quinta-feira, 30 de abril de 2015

Desnudo

Nestes dias passados e ausentes,
Nordeste e sul se encontraram;
Fundiram-se nossos corpos quentes,
E em um só prazer se acabaram.

Nessa luta de desvencilhamento
Daquilo que se fazia virtual,
Forjado foi meu real conhecimento
Do seu corpo, pele, suor e sal.

Não obstante, a vontade e o vício chegam
Para jogar minha pobre alma na aflição,
Ao não sentir o gosto dos lábios que beijam
Ao te ver desnuda - minha imaginação.

Fabiano Favretto

Luto!

A educação.
Há educação 
Por parte deste 
(Des)governo?

NÃO!

Há o caos, as bombas!
O sangue escorre;
Os professores correm.
As lágrimas caem:
Gás lacrimogêneo,
Gás de pimenta.

Pimenta nos olhos dos outros
É refresco
Ou motivo de comédia no plenário.

Educadores sofrem,
E o ditador comemora
A derrota da educação.

Talvez seja ele (o desgovernador)
Um garoto que torra formigas
Com sua lupa 
Somente por mero prazer pessoal.

O garoto de prédio,
Que sempre teve tudo,
Exceto a competência
E a vergonha na cara.

O garoto de prédio,
Que nunca foi repreendido
E que envergonha
Um estado inteiro.

O garoto que manda um exército
Bater nos educadores
Pelo seu medíocre medo
De que o povo aprenda a contestar.

Bala de borracha,
Dor, vergonha e sofrimento.
É isso o que você proporciona,
Ditador!

Os soldados avançam
E meus queridos professores padecem.

Quem sabe um dia,
Este desgovernador aprenda
(o que eu duvido muito que aconteça)
Que violência gera violência
E que educação gera educação.

Enquanto isso, marcamos este triste dia
Onde no Paraná, todos de luto
Choram a morte da Educação.

Fabiano Favretto

segunda-feira, 27 de abril de 2015

domingo, 26 de abril de 2015

Anônimo

Mesmo que minha boca não fale
E que seus olhos não adivinhem,
Te amarei secretamente
Até o fim dos tempos.

Fabiano Favretto



sexta-feira, 24 de abril de 2015

Prazer

Fusão de dois corpos e,
Resultante inexistência do universo.

Fabiano Favretto

quinta-feira, 23 de abril de 2015

Ausência

Se quem amamos um dia vai-se,
Devemos amar cada dia mais
E sorrir com carinho ao lembrar-se
Da sua imagem, alegria e paz.

A distância no peito é presente
E a ausência faz-se dolorida.
Há saudade da pessoa querida,
Lembrança boa, permanente.

Futuramente, um dia talvez
Reencontraremos quem amamos
E dar abraços longos, mais uma vez
Naqueles a quem tanto respeitamos.

Perder quem amamos é frustrante,
Mas chorar pode não ser o correto:
Quem um dia aqui esteve por perto
Agora é no céu estrela brilhante.

Fabiano Favretto

quarta-feira, 22 de abril de 2015

Órbita

Será que era verdade,
Ou somente um momento
De ilusão permanente,
Impressão de contentamento?

Em estar pensativo
A distância parece aumentar
Tudo ficou relativo
Estou fora de de órbita, no ar.

Fabiano Favretto

segunda-feira, 20 de abril de 2015

Entre nós

Que a distância entre nós
Seja somente o espaço
Entre um beijo e um abraço.

Fabiano Favretto

Reciprocidade

Amo a poesia,
Mas nem sempre
Isso é recíproco.

Fabiano Favretto

sexta-feira, 17 de abril de 2015

quinta-feira, 16 de abril de 2015

Não lembro de nada

Muito texto
Pouco tempo.
Texto extenso.

Leitura dinâmica
Releitura mecânica
Não lembro de nada.

Fabiano Favretto

terça-feira, 14 de abril de 2015

Própria s(m)orte


Mas o que é a morte, e o que é o tempo
Senão desventuras desta vida que passa?
Há um fúnebre e um lúgubre lamento
Quando a vida esvai-se tal qual fumaça.

E se os relógios não fossem regrados
À este nosso pequeno pedaço de tempo?
E os sinos das igrejas não fossem soados
Haveria-se de poupar entristecimento?

Como haveria um começo a propor-se
Se a terra virgem nunca fosse maculada?
Com os ossos e os espinhos a decompor-se
Nascem flores da semente germinada.

Como pode o homem, água e carbono
Acovardar-se perante ao fim eminente,
Abandonando sonhos neste sono eterno
Desta sua vida tola, banal e decadente?

Caixa de madeira, anéis de ouro e vermes
O relógio da natureza limpa o desnecessário.
Sobram cabelos, ossos sem tons de peles,
Faz o ouro a decoração do novo ossário.

E se os ponteiros dos relógios que avançam,
Retrocedessem de formas não-parnasianas:
Abririam-se os olhos que um dia se fecharam
E pouparia-nos de uma vida fria e profana?

Nesta vida a qual chamamos de tempo,
E nesta dança a qual chamamos de morte
Estamos nós nesta valsa com intento
De sobreviver a elegia da própria sorte.


Fabiano Favretto

Indigestão.

Pela azia de meu intelecto,
Venho tendo
Idéias ácidas.

Fabiano Favretto

domingo, 12 de abril de 2015

E se quebrar novamente

Não sei se eu suportaria
Juntar os cacos mais uma vez.

Fabiano Favretto

Introvertido

Quando cai a primeira folha
E o anúncio do outono é feito,
O orvalho os meus olhos molha
Pois não vejo seu sorriso perfeito.

Se a distância não fosse a culpada
Pela ausência de seus grandes abraços
Atrelaria tal culpa à Lua, iluminada
Cuja fria luz aumenta carinhos escassos.

Pela tua boca e pelo seu beijo
Lutaria para tirar dos seus lábios o batom,
E nesta luta, venceria o meu desejo
De viver nestas cores de amor muitos tons.

Quando o barulho das águas das fontes
Se misturarem à sua voz (que gosto tanto)
Saberei que logo, a neblina no horizonte
Sairá de teus lábios e será meu encanto.

A distância, o escuro e a solidão
Serão passado que não mais faz sentido,
Se algum dia o seu belo coração
Ceder espaço para o meu amor introvertido.

Fabiano Favretto

segunda-feira, 6 de abril de 2015

Morte do papagaio mudo

E de repente,
Foi somente
Um bater de asas.
Somente um.

Fabiano Favretto

Outro

Devastado em mim mesmo,
Sou todo ócio, ossos, outro.

Fabiano Favretto

Sobre eu e o romantismo:

Estou ficando cego.

Fabiano Favretto

De fato

Talvez eu sinta-me só
Devido à longa distância.
Na minha garganta um nó
Por estar nesta circunstância.

Já confabulei planos
Comigo mesmo antes de dormir
Para te ver não há engano:
É certo que eu precise partir.

Já falei de seus olhos,
Mas ainda não senti sua boca.
Imaginei seus abraços
Vontade de te ver não é pouca.

Pode achar-me apenas mais um,
Um cara nesse mundo vasto.
Mas isto é diferente, incomum
Algo puro, nada nefasto.

Podem dizer que seja cedo,
Mas eu nunca aprendi a ver as horas.
Tenho receio, certo medo
De não te encantar, ter de ir embora.

Fabiano Favretto

sábado, 4 de abril de 2015

Entre-dentes

Me morda.
Me devore.
Me prenda
Entre-dentes.
Nessa boca,
Sua boca.
Boca quero
          Rápido
                      Longo,
                                   Confuso.
Beijo
Complicado.
Morda.
Prenda.
Devoras
Agora
Meu coração.
Entre-dentes.

Fabiano Favretto

Boca melodia

Se na bela boca sua,
Soa, balbucia
Linda, simples melodia
Em bela nota nua,

A boca que é minha,
Tímida, sua boca procura
E na mente uma loucura:
Tua boca eu não via.

Fabiano Favretto

Comunitária

Não me dá bola,
Mas vive dando sopa 
Para mendigo.

Fabiano Favretto

sexta-feira, 3 de abril de 2015

Acidente

Seu corpo estrada
Curva, na chuva derrapo
Vou na direção errada.

Proposital acidente:
Na sua perfeita rua nua 
Está meu deleite.

Capotamento certo,
Perdi mapa de mim.
Me achei no acerto.

Congestionamento
Nu seu corpo, calor
Engavetamento.

Fabiano Favretto


Contemplação

Estou na fase
Em que a Lua e Vinho
Já não são o suficiente.

Fabiano Favretto

quinta-feira, 2 de abril de 2015

Derrota de um rejeitado

Eu, homem insignificante,
O mais desprezível dos seres,
Atraído por vontade secante
Sucumbo à uma vida de desprazeres.

Como se não bastasse o desprezo,
Está o amor a flagelar-me
Iniciando com sentido coeso
De vez essa fase a humilhar-me.

Análogo à esta queda de conjuntura
Estão os cupidos delinquentes a me flechar.
Meu coração já pobre, em penúria
Está sozinho no chão a se arrastar.

Pior do que um verme podre,
Está esse meu papel ante a sua vida.
Sem valor, nem sequer atitude
Prevejo mais uma futura recaída.

Esganiçado percevejo delirante
Sem dignidade e sem calma;
Me tornei um vagabundo errante
Sem paz, sem saúde, sem alma.


Fabiano Favretto


quarta-feira, 1 de abril de 2015

Melhor presente *-*

Ontem, minha irmã me escreveu um poema. Fiquei muito feliz e decidi postá-lo aqui: 

Sentada no Banco do ônibus vermelhão
Pensamentos voando na escuridão da noite.
Sem lua, sem rumo
Veja quantas pessoas na rua!
Chega de solidão...
Meu coração bate molemente.
A cidade é linda;
O som urbano contente.
Deixa eu sonhar!
A melodia inunda meus ouvidos:
Ouvidos estes 
Que não se cansam de escutar...
E quem irá me ouvir?
O som intrépido do trem
Cala quem ousa falar.

Muitas ruas, muitas praças
E esse intenso vai e vem.
Vai que uma hora ela vem?
Ela quem? A felicidade?
Não, amigo. A sorte.
Que bate e cansa de bater
Que passa despercebida
Sem ninguém ver.
Será que estou no lugar certo?
Isso somente o destino irá me dizer.

Giane Favretto

Muito obrigada, Gi :*
Gostei muito.

Olhos negros

Aqueles vastos olhos negros
Os quais nunca me olharam
Mas que sei, são serenos,
Já de começo me encantaram.

Qual a felizarda direção
Que estes olhos miram?
Se fosse meu coração,
Meus sentidos me trairiam.

Ah, aqueles vastos olhos negros
Se um dia para mim olhassem...
Acabariam meus desassossegos.
Se um dia eles me fitassem...

Fabiano Favretto