domingo, 30 de março de 2014

Bem-te-vi

Um dia eu vi
Um bem-te-vi.

Tão bem eu sei
Não te esqueci.

Também voei
E só para ti.

E te encontrei,
E também sorri.

Eu não sonhei,
Que eu bem te vi.

Estou tão bem:
Eu bem-te-vi.

Fabiano Favretto

Um dia vi

Não sei se foram
Os mesmos olhos
Que um dia vi.

Mas se mostraram
Ainda valorosos.
Tive vontade de sorrir.

Ao longe voaram
Calmos e orgulhosos.
E não mais os senti.

O caminho desviaram
Dos meus olhos dolorosos
E ao meu destino prossegui.

Fabiano Favretto

segunda-feira, 24 de março de 2014

Cristal

Quebrei o silêncio
Com notas de cristal.
Compus a melodia
Em alto tom musical.

Silenciei o som
Com cristais de melodia.
Compus notas quebradas:
Musical arritmia.

Cristalizei notas
Silenciando a melodia.
Quebrei a composição
Logo ao raiar do dia.

Juntei todos os cacos
Numa melodia perfeita.
Foi silêncio profundo
A canção por mim eleita.

Fabiano Favretto

Ação

A ação
Não está
Na folha que cai,
Mas sim
No vento
Que a derruba.

Fabiano Favretto

Saudade

O frio
Há muito oculto,
Desponta inesperado
Em tarde de outono.

Embora as manhãs
Sejam ensolaradas
E as noites cunhadas
De modo agradável,
O sentimento da saudade
Permanece inalterado.

Fabiano Favretto

domingo, 23 de março de 2014

Combustível

A felicidade
É o combustível
Realmente necessário.

Não há combustível
Que satisfaça-nos
Inteiramente
Assim como a felicidade.

Mesmo que,
Por momento se escasse,
Tal combustível
Torna-se renovável.

Os motores
Em nossos peitos
Precisam de tal combustível
Inflamável
E necessariamente
Explosivo.

É possível abastecer-nos
Em postos de beijos,
Refinarias de abraços,
E também é possível
Estocá-lo
Num sorriso.

Todos deveriam
Compartilhar seu
Combustível.

Fabiano Favretto

sexta-feira, 21 de março de 2014

Extinção

Era um festival de fantoches, para contar sobre a diversidade da fauna.
Ninguém tinha braço grande o suficiente para manusear a girafa.
O operador de fantoche do rinoceronte ficou ofendido quando soube o motivo de seus chifres.
O fantoche do elefante foi danificado quando deu uma trombada com o operador do leão.
O festival realmente, foi de extinção, pois o resultado só deu zebra.

Fabiano Favretto

terça-feira, 18 de março de 2014

Âmago

Queria poder
Derramar desta taça
O conteúdo repleto de amargura:

Meu âmago do sofrer
Que com pouco ameaça
O que me resta de ternura.

Fabiano Favretto

domingo, 16 de março de 2014

Paz

Entoei cantos gregorianos
Para a paz voltar ao meu ser.
Redigi cartas vitorianas
E enviei ao meu bem-querer.

Fabiano Favretto

sábado, 15 de março de 2014

Navegou

Com sua carta
Fiz barquinho de papel
Joguei-o à correnteza
E sai vagando ao léo.

Fabiano Favretto

sexta-feira, 14 de março de 2014

Despercebida

Por entre
Emaranhados
De ferro e concreto,

No ventre
Gelado
De solo descoberto,

Rotineira dádiva
É silenciosa
E atávica.

Despercebida
A vida se cria
Sem nenhum crime:

Na fresta
Do asfalto, 
Nasce flor sublime.

Fabiano Favretto

quarta-feira, 12 de março de 2014

Repugno

Sinto-me
No limite do cansaço,
E repugno
Este marchar constante
Onde há pouca poesia
E muita trivialidade.

Fabiano Favretto

domingo, 9 de março de 2014

Minguante

Com nova fase e
Cheia de dor ,
Brilha elegante
Em crescente fulgor
Minha Lua minguante.

Fabiano Favretto

sábado, 8 de março de 2014

Venho

Venho poetizando
Minhas desventuras
De amor
E também concretizando
Minhas aventuras
De grande sonhador.

Fabiano Favretto

sexta-feira, 7 de março de 2014

Todos

Que todos
Os caminhos
Me levem
Em direção
Ao seu
Abraço.

Fabiano Favretto

quarta-feira, 5 de março de 2014

Arco-Íris

Não sei se seus olhos
Me enganaram
Ou somente paisagem
Fitaram
A deslumbrar-me
Por reflexo
Através de um vidro
Semi-côncavo/ convexo
Gerando na cor
De sua íris
A forma jocosa
De um grande arco-íris

Fabiano Favretto

terça-feira, 4 de março de 2014

Andando

Dos caminhos
Que poderia ter escolhido
Julgo ser o mais certo
O tortuoso pelo qual tenho vindo,
E analisando
Minha trajetória,
Penso que faço certo
O curso de minha história

Fabiano Favretto

segunda-feira, 3 de março de 2014

Semi-sóbrio

A vida é
Open-bar.
Vivo
De ressaca.

Fabiano Favretto

Somente

Dê-me somente
Mais uma noite estrelada,
Antes que tudo
Em tempo seguinte
Torne-se novamente nada.

Dê-me somente
A lua de seu sorriso
Antes que o mundo
Novamente
Torne-se espaço vazio.

Fabiano Favretto

Em terra de amores.

Há quem diga
Que o amor é cego.
Se for a verdade,
Quem em terra de amores
Não ama
Enxerga.

Fabiano Favretto

Caipira Simplesmente

Olá!!
Se depender de mim, a música caipira não acabará.
Criei um canal no youtube onde estou postando
álbuns de duplas caipiras antigas. Por enquanto
tem 2 vídeos somente, mas com o tempo
o número de vídeos aumentará.

Confira o Canal aqui:

http://www.youtube.com/channel/UClusKAjf-aHVe8S4DbdGk9Q

Valeu, pessoal ;)

domingo, 2 de março de 2014

Vinagre

Somos uvas
Em um vasto parreiral.
Não escolhemos onde
Nem quando nascemos.

Somos uvas
Colhidas em tempo marcado.
Não sabemos nosso destino
E qual nossa finalidade.

Somos uvas
Sendo pisadas
Por pés raivosos.
Somos esmagadas
E fermentadas na escuridão.

Somos uvas
Boas?
Ou somos
Uvas ruins?
Fermentamos.

Somos uvas 
Para o melhor vinho?
Ou somos
Uvas
Para o vinagre?

Somos uvas
Colhidas,
Amassadas,
Fermentadas..
Sou uva boa.

Somos uvas
Para vinho bom,
Mas o rótulo
É sempre
De vinagre.

Somos uvas
Com valores.
Um dia
Sonharemos
Ser vinho bom.

Somos uvas
Surradas na vida,
Pisadas pela injustiça
E fermentadas na ignorância.
Fomos para o vinagre.

Fabiano Favretto

sábado, 1 de março de 2014

Cicatrizes

Nunca pensei muito sobre cicatrizes.
Por mais que saremos do corte,
A marca da dor permanece.
Não falo nem tento compará-las
À desilusões e sofrimentos.
Falo de cicatrizes reais, tangíveis.
Cicatrizes, são melhores que tatuagens.
Há quem faça escarificação,
Mas acho que as cicatrizes geradas involuntariamente
São mais sinceras e humildes,
Pois marcam um momento
Que fugiu de nosso controle.
Cicatrizes nascem para ficar,
E não há cirurgia plástica
Que esconda 
A beleza de um acaso
Perpetuamente marcado.

Fabiano Favretto

Imaginação

Não tentemos alçar vôo
Porque não temos asas.
Deixemos voar a imaginação,
Mas caminhemos em busca
De nosso objetivos.

Sergio Luiz Favretto

Agradeço a meu pai (Sergio) por tão bonita poesia.