favretto

segunda-feira, 28 de dezembro de 2015

Zoom



Você apenas perdeu seu tempo.


Fabiano Favretto

A poesia

A poesia jamais será universal,
Pois dela a dor só sentiu quem escreveu.
A poesia é egoísta,
É o parecer sintético de uma dor excruciante.
A poesia é tratamento homeopático
Para o mal dos homens doentes de mundo.

Fabiano Favretto

Era uma vez

Nunca leio um livro por vez.
Já leio dois, três ou quatro,
Para que ao meio deles, talvez,
O fim de um seja começo de outro
E este não seja apenas "era uma vez".

Fabiano Favretto

sábado, 26 de dezembro de 2015

2015

O ano passou do jeito que eu não quis:
Cheio de "talvez", e de cosias que não fiz.
Este ano que está findando, algo ele me diz:
"Chegará ano novo, mas tu será feliz?"

Fabiano Favretto



quarta-feira, 23 de dezembro de 2015

segunda-feira, 21 de dezembro de 2015

Quem me dera ser poeta!

Quem me dera ser poeta!
Saber escrever verdades,
Versos, estrofes e frases
Em rimas belas e corretas.

Quem me dera ser o menor dos poetas,
Para fazer luz o canto do passarinho.
E rimar, rimar, devagar, devagarinho
As coisas simples de natureza perfeita.

Queria ser um mísero poeta!
Queria não, eu quero ainda
Delinear frases nesta vida,
De forma simples e completa.

Queria, quem me dera.
Deus, como eu queria
Ter nas rimas alegria..
Mas não a tenho nesta era.

Quem me dera ser poeta triste,
Quem me dera rimar as árvores
Quem me dera remar às tardes
Neste rio da métrica que inexiste.

Quem me dera ser garoa,
Ponto, vírgula e reticencias.
Quem me dera ter ciência
De não jogar rimas à toa.

Fabiano Favretto

domingo, 20 de dezembro de 2015

Amar, amar e amar

Para Suelen

Mais do que amor,
Amo-te mais do que amar.
Mais do que o mar,
Amo-te mais do que o amor.
Amar-te mais do que viver,
Viver mais para amar-te.
Amar, amar e amar,
O amor, amor e o amor.
Amar-te mais do que o amor
É feito amor por te amar.

Fabiano Favretto

terça-feira, 15 de dezembro de 2015

Cartas celestes

Escrevi galáxias,
Desenhei faixas:
Constelações
Com corações.
Entrelinhas,
Mil estrelinhas.

Fabiano Favretto


Entrelinhas

Tem poemas que leio leio
E não entendo.
Tem coisas que entendo entendo
Mas não leio.

Fabiano Favretto

segunda-feira, 14 de dezembro de 2015

quinta-feira, 10 de dezembro de 2015

terça-feira, 8 de dezembro de 2015

Estes olhos

Me perco nestes 
olhos
Para neles achar
todos
Os caminhos
belos
Da felicidade.


Fabiano Favretto


Lembranças

Para Suelen.

As lembranças que tenho de ti
São as mais reconfortantes
Pois amo você, e aqui,
Não perco-me como fazia antes.

Mas estas lembranças belas
São instantes de meu presente,
Onde girafas amarelas
Ilustram moldura de um quadro ausente.

Quadro ausente, janela.
Vejo hoje o seu sorriso.
Paisagem tão bela:
Tu de mãos dadas comigo.

Fabiano Favretto

segunda-feira, 7 de dezembro de 2015

Fio

Estou olhando esta faca:
Ela está a reluzir.
Estou a contemplar esta adaga:
Em breve deverei agir?

Cortes profundos,
Riscos diagonais.
Buracos profusos
Golpes meridionais.

Cicatriz exposta,
O sangue coagula.
Não vejo outra resposta
Para esta sede, esta gula.

Na alma vejo feridas
Que insistem em sangrar.
Vejo as minhas mãos frias
Cansadas de lutar.

Fina, doce e lânguida,
A lâmina reluz
O fio estreito da vida,
O grande peso da cruz.

Estou aqui mesmo pensando
E também estou a chorar,
Diante do futuro pesando
No fio da lâmina a cortar.

Fabiano Favretto

Forca

Eu sou só o vácuo
Que nos ocos ossos habita.
Eu sou o frio receptáculo
Desprovido de fé e vida.

Eu sou o vazio sujo,
Eu sou a tristeza profana;
Eu sou corvo cujo
Parecer de morte declama.

Eu sou somente o pó
Jogado ao vento do norte.
Eu dou na corda o nó
Aceitando minha ingrata sorte.

Fabiano Favretto

domingo, 6 de dezembro de 2015

Outra esfinge

Devora-me,
Ou te decifro.

Fabiano Favretto

Dialeto

Não sei em que raios de dialeto
Está escrita a misteriosa canção da vida.

Fabiano Favretto

Epopéia

Buscarei no texto
Minha redenção?

Fabiano Favretto

É tanto(a)

É tanta chuva que cai,
É tanta água a correr;
É tanto tempo que vai,
É tanto calo a doer.

É tanto carro a andar,
É tanto escarro a sair;
É tanta gente a gritar,
É tanta dor a surgir.

É tanto medo lá fora,
É tanto frio aqui dentro;
É tanta gente indo embora.
É tanta borda no centro.

É tanto por enquanto,
É tanto por um tento.
É tanto, e no entanto
É tanto descontento!

Fabiano Favretto

Você:

A primeira a ver
O meu duro rancor;
E depois converter
Esta triste dor,
Para assim haver
O mais puro amor.

Fabiano Favretto

sexta-feira, 4 de dezembro de 2015

Se água

                    S    e        c    h    u    v    a

               N    ã    o        v    a    i    

                            E    m    b    o    r    a,

                    S    ó        c    h    o    v    e,
   
                          S    ó        c    h     o     r    a.

Fabiano Favretto

Chegada

Tempo, advento,
Chegada faz.
Traz alento,
Alegria e paz.

Fabiano Favretto