sábado, 29 de junho de 2013

O riacho

A chuva caía, e o menino debruçado sob o próprio braço observava um pequeno riacho formado pela água que escorria do telhado ao lado de sua casa. Eram dias chuvosos como aquele que o faziam pensar em como os tempos mudaram, como ele mudou. Refletia a chegada e ausência das pessoas, e também interiorizava como havia de ser daquele momento em diante. A vida seguia como o pequeno riacho, buscando seu curso natural e carregando  para longe as folhas secas já caídas e esquecidas. Porém, as pedras mesmo pequenas continuavam no mesmo lugar.
Os relâmpagos surgiam aleatoriamente nas nuvens azuis quase esverdeadas, e faziam figuras engraçadas na parede atrás do menino. O dia já quase sucumbia e a noite chegava, mas o menino continuava lá, estático, quieto, observador. Buscava em imagens de relâmpagos refletidos, a compreensão dos caminhos tortuosos da vida e a razão do curso irregular que o tempo impunha sobre ele. Quando chovia, realizava-se o mesmo ritual de observação.
O tempo passava, e o homem já feito, observava a sua imagem refletida na grande janela de seu escritório no 14º andar. Queria seguir o curso do pequeno riacho, onde entender era melhor que esquecer. Ser criança novamente era algo impossível. Ao menos via algumas gotas pequenas e velozes que corriam janela abaixo. As gotas o faziam lembrar vagamente o pequeno riacho que levava suas melhores lembranças e pensamentos do tempo de infância. Era criança novamente.

Fabiano Favretto

terça-feira, 25 de junho de 2013

Sinceridade

Qualidade que a muitos falta,
E poucos sabem que a possuem.

Ação que muitos exigem,
Mas que poucos a executam.

Reação que a muitos surpreende,
Mas poucos surpreendem.

O que todos esperam,
Mas poucos esperam até o final.

O que todos precisam,
Mas ninguém está disposto a possuir.

Fabiano Favretto

segunda-feira, 24 de junho de 2013

Nunca sinto-me livre

Esta sensação
Me queima por dentro
Desde o momento em que acordo
Até o momento em que me deito.
Nunca sinto-me livre:
É um estado de morrer-viver eterno.



Essa tal de azía é muito da chata, viu?

Fabiano Favretto

sexta-feira, 21 de junho de 2013

O vento

O vento estremece a janela
E uiva como um lobo faminto
Sem destino ou objetivo.
Apenas está a preencher cantos
Para mostrar que mesmo franzino,
É temido e constante.

Fabiano Favretto

Tenho medo

De que todas as vozes se calem.

Fabiano Favretto

quinta-feira, 20 de junho de 2013

E foram para a rua

Fazer revolução.
O povo grita, chora, protesta.
O povo contesta,
E quer justiça.
Justiça,
Há de chegar logo
Pelas mãos gloriosas do povo.

domingo, 16 de junho de 2013

Como chove

Tristes gotas transparentes
Tilintando nas flores de amor perfeito
E reluzindo ao último,
Mas não menos melancólico
Clarão de lamparina.

Ah, essas bucólicas tardes de domingo:
Eu espero que jamais acabem.
Tenho a simples sensação
De que estás em alguma janela
Olhando a chuva cair.

Como chove!
Espero que a chuva 
Quando ao céu retornar
Traga o brilho de seus olhos
E leve a esperança de meu olhar.

Fabiano Favretto

sexta-feira, 14 de junho de 2013

Sofrimento

Queria não sofrer,
Mas isso não consigo.
Queria te amar,
Mas isso é impossível.

Sofro por derrotas,
Desistências alternadas.
Queda após queda:
Me resta sempre o nada.

Sofro por você.
Sofro por mim mesmo.
Sofro por nós dois.
Sofro sempre a esmo.

A morte é melhor!
Melancólico eu me sinto.
A vida em seu ardor,
Viver não é preciso.

Sofri,
Sofrerei
E sofro:
Só assim eu te terei.

Fabiano Favretto

Hoje

Ela me encarou tanto..
..Que eu quase virei pedra.

Fabiano Favretto

quinta-feira, 13 de junho de 2013

Eu sou

O seu sonho perdido
A sua falta de sorte
O fundo do poço
A beira da morte.

O quinto elemento
A brisa suave
A rajada de vento
A inimizade.

O  que você quer?
O que tu desejas?
O que te ofereço?
O que mais almeja!

O seu sorriso
As suas lágrimas
O seu suspiro
A sua lástima.

A partida
O andamento
A chegada:
O sofrimento.

Fabiano Favretto

sábado, 8 de junho de 2013

Crônicas de um caipira 2#

-Será que chove?

-É capaiz memo! As cigarra não tão cantano.

-É verdade memo, é verdade..

-Se chovê não vai dá pra maiá o fejão que tá secano no paió

-Ma num tem probrema não, te mando um saco de fejão lá procê

-Ô cumpadre! Muito agradecido de minha parte! Deus que ajude nóis tudo.

-Amén cumpadre!


BRUUUUUUM! CATABLAAAAAAM!!!!! SHHHHHHHHHHSSG!!!!    VUUUUUUUUUUU!!!!!

-Vish cumpadre, eu vô é pro meu barraco que a véia vai faze um virado com ovo pra eu mais meus fio.. e ainda ta trovejando que é uma coisa..

-Vai cum Deus cumpadre, e manda lembrança pra cumadre lá mais os fio teu. E leva essa garrafa de pinga aí cocê, que se ocê tomá chuva no lombo na viage, você toma e se esquenta.

-Ô cumpadre! mais agradecido inda. Deus que ajude nóis tudo! E que São Pedro mande chuva no lombo pra mode eu me esquenta.. hehe

-Hahahaha!! Precisano dá um berro! Té manhã!

-Até!

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PLING! PLINK! CLINK! SHUUUÁÁÁÁÁÁÁÁÁÁÁÁÁÁ!

-Êta São Pedro memo! O jeito é me encosta no barranco e larga um poco esse saco de fejão pra mode eu descansá. Ô negócinho pesado sô... Ah! só toma um gole de cana e descansa.. e esperá a chuva dá uma passada.. enquanto isso vô deitá um poco aqui..

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-Nussa mãe do céu! Durmi aqui! o jeito é í correndo pro barraco que a chuva já deu trégua..

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-Ô véia onde tá ocê?

-Ô véio por que diabos demorô tanto? Maiô o fejão?

-Meu Pai Santíssimo! Esqueci o fejão no barranco!

-No barranco?

-Foi! Mas juro que a curpa é de São Pedro!

-Larga mão de falá bobage hóme! Cumé que São Pedro ia ter curpa? E o saco de fejão tá aqui!

-Mardição! Esqueci a pinga!


Fabiano Favretto

quarta-feira, 5 de junho de 2013

Mesmice.

Todo dia é a mesma coisa:
O mesmo ritual matutino,
O mesmo sentimento de raiva..
...E de tristeza  (de foda-se o mundo).

Mas eu saio
E a vida prossegue
Lenta - Fria - Densa
Tensa!

Preciso de uma taça de vinho..

Fabiano Favretto

terça-feira, 4 de junho de 2013

Casa com cachorro brabo

Casa com cachorro brabo
Meu anjo da guarda
Abana o rabo.
(Paulo Leminski)

Saudades, Gaudério :/

sábado, 1 de junho de 2013

Eu espero

Eu espero que seus beijos
Tenham sabor de vinho seco,
Sejam fontes inesgotáveis
De amor e de desejo.

Seus lábios vermelhos,
Convidativos e sinceros,
Inebriam-me:
Singelo hipnotismo. 

O silêncio do covarde,
E a omissão de palavras rotas,
São o ápice do perder-me
No labirinto de seu sorriso.

Fabiano Favretto